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A confirmação veio através das autoridades de saúde pública do Canadá. Sim, o país já enfrenta uma quarta onda de Covid-19. Porém agora, mesmo diante da mais agressiva e transmissível variante Delta, o contexto é diferente. E os especialistas não cansam de dizer que isso ocorre graças à nossa mais poderosa arma coletiva contra o vírus: a vacinação. A maioria da população canadense atendeu ao apelo das autoridades de saúde pública e foi se vacinar. Mesmo assim, uma parcela significativa de pessoas, por diferentes razões, preferiu não o fazer.

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Parlamento em Ottawa. Créditos: DR.

Diante dessa realidade diversas ações vêm sendo debatidas e anunciadas pelos governos para encorajar os que ainda não estão imunizados a fazê-lo e assim preservar a saúde dos mais vulneráveis e não elegíveis e permitir que o comércio e empresas não sejam fechados novamente, tal como aconteceu em fases anteriores da pandemia. Entre essas ações está o passaporte de vacinação. Já adotado por algumas províncias canadenses, e até determinada esfera do governo federal, ainda é questionado por alguns que alegam que essa imposição viola o direito de escolha do indivíduo. Se para esse tema ainda não existe consenso, para outros a comunidade científica já divulgou novas diretrizes que parecem ir na mesma direção.

Assim como outros países no mundo e jurisdições, essa semana a província de Ontário divulgou que a terceira dose da vacina será administrada na população vulnerável, ou seja, idosos e doentes crônicos. O que nos leva a pensar que esse reforço logo mais poderia estar disponível para toda a população. Em meio a isso os canadenses se preparam para uma votação eleitoral que acontece a 20 de setembro. Uma campanha que ganha contornos diferentes, afinal, as precauções em relação a Covid-19 ainda são, e muito, necessárias. Se de um lado houve críticas em relação à chamada para uma eleição num período ainda conturbado da pandemia, noutro a Health Canada veio a público dizer que é possível garantir a realização do pleito eleitoral de maneira segura. Assuntos e questões que dominam a atualidade, e que essa semana o Milénio Stadium se propôs a questionar algumas pessoas da comunidade lusófona sobre o que pensam sobre eles. 

 

  • Marcia Padilha, 32 anos, vendedora

1-Qual sua opinião sobre a criação de um passaporte Covid-19 doméstico que permita que as pessoas vacinadas possam a voltar a frequentar restaurantes, ginásios, atender a concertos musicais, etc.? Acha que o governo deve exigir esse documento ou isso fere a liberdade de escolha do indivíduo?

Sou a favor. Acho que nesse momento o bem-estar coletivo fala mais alto e prevalece em relação ao individual, portanto a chance de se vacinar foi dada a todos, quem optou por não o fazer sofrerá as consequências, para que aqueles que seguiram as orientações dos órgãos de saúde publica possam retornar a normalidade.

2- Em relação a uma terceira dose de vacina contra a Covid-19. Acredita que pode aumentar a proteção contra o vírus e fazer com que as hospitalizações e os casos graves diminuam?

Sim. Em especial nos idosos e pessoas com saúde vulnerável já foi provado que é preciso uma dose extra.

3- Em setembro os canadianos se preparam para ir às urnas para a eleição federal. Considera esse um momento adequado para a realização de uma eleição? Porquê?

Não considero, mas uma vez que não há outra chance, acho que existem maneiras de garantir que o processo seja seguro. Sou contra comícios ou algo do tipo, façam uma campanha virtual. 

4-Ainda sobre as eleições, todos os partidos estão focando o debate na pandemia e nas vacinas. Acha que nestas eleições deveriam antes focar a discussão em outros problemas que o Canadá enfrenta, como o desemprego e a habitação? 

Acho que o assunto pandemia é inevitável, será discutido e será o foco de qualquer maneira. Entretanto, não deve ser o exclusivo. Devemos prestar atenção nas ideias e projetos dos candidatos para outros temas que afetam nossa vida, como habitação e educação infantil, no meu caso.

5-O que é que na prática pode mudar na vida dos canadianos diante do resultado dessas eleições?

Muita coisa. Quem ganhar garante o poder e a facilidade de governar o país e ditar os rumos dessas questões tão importantes na nossa vida, como o combate à pandemia, a obrigatoriedade de criar um passaporte contra a Covid-19, a ajuda aos negócios, entre outros pontos importantes que vão determinar o futuro do país. 


  • Cibele Ramos, 32 anos, analista de marketing

1-Qual sua opinião sobre a criação de um passaporte Covid-19 doméstico que permita que as pessoas vacinadas possam a voltar a frequentar restaurantes, ginásios, atender a concertos musicais, etc.? Acha que o governo deve exigir esse documento ou isso fere a liberdade de escolha do indivíduo?

Acho necessário, o governo deve sim exigir este documento. Somente assim conseguimos combater o contágio em massa, isso não fere a liberdade, isso é uma questão de saúde no mundo.

2- Em relação a uma terceira dose de vacina contra a Covid-19. Acredita que pode aumentar a proteção contra o vírus e fazer com que as hospitalizações e os casos graves diminuam?

A cada dia temos novas informações sobre este vírus, acredito que os cientistas ainda não chegaram num resultado eficaz, mas se eu tiver que tomar a terceira dose da vacina é claro que eu irei. Acredito que esta vacina terá que ser administrada por muitos anos.

3- Em setembro os canadianos se preparam para ir às urnas para a eleição federal. Considera esse um momento adequado para a realização de uma eleição? Porquê?

Não acho adequado neste momento fazer uma eleição, até porque será preciso ir a locais para votar, sempre há filas e aglomeração de pessoas, mas neste ano espera-se um voto online, vamos ver. Penso que muitos não irão votar por este motivo, já que no Canadá o voto não é obrigatório.

4-Ainda sobre as eleições, todos os partidos estão focando o debate na pandemia e nas vacinas. Acha que nestas eleições deveriam antes focar a discussão em outros problemas que o Canadá enfrenta, como o desemprego e a habitação?

Habitação é um problema sério neste país, a taxa de desemprego eu acredito que se baseia em alguns setores, mas existe emprego no Canadá, o governo precisa parar de pagar o CERB. Outro fator importante a ser falado pelos governantes seria do sistema de saúde, precisamos de mais médicos e uma diminuição na espera de certos exames.

5-O que é que na prática pode mudar na vida dos canadianos diante do resultado dessas eleições?

Sou a favor do partido Liberal, acho que nada irá mudar, porém teremos gastos a mais com as eleições.


  • Francisca S. Pinheiro, 45 anos, bancária

1-Qual sua opinião sobre a criação de um passaporte Covid-19 doméstico que permita que as pessoas vacinadas possam a voltar a frequentar restaurantes, ginásios, atender a concertos musicais, etc.? Acha que o governo deve exigir esse documento ou isso fere a liberdade de escolha do indivíduo?

Concordo. Acho que as pessoas que fizeram a sua parte e que receberam as duas doses não devem ser penalizadas. Nós já tomamos tantas vacinas durante a nossa vida, esta é só mais uma.

2- Em relação a uma terceira dose de vacina contra a Covid-19. Acredita que pode aumentar a proteção contra o vírus e fazer com que as hospitalizações e os casos graves diminuam?

Julgo que esta questão ainda é muito recente, mas se as autoridades de saúde entenderem que devemos tomar a terceira dose, não vejo nenhum problema nisso.

3- Em setembro os canadianos se preparam para ir às urnas para a eleição federal. Considera esse um momento adequado para a realização de uma eleição? Porquê?

Estas são as consequências de elegermos um governo minoritário, temos de estar preparados para eleições antecipadas a qualquer momento. Dificilmente o orçamento ia passar em Ottawa por isso as eleições iam ter de acontecer mais cedo ou mais tarde.

4-Ainda sobre as eleições, todos os partidos estão focando o debate na pandemia e nas vacinas. Acha que nestas eleições deveriam antes focar a discussão em outros problemas que o Canadá enfrenta, como o desemprego e a habitação? 

Julgo que há algum aproveitamento político, mas a verdade é que estamos a lidar com um vírus novo que interfere em todos os aspetos da nossa vida. O debate político é bom desde que os canadianos fiquem a conhecer os prós e contras de cada proposta.

5-O que é que na prática pode mudar na vida dos canadianos diante do resultado dessas eleições?

Claramente o vencedor vai determinar a forma como vamos combater a pandemia. Não sei quanto custa criar um passaporte COVID-19 nem sei quanto custa fazer testes rápidos a todas as pessoas que não querem ser vacinadas, mas se não escolhermos a opção correta corremos o risco de voltar a ver os casos aumentar, a economia a definhar e os empregos a desaparecerem.


  • Ricardo Silveira, 39 anos, setor da construção

1-Qual sua opinião sobre a criação de um passaporte Covid-19 doméstico que permita que as pessoas vacinadas possam a voltar a frequentar restaurantes, ginásios, atender a concertos musicais, etc.? Acha que o governo deve exigir esse documento ou isso fere a liberdade de escolha do indivíduo?

Acho que é uma solução que nasce infrutífera e não resolve o principal problema que é conter a disseminação do vírus. Pessoas não vacinadas continuarão a transmitir o vírus independente do fato de que elas tenham o passaporte ou não. Acho que o governo não deve exigir e gastar energia e dinheiro para esse fim principalmente quando fere a liberdade de escolha.   

2- Em relação a uma terceira dose de vacina contra a Covid-19. Acredita que pode aumentar a proteção contra o vírus e fazer com que as hospitalizações e os casos graves diminuam?

Isso é um assunto muito delicado e extremamente científico. Eu nunca vi um vírus em que precisaremos de três doses para obter imunização, porém trata-se de algo que precisa ser analisado por quem tem conhecimento técnico e por quem vivenciou cientificamente o comportamento desse vírus em campo nos últimos dois anos. Então cabe a essas pessoas, os especialistas, tomarem essa decisão, baseados na ciência. 

3- Em setembro os canadianos se preparam para ir às urnas para a eleição federal. Considera esse um momento adequado para a realização de uma eleição? Porquê?

Acho que com relação a esse assunto de eleição, não devemos ter problemas desde que sigamos os protocolos estabelecidos. Tivemos Olimpíadas, e temos grandes eventos já acontecendo normalmente com as devidas precauções. Acho que eleição não é menos importante e deve sim ocorrer normalmente.

4-Ainda sobre as eleições, todos os partidos estão focando o debate na pandemia e nas vacinas. Acha que nestas eleições deveriam antes focar a discussão em outros problemas que o Canadá enfrenta, como o desemprego e a habitação? 

Obviamente. O tema do vírus deveria ser uma pauta dentre várias outras, afinal de contas estamos falando do futuro administrativo de um país. Infelizmente creio que veremos uma supervalorização do tema com um forte viés exclusivamente político.

5-O que é que na prática pode mudar na vida dos canadianos diante do resultado dessas eleições?

Acho que essas eleições poderão determinar o que podemos esperar do país para um período a longo prazo. Dependendo do resultado podemos ter mais desenvolvimento da economia local e criação de empregos, por outro lado também poderemos ter participação mais ativa numa economia globalizada, o que geraria coisas boas e ruins internamente. Com relação ao tratamento da pandemia, independentemente de quem for eleito, deveria tratar o assunto com a mesma abordagem científica e com eficiência para proteger o país. Claro que numa democracia se algo está errado devemos ter a chance de corrigir nos próximos anos. 

Lizandra Ongaratto/MS

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