Uma conversa entre mim e os Anjos de Natal

Eu: Anjos, o Natal está a chegar, mas confesso que este ano sinto-o diferente. Ligo as notícias e vejo tanta preocupação em Portugal… contas a subir, casas difíceis de pagar, pessoas cansadas.
Anjo da Esperança: Sentimos isso também. O peso do dia-a-dia tem abafado o brilho das luzes de Natal. Mas a esperança não desapareceu — está apenas mais silenciosa.
Eu: Fala-se muito de política, de conflitos, de quem tem razão e quem não tem. Às vezes parece que estamos mais divididos.
Anjo da Paz: As divisões fazem mais barulho do que os gestos de união. No entanto, há mais pontes a serem construídas do que muros, mesmo que não apareçam nos títulos dos jornais.
Eu: Vejo jovens a pensar em sair do país, famílias preocupadas com o futuro, idosos esquecidos…
Anjo da Justiça: Isso entristece-nos. Um país mede-se pela forma como cuida dos seus: dos mais novos, dos mais velhos e dos que vivem no limite. O Natal lembra exatamente isso.
Eu: E ainda assim, apesar de tudo, há algo que resiste. Vejo pessoas a ajudar, a partilhar, a tentar ser melhores.
Anjo da Solidariedade: Esse é o verdadeiro espírito do Natal em Portugal: não é a abundância, é a partilha. Não é a perfeição, é a tentativa diária.
Eu: Então ainda faz sentido celebrar?
Anjo da Sabedoria: Mais do que nunca. Celebrar não é esquecer os problemas, é ganhar força para enfrentá-los com humanidade.
Eu: O que desejam para este Natal?
Todos os Anjos: Que haja menos indiferença e mais cuidado. Menos pressa e mais escuta. Que cada pessoa se lembre de que também pode ser luz, mesmo em tempos difíceis.
Eu: Talvez seja isso o Natal… não mudar o país de um dia para o outro, mas mudar um pouco o nosso olhar.
(Os Anjos sorriem em silêncio).
Beatriz Simões/MS







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