“Uma biblioteca é um dos poucos espaços onde todos são bem-vindos” – Irene McCutcheon

Com 18 bibliotecas espalhadas pela cidade, incluindo a renovada Hazel McCallion Central Library, Mississauga oferece aos seus habitantes múltiplos serviços gratuitos e de extrema importância na formação de uma comunidade mais bem informada. Para além de proporcionar o tradicional acesso à leitura, nas bibliotecas de hoje é possível requisitar um instrumento musical, um kit desportivo, um detetor de dióxido de carbono ou um passe para um museu. É também possível imprimir um objeto em 3D, gravar uma música, cozinhar numa cozinha comunitária ou levar para casa um portátil e um ponto de acesso Wi-Fi.
Numa cidade diversa e em crescimento como Mississauga, a biblioteca pública transformou-se num verdadeiro centro comunitário: um lugar onde pessoas de todas as idades e origens se encontram para estudar, aprender, criar e conviver, sem terem de pagar nada. Num contexto em que o custo de vida pesa no orçamento de tantas famílias, a biblioteca oferece gratuitamente serviços que, de outra forma, seriam inacessíveis para muitos, desde plataformas de streaming e cursos online, a jornais digitais e ferramentas de software criativo.
A tecnologia tem sido uma das grandes apostas. Segundo um inquérito recente, mais de metade dos utilizadores dos serviços tecnológicos da biblioteca afirma que esta é a sua única forma de acesso a essas ferramentas, o que mostra o papel essencial que a instituição desempenha na redução das desigualdades digitais.
Mas a biblioteca não se limita a disponibilizar recursos. Oferece também orientação, programas para famílias, parcerias com organizações comunitárias e espaços de convívio que ajudam a combater o isolamento social.
Para perceber melhor como a biblioteca se reinventou e o que tem para oferecer às famílias e à comunidade, falámos com Irene McCutcheon, Senior Communications Advisor da Cidade de Mississauga.
Milénio Stadium: Para além do empréstimo de livros, que serviços oferece atualmente a biblioteca que o público talvez desconheça? Qual destes serviços mais cresceu nos últimos anos?

Irene McCutcheon: Muitos residentes poderão ficar surpreendidos ao descobrir a variedade de objetos que podem requisitar na Mississauga Library of Things (Biblioteca das Coisas), como kits de jogos e de desporto, detetores de dióxido de carbono, instrumentos musicais, passes para parques e passes para museus. Um dos maiores crescimentos dos últimos anos tem sido a tecnologia disponível para os utilizadores, como pontos de acesso Wi-Fi portáteis, impressoras e fotocopiadoras, e makerspaces equipados com impressoras 3D e equipamento de gravação musical. E para quem quer poupar, os residentes podem requisitar filmes e videojogos, bem como aceder gratuitamente a serviços de streaming com o cartão da biblioteca.
MS: Se tivesse de descrever a biblioteca pública a alguém que a associa apenas a “um lugar de livros”, como a descreveria?
IM: Uma biblioteca pública é muito mais do que livros nas prateleiras. É um centro comunitário onde pessoas de todas as idades e origens se podem reunir para conviver, estudar e explorar. É um espaço acolhedor onde os residentes podem participar em programas para todas as idades, estudar, encontrar-se e descobrir novos interesses. É um dos poucos espaços onde todos são bem-vindos, independentemente da idade, origem ou capacidades, sem qualquer custo.
MS: Que mudanças concretas fizeram recentemente para acompanhar a evolução tecnológica (como a Inteligência Artificial)? Existem preocupações ou linhas vermelhas neste processo?
IM: A biblioteca tem feito investimentos significativos em tecnologia para apoiar a forma como os residentes aprendem, criam e acedem à informação. Disponibilizamos acesso Wi-Fi gratuito, empréstimo de computadores portáteis e tablets, sistemas de autoatendimento para requisições e devoluções, e makerspaces equipados com diversas tecnologias, como impressão 3D e máquinas de costura. Estes serviços dão aos residentes acesso à tecnologia de que precisam a um custo reduzido. Aliás, um inquérito recente aos utilizadores revelou que 56% dos inquiridos que utilizam estes serviços na biblioteca afirmam que esta é a sua única forma de acesso a esta tecnologia. À medida que a tecnologia evolui, o foco da biblioteca continua a ser proporcionar acesso à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências, para que os utilizadores possam utilizar estas ferramentas de forma eficaz.
MS: Numa época em que a informação está à distância de um clique, o que fazem para garantir que as pessoas continuam a ter motivos para visitar a biblioteca, presencialmente ou online? Que iniciativa recente considera ter tido mais sucesso na atração de novos públicos?
IM: As bibliotecas oferecem muito mais do que acesso à informação. A biblioteca de Mississauga oferece experiências, orientação e um sentimento de ligação social que ajudam os residentes a desenvolver competências, a ligar-se à comunidade e a explorar os seus interesses. Os utilizadores podem participar em programas e eventos presenciais, bem como aceder a serviços que, de outra forma, seriam dispendiosos, como software criativo, impressoras 3D e equipamento de gravação de som e vídeo. A Hazel McCallion Central Library dispõe de uma cozinha para programas de culinária e alimentação, bem como de uma sala de jogos e outras instalações que podem ser reservadas gratuitamente.
As equipas da biblioteca estão também disponíveis para ajudar os residentes a utilizar os serviços existentes, encontrar materiais e desenvolver as suas competências. Quanto à experiência online, a biblioteca oferece acesso gratuito a serviços de aprendizagem e lazer que, de outra forma, exigiriam uma subscrição paga. Isto inclui o LinkedIn Learning, o New York Times, o PressReader, o Ancestry, livros digitais e plataformas de streaming de música e cinema.
MS: Que benefícios concretos pode hoje uma família com crianças obter na biblioteca que não conseguiria há dez ou vinte anos? Existem programas especificamente pensados para reduzir custos ou o isolamento social das famílias?
IM: A biblioteca moderna é um centro de desenvolvimento comunitário, de proximidade e de programação para pessoas de todas as idades e origens. As famílias podem participar em programas gratuitos, aceder a serviços comunitários e envolver-se em atividades que as ajudam a aprender, crescer e criar laços. Para quem está atento ao orçamento, a biblioteca oferece acesso gratuito a uma grande variedade de atividades e materiais, como serviços de streaming e jogos, atividades para crianças, passes para atrações locais, encontros sociais de acesso livre, círculos de leitura, equipamentos de segurança e programas de aprendizagem de línguas.
Através de parcerias com organizações locais sem fins lucrativos, a biblioteca disponibiliza também serviços de proximidade, desenvolvimento comunitário e programas educativos. Estes programas ajudam a reduzir o isolamento social, dando aos residentes um espaço para conhecer outras pessoas, aprender novas competências e construir comunidade. Uma das mudanças mais significativas dos últimos anos tem sido a expansão da tecnologia disponível na biblioteca, como o empréstimo de portáteis, os makerspaces, os pontos de acesso Wi-Fi e outros serviços que apoiam o desenvolvimento de competências e ajudam a reduzir o custo de acesso.
Madalena Balça/MS







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