Temas de Capa

Um polícia em cada casa?

Um polícia em cada casa-portugal-mileniostadium
DR.

Dez meses depois de serem oficialmente confirmados em Portugal os primeiros casos de covid, os portugueses ainda não conhecem os comportamentos a seguir para prevenir o vírus e precisam de um polícia por perto que lhes diga, a todo o momento, o que podem ou não fazer.

Pelo menos é o que parece, ouvindo as críticas generalizadas ao Governo por não ter sido mais restritivo no Natal, impondo, por exemplo, um número máximo de pessoas por casa.

É fácil deitar culpas a quem decide, até porque efetivamente as tem. Ouvimos a ministra da Presidência justificar que ainda não tenham sido tomadas medidas mais radicais por faltar a avaliação aprofundada da situação epidemiológica, mas só por desleixo foi deixada para tão tarde a análise detalhada feita pelos peritos. Ainda assim, não há que apontar o dedo ao Governo por nos ter dado liberdade para celebrar o Natal e por ter evitado meter-se na intimidade das famílias. Foi-nos confiada a responsabilidade de sabermos gerir o espaço dado para as celebrações. O risco era conhecido. As formas de propagação são conhecidas. Os comportamentos são uma escolha individual.

Com os hospitais em risco de rutura, o confinamento colhe consenso, mas não é preciso esperar que seja decretado para limitar (desde já e em permanência) os nossos contactos. A prevenção funciona quando a assumimos voluntariamente. Cada um tem de fazer a sua parte – pela saúde de todos, pelos que lutam desesperadamente para manter os seus negócios e empregos, pelos que estão a colapsar mentalmente, pelos professores que se sacrificam para garantir um acesso justo dos alunos à escola. O pior que pode acontecer é termos um confinamento devastador económica e socialmente mas sem eficácia na emergência sanitária.

A responsabilidade é, agora como desde 2 de março, nossa. Não adianta serem decretadas proibições, se não cumprirmos escrupulosamente as medidas de contenção. Não precisamos de um polícia a vigiar cada casa. Nem sequer de andar a vigiar os outros. Basta que nos vigiemos a nós mesmos.

Inês Cardoso/MS

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Back to top button

 

Quer receber a edição semanal e as newsletters editoriais no seu e-mail?

 

Mais próximo. Mais dinâmico. Mais atual.
www.mileniostadium.com
O mesmo de sempre, mas melhor!

 

SUBSCREVER