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Aromáticas momentos felizes

Terra Viva

lavanda - milenio stadium

 

Especialmente na primavera e no verão as plantas brindam-nos com um caleidoscópio de aromas. Um dos maiores prazeres que se pode ter é caminhar no campo ou montanha e sentir uma infinidade de perfumes, como o rosmaninho, a alfazema, o alecrim, os orégãos, e mais uma miríade de plantas aromáticas impossível de enumerar neste texto.

A variedade de plantas aromáticas é imensa, assim como as suas utilizações. Podendo ser ervas como os coentros, a salsa ou a erva cidreira, arbustos como o tomilho ou a lavanda, ou árvores como o loureiro ou a canela.Utilizamo-las como temperos, ambientadores, unguentos, óleos medicinais ou perfumes, usando as suas folhas, flores, frutos, sumos, sementes, caules, bolbos e cascas. Secas ou verdes, maceradas, fervidas, inteiras ou moídas, inebriam-nos os sentidos do gosto e do olfato.

A culinária de todo o mundo seria mais pobre sem elas, todas as civilizações e culturas introduziram especiarias e plantas nos seus cozinhados desde tempos imemoriais.

Uma das principais razões dos Descobrimentos (se não mesmo a principal) foi a demanda pelas especiarias vindas do oriente, como a pimenta, o açafrão, o gengibre ou a canela. Nós portugueses sabemos bem recordar o conforto do nosso berço lusitano, sendo transportados de volta às nossas origens, quando comemos aletria e arroz-doce polvilhados com canela, quando degustamos uma chanfana com um raminho de ervas (com salsa, alecrim e louro), quando nos deliciamos com uma açorda com coentros, quando saboreamos uma caldeirada de enguias com açafrão (popularmente: “pó-de-enguias”).

Aventureiros que fomos e que somos, também nos deliciamos com uma galinha de caril, que nos recorda África ou as Índias. E depois da refeição, para digestivo, saborear uma aguardente com anis, uma aguardente zimbrada ou um licor de tangerina com canela, e lá mais para o fim da tarde ou noite, abrirmos as asas da imaginação com uma história da nossa avó, imersa na magia de um chá de cidreira, camomila ou limonete. A cozinha seria triste sem aromas, mas também as igrejas pareceriam mais vazias sem o doce cheiro do incenso queimado, e as procissões não teriam o mesmo ambiente sem o odores verdes/adocicados a anis (erva-doce), juncos e alecrim, exalados dos tapetes verdes estendidos nas ruas das nossas aldeias.

Os bons momentos podem sempre ser recordados com o aroma das flores de rosmaninho ou alfazema colhida no sítio que visitámos, guardada num frasco, e quando a saudade aperta, abrimos e inalamos, e regressamos aquele sítio que amamos, renascendo e revivendo.

Se pararmos uns segundos, saborearmos e cheirarmos a natureza, vamos entendê-la melhor, respeitá-la e admirá-la.

Paulo Gil Cardoso/MS

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