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Avariámos a Máquina do Clima?

seca e diluvio clima - milenio stadium

 

Num lado, chuvas torrenciais e inundações, furacões e tempestades, no outro lado, seca extrema, incêndios e elevadas temperaturas.

Os extremos em diferentes zonas do planeta.

Na quarta-feira dia 6 de julho, havia mais de 200 fogos florestais ativos no Alaska, mais de 2,4 milhões de acres já arderam este ano neste estado americano, a maior área ardida em mais de 80 anos. Esperam-se ainda violentas trovoadas nos próximos dias que poderão provocar mais incêndios com os relâmpagos.

Também no mesmo dia lavravam mais de 60 incêndios nos Territórios do Noroeste do Canadá.

Ainda no continente americano, e na mesma data, desta feita no Hemisfério Sul, chuvas torrenciais abateram-se sobre os estados de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, no Nordeste do Brasil. Os rios transbordaram provocando grandes inundações, tendo sido evacuadas 68 700 pessoas e havendo seis mortes registadas, existindo ainda um número ainda indeterminado de desaparecidos e habitações destruídas.

No dia 2 de julho, a passagem da tempestade tropical Bonnie na Nicarágua teve como consequências, quatro mortos, 12 feridos graves, sendo evacuadas mais de 300 pessoas. Mais de 400 casas ficaram destruídas ou inundadas.

Na Austrália, durante a passada semana, fortes tempestades atingiram uma vez mais a costa leste. Foi declarado o estado de calamidade natural em mais de 20 áreas da cidade de Sidney e arredores, chuvas torrenciais e inundações obrigaram à evacuação de mais de 50 000 pessoas, os rios transbordaram submergindo pontes e estradas, deixando muitas localidades isoladas e milhares de habitações sem energia elétrica. Estes eventos extremos repetem-se pela terceira vez no espaço de ano e meio, ainda no passado mês de março tempestades provocaram 20 mortos naquela zona da Austrália.

No passado fim de semana o Tufão Chaba atingiu o sul da China, o que levou à declaração de alerta máximo devido a ventos com mais de 150Km/h e ondas de 10m, também em Macau este tufão levou à emissão de alerta de grau 8, que esteve em vigor durante 23h (a escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, cuja emissão depende da proximidade da tempestade e da intensidade do vento). Um navio grua não resistiu à tempestade, tendo-se partido a meio e afundado, as últimas informações davam como desaparecidas 27 pessoas, tendo sido resgatados ao mar 12 corpos sem vida.

No final do mês de junho, abateram-se violentas chuvas sobre o Bangladesh, as fortes inundações deixaram retidas 4,5 milhões de pessoas, 15 crianças morreram afogadas, sendo que existem 3,5 milhões de crianças sem acesso a água potável, extensas áreas continuam inundadas e um enorme número de povoações continuam isoladas, sem abastecimento de água potável, energia elétrica ou alimentos. Além de dezenas de mortos, hospitais, escolas e outras infraestruturas ficaram sem operacionalidade, na última semana foram registadas mais de 2700 crianças com diarreia, a UNICEF alerta para o risco de pandemias.

No Paquistão morreram pelo menos 77 pessoas nas últimas semanas devido às cheias provocadas por um Monção com uma força inesperada. Em algumas regiões a precipitação teve um aumento de 274%.
Na Europa o cenário é de seca extrema, Portugal, Espanha e Itália, são os países europeus com maior seca. Esta semana o Governo italiano decretou o estado de emergência que vigorará até final do ano. A Itália sofre atualmente a pior seca dos últimos 70 anos. Mais de 100 cidades estão com restrições apertadas relativamente ao consumo e uso de água, nalguns casos racionada. A produção agrícola está muito comprometida, especialmente a produção de vegetais. Um dos maiores rios de Itália, o Pó, está com um nível oito vezes inferior ao espectável.

Em Portugal todo o território está em situação de seca severa ou seca extrema. Está em vigor no Algarve um plano de emergência para irrigação agrícola, em que cerca de 1800 unidades produtivas forma obrigadas a diminuir para metade a rega de algumas produções.

Pelos vistos avariámos mesmo a máquina do clima… e dificilmente a conseguiremos reparar…

Paulo Gil Cardoso/MS

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