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VOX POP – Ceia de Natal

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Créditos: Sabri Tuzcu

Mais um Natal se aproxima…e mais uma vez passaremos esta data sob a sombra de uma pandemia que parece não ir embora. A campanha de vacinação contra a Covid-19 alcançou altos índices no Canadá, em Ontário cerca de 77% da população está vacinada, e atualmente, neste país, só não está imunizado aquele que não quer. Nos últimos meses a situação parecia estar a melhorar, com as lojas, restaurantes, bares e afins abertos, as escolas de volta às aulas presenciais assim como muitos escritórios e empresas. A vida aos poucos dava sinais de normalidade.

Eis que nas últimas semanas de novembro chega a confirmação de uma nova variante, que preocupa as autoridades de saúde pública, reacende alguns alertas e faz com que uma série de medidas restritivas sejam impostas novamente, em especial relacionadas às viagens internacionais. Eventos e festas de final de ano já foram cancelados em muitas cidades e algumas pessoas começaram a encontrar outras alternativas.

Por enquanto, até quinta-feira (09 de dezembro), ainda estão permitidas reuniões familiares e de amigos com até 25 pessoas em ambientes fechados e 100 em abertos. Apesar de certas restrições ainda estarem em vigor, neste ano, ao contrário do anterior, as autoridades de saúde pública não estão desencorajando viagens e confraternizações, mas destacam sempre que é preciso cautela e bom senso na hora de planejar o período de festas. 

Além disso, no cenário mundial a pandemia impactou as exportações e importações de produtos, causou interrupções nas cadeias de abastecimento, afetou o mercado de trabalho e aliada as recentes inundações na Colúmbia Britânica trouxe consequências diretas para os consumidores canadianos. Basta uma ida ao supermercado para se notar que o setor de alimentos foi um dos mais afetados, com diversos itens, entre eles alguns típicos desta época, como o bacalhau e o peru, com preços mais altos. A LCBO também já avisou os consumidores que é bom comprarem antecipadamente suas bebidas para as festas, sob pena de encontrarem prateleiras vazias se deixarem para a última hora. O aumento do custo de vida em geral atinge em cheio boa parte da população, e pode comprometer a fartura da ceia de Natal e a quantidade, e o valor, dos presentes que Pai Natal vai distribuir este ano em alguns lares.

Essa semana o Milénio Stadium foi tentar perceber junto a comunidade lusófona como irão passar o seu Natal, se estão preocupadas com a nova variante da Covid-19, se isso mudou algo em relação aos planos que tinham, se o aumento de preços e os problemas de abastecimento obrigou os lusófonos a repensar os seus planos para o Natal e Fim de Ano. Confira!

  • Fernando Dias, construção civil, 65 anos

Como será o Natal deste ano para você? Vai participar de alguma grande celebração?

Este Natal será como no ano anterior, um jantar com a família mais próxima. Para mim o Natal é uma oportunidade de juntar a família, mas fora isso a época natalícia não me diz muito.

Com a chegada dessa nova variante ao Canadá, algo mudou nos seus planos? Está mais receoso?

Na verdade, não, porque tendo em conta a minha idade e alguns problemas de saúde já temos vindo a reduzir o número de pessoas com quem temos convivido. Vamos ser apenas 7, o que para nós é um Natal pequeno.

Caso participe de encontros familiares ou entre amigos, faz questão de saber se todos os participantes estão vacinados? Se não estiverem, pretendem redobrar os cuidados (usando máscara e evitando lugares fechados)?

Os meus familiares estão todos duplamente vacinados e eu acho fundamental a questão da vacina. Eu respeito que cada um deve fazer a sua escolha, mas no que diz respeito a conviver comigo eu sinto-me muito mais seguro se a pessoa estiver vacinada. Desde que começou esta pandemia só saiu de casa para trabalhar e claro temos contacto com família porque também não podemos viver isolados do mundo, não nos faz bem. Usámos máscara mesmo dentro de casa durante muito tempo, mas agora já não. Claro que se alguém estiver doente evitam-se visitas. E mesmo no Natal se alguém ficar doente poderemos até cancelar o jantar.

Os preços de diversos produtos, sejam eles alimentares ou outros itens, estão mais caros. Isso fará alguma diferença no menu da sua ceia ou até mesmo na quantidade de presentes que irá comprar?

Está tudo caríssimo. O Canadá quando eu vim e o que é hoje, já não tem nada a ver. No Natal não queremos abdicar das comidas que nos dão conforto e nos trazem memórias do tempo de Portugal, mas também porque somos poucos e é só uma vez por ano porque realmente a vida não está para luxos. Quanto aos presentes não oferecemos, já passámos todos a idade de os receber. Uma boa refeição e um copo de vinho já são presente que chegue.

Esse já é o segundo Natal que vivemos em uma pandemia. Apesar da chegada das vacinas, novas variantes seguem aparecendo e está mais recente, Omicron, tem preocupado as autoridades de saúde, que já impuseram novas restrições às viagens, por exemplo. Qual o seu sentimento em relação a tudo isso, achas que no futuro poderemos ter de novo uma celebração de Natal sem essa ameaça do Covid-19, isolamentos e restrições?

A mim preocupa-me muito. Este ano já não fui a Portugal com medo desta pandemia. Eu e a minha esposa chegámos a falar de ir no Natal, tudo parecia melhor, mas pronto, lá surgiu mais uma variante. É complicado, eu acho que a vida já não vai voltar a ser o que era.


  • Ashlie Bandeira, assistente administrativa, 33 anos

Como será o Natal deste ano para você? Vai participar de alguma grande celebração?

O Natal para mim será sempre especial pois é a festividade que mais gosto, vou passar com a minha família. Nós celebramos sempre de uma forma tradicional.

Com a chegada dessa nova variante ao Canadá, algo mudou nos seus planos? Está mais receoso?

A nova variante não mudou os nossos planos, há sempre um receio pois não quero que os meus familiares fiquem doentes.

Caso participe de encontros familiares ou entre amigos, faz questão de saber se todos os participantes estão vacinados? Se não estiverem, pretendem redobrar os cuidados (usando máscara e evitando lugares fechados)?

Sim, as pessoas com quem vou passar o Natal todas têm as vacinas.

Os preços de diversos produtos, sejam eles alimentares ou outros itens, estão mais caros. Isso fará alguma diferença no menu da sua ceia ou até mesmo na quantidade de presentes que irá comprar?

O custo de vida está realmente muito elevado, acho que não está fácil para ninguém.  Nós só compramos presentes para as crianças, e para a ceia não mudamos os nossos costumes, somos uma família unida e toda a gente ajuda.

Esse já é o segundo Natal que vivemos em uma pandemia. Apesar da chegada das vacinas, novas variantes seguem aparecendo e esta mais recente, Omicron, tem preocupado as autoridades de saúde, que já impuseram novas restrições às viagens, por exemplo. Qual o seu sentimento em relação a tudo isso, achas que no futuro poderemos ter de novo uma celebração de Natal sem essa ameaça do Covid-19, isolamentos e restrições?

Nada será igual no meu ponto de vista, vamos ter que aprender a viver com isto tudo. Mas a vida não pode parar!!!


  • Claudio Marques, assistente administrativo, 26 anos

Como será o Natal deste ano para você? Vai participar de alguma grande celebração?

Será basicamente como alguns anos anteriores. Faremos uma ceia com minha família. Cerca de 5 pessoas.

Com a chegada dessa nova variante ao Canadá, algo mudou nos seus planos? Está mais receoso?

Sim. acho que a maior mudança foi em não ter viajado ao Brasil durante a semana do Natal. Tivemos que prorrogar a viagem, não por conta diretamente da nova variante, mas por conta dos valores caríssimos das passagens depois da reabertura dos aeroportos. E obviamente por causa de se tratar de época festiva, os preços estavam ainda mais caros.

Caso participe de encontros familiares ou entre amigos, faz questão de saber se todos os participantes estão vacinados? Se não estiverem, pretendem redobrar os cuidados (usando máscara e evitando lugares fechados)?

Se estivéssemos com muitas pessoas em um ambiente fechado, ou com pessoas desconhecidas, então eu usaria a máscara e seguiria as determinações da saúde pública local.

Os preços de diversos produtos, sejam eles alimentares ou outros itens, estão mais caros. Isso fará alguma diferença no menu da sua ceia ou até mesmo na quantidade de presentes que irá comprar?

Acho que qualquer aumento de preços no mercado faz com que tenhamos que repensar muitos gastos. Claro que algumas coisas poderão ter a prioridades alterada no caso de presentes e a da ceia. Acho que pesquisar ajuda muito a economizar também. Não esqueçamos que nessa época independentemente de os preços terem aumentado ou não, ainda sim por outros motivos, ainda teremos pessoas no mudo que não terão o que comer antes, durante e após o Natal.

Esse já é o segundo Natal que vivemos em uma pandemia. Apesar da chegada das vacinas, novas variantes seguem aparecendo e está mais recente, Omicron, tem preocupado as autoridades de saúde, que já impuseram novas restrições às viagens, por exemplo. Qual o seu sentimento em relação a tudo isso, achas que no futuro poderemos ter de novo uma celebração de Natal sem essa ameaça do Covid-19, isolamentos e restrições?

Acho que uma das piores consequências dessa pandemia é a de impedir, ou dificultar, as pessoas de estarem próximas compartilhando experiências de vida (principalmente em momentos emblemáticos como o Natal).  Devemos ter em mente que essa situação não é definitiva. 


  • André F. Ventura, bancário, 31 anos

Como será o Natal deste ano para você? Vai participar de alguma grande celebração?

A maioria da família não mora aqui no Canada, então faremos uma celebração entre amigos, será algo pequeno entre no máximo 6 pessoas. Natal e um momento de reunião, então acho importante estar com quem se gosta.

Com a chegada dessa nova variante ao Canadá, algo mudou nos seus planos? Está mais receoso?

Sinceramente, não. Acho que teremos que aprender a conviver com essas variantes da Covid-19. Estou vacinado e me cuido, na medida do possível. Só acho muito chata essa indecisão das autoridades, deixa as pessoas ansiosas e sem saber o que fazer.

Caso participe de encontros familiares ou entre amigos, faz questão de saber se todos os participantes estão vacinados? Se não estiverem, pretendem redobrar os cuidados (usando máscara e evitando lugares fechados)?

Não. Sei que entre aqueles que passarei o Natal todos estão vacinados mas caso algum amigo meu não estivesse eu não faria distinção.

Os preços de diversos produtos, sejam eles alimentares ou outros itens, estão mais caros. Isso fará alguma diferença no menu da sua ceia ou até mesmo na quantidade de presentes que irá comprar?

Na ceia não, porque cada um leva algum prato típico e ajuda na divisão das despesas. Em relação aos presentes de fato sim. Iremos fazer brincadeiras de troca de presentes, tudo muito simbólico, presentes da dollar store.

Esse já é o segundo Natal que vivemos em uma pandemia. Apesar da chegada das vacinas, novas variantes seguem aparecendo e esta mais recente, Omicron, tem preocupado as autoridades de saúde, que já impuseram novas restrições às viagens, por exemplo. Qual o seu sentimento em relação a tudo isso, acha que no futuro poderemos ter de novo uma celebração de Natal sem essa ameaça do Covid-19, isolamentos e restrições?

Como já citei, acredito que esse vírus veio para ficar. Teremos que nos adaptar a essa situação, com vacinas sendo constantemente atualizadas, como as da gripe comum, e seguir vivendo. Caso contrário nossa economia não irá aguentar e nossa saúde mental também não.


  • Verónica Castanhedo, contabilista, 45 anos

Como será o Natal deste ano para você? Vai participar de alguma grande celebração?

Vou celebrar com a minha família. Somos poucos por isso as restrições não afetam os nossos planos.

Com a chegada dessa nova variante ao Canadá, algo mudou nos seus planos? Está mais receoso?

Claro que ficamos preocupados, mas estamos todos vacinados contra a COVID-19. Esperemos que a omicron não bate à nossa porta, mas a verdade é que nunca sabemos.

Caso participe de encontros familiares ou entre amigos, faz questão de saber se todos os participantes estão vacinados? Se não estiverem, pretendem redobrar os cuidados (usando máscara e evitando lugares fechados)?

Sim, perguntámos a todos os familiares se já tinham sido vacinados contra a COVID-19. Muito honestamente não sei se me sentiria confortável mesmo com máscara na presença de alguém que não foi vacinado. Compreendo que a vacina não é obrigatória, mas julgo que essas pessoas que preferem não ser vacinadas têm mais riscos de serem contagiadas.

Os preços de diversos produtos, sejam eles alimentares ou outros itens, estão mais caros. Isso fará alguma diferença no menu da sua ceia ou até mesmo na quantidade de presentes que irá comprar?

A nível de ceia vai ser tudo igual, a não ser que tenhamos alguma surpresa nos supermercados a nível de ruptura de stock. Os presentes são simbólicos, como aliás sempre fizemos, mas reconheço que tudo está mais caro, por isso para famílias grandes ou com crianças deve ser difícil ter orçamento para tudo.

Esse já é o segundo Natal que vivemos em uma pandemia. Apesar da chegada das vacinas, novas variantes seguem aparecendo e esta mais recente, Omicron, tem preocupado as autoridades de saúde, que já impuseram novas restrições às viagens, por exemplo. Qual o seu sentimento em relação a tudo isso, acha que no futuro poderemos ter de novo uma celebração de Natal sem essa ameaça do Covid-19, isolamentos e restrições?

É difícil prever o futuro, mas os virologistas dizem que a COVID-19 não vai desaparecer, por isso vamos ter de viver com ela no Natal e no resto do ano. Esperemos que a ciência consiga criar vacinas melhores e que os países mais ricos também as façam chegar aos mais pobres.

Lizandra Ongaratto/MS

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