Ambiente

Borboleta-Caveira (not an alien nor devil)

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DR.

É a segunda maior mariposa que se pode encontrar no verão na Europa, medindo entre nove a 13 centímetros de envergadura. Esta traça migradora pode voar até 500km sem parar e é também um dos mais velozes insetos existentes.

A Acherontia átropos, é um inseto muito peculiar, para além da figura no seu dorso que faz lembrar uma caveira, tem também a particularidade de ser um dos raros insetos que emite um som parecido com um guincho, essencialmente quando se sente ameaçada.

Esta borboleta noturna pode ser encontrada na Europa durante o verão e durante todo o ano em África. A nossa interpretação errada e supersticiosa sobre a figura no seu dorso, levou a inúmeras crenças e mitos sobre este lepidóptero.

Nas crenças populares é tida como prenúncio de más notícias ou de morte, porém no simbolismo e mitologias greco-romanas é alusiva à transmigração da alma, ao renascimento e à ressurreição. Na Antiguidade greco-romana a alma ao abandonar o corpo teria a forma de uma borboleta. Também pelas metamorfoses pelas quais estes insetos passam, eram tidos como referências de vários estágios da existência. De ovo, a lagarta, a ninfa, a crisálida e finalmente borboleta. De rastejantes a alados.

Devido à sua grande dimensão e por conseguirem alimentar-se em voo, sem necessitarem de pousar nas flores, também são conhecidas por borboletas colibri.

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Quando em estado adulto, têm preferência por flores de jasmim e é conhecida a sua gula por mel, sendo encontradas dentro de colmeias, onde por vezes ficam retidas por tanto ingerirem sendo depois incapazes de sair. Exalando substâncias químicas e possivelmente pela camuflagem conseguem iludir as abelhas. Se olharmos para a imagem que nos parece uma caveira, nos despirmos das nossas crendices, podemos encontrar semelhanças desse desenho no dorso com uma abelha. Enquanto lagartas alimentam-se de folhas de oliveira, folhas de batateira, folhas de tomateiros, e plantas similares.

Na arte, no cinema, literatura e até na arquitetura podem encontrar-se dezenas de representações e referências a este fantástico ser. As mais conhecidas são a capa do livro de Saramago, As Intermitências da Morte, e a imagem icónica da borboleta que tapa uma boca no filme, O Silêncio dos Inocentes.

No primeiro encontro que tive com uma borboleta-caveira não fui propriamente inteligente. Estando deitado, de noite, acordei com um bater numa janela, olhando para a janela vi que algo dentro de casa investia contra o vidro, atraído pela luz de um candeeiro no exterior. A primeira impressão foi de que se tratava de um morcego, tentando sair. Levantei-me e verifiquei que era um inseto gigantesco. Como nunca tinha visto algo assim, a reação foi de defesa e impulsivamente de ataque, peguei num mata moscas e desferi-lhe um golpe, para minha surpresa o gigantesco inseto guinchou e mal sentiu a pancada que levou. Ato contínuo, continuei a bater-lhe até que se imobilizou, continuando, no entanto, a guinchar. Peguei-lhe com a pá do lixo, abri a porta e atirei-o para o pátio… as minhas Golden Retrievers chamaram-lhe um doce. Dias depois descobri outra, e aí tive uma atitude mais nobre, fotografei-a, fui pesquisar e tentar perceber que ser era aquele. Presentemente arrependo-me de ter matado tão belo e peculiar ser vivo, que apenas queria sair… teria bastado abrir-lhe a janela…

O medo pelo desconhecido tolhe-nos o raciocínio e impede-nos de perceber a beleza da vida. Ficou a lição. Deixo aqui uma foto de uma já sem vida que encontrei em Aveiro em plena cidade, admirável mesmo assim…

Paulo Gil Cardoso/MS

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