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Um Natal típico dos filmes

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Chega dezembro e muitas cidades ao redor do mundo começam a ganhar um brilho especial. Nas ruas as luzes enfeitam árvores, postes de iluminação e fachadas de edifícios. As casas e os comércios recebem adereços dos mais variados. As árvores de Natal se multiplicam e a familiar figura do Papai Noel está por todos os lados e dá o anúncio definitivo: chegou o Natal. Respira-se o clima festivo por todos os lados. Enquanto alguns, eu incluída nesse grupo, amam essa época do ano e fazem questão de cumprir com todos os protocolos da tradição; outros não simpatizam tanto, classificando a data como extremamente comercial e que nos conduz ao consumismo exagerado e a boas ações “forçadas”, quando, claro, todos deveríamos ser bons uns com os outros não importa o mês do ano.

Tendo em conta que me enquadro no grupo dos que apreciam, e muito, a data, compartilho com vocês uma questão curiosa e que quando eu era criança me intrigava e parecia bem estranha, e só mais crescida, é que fui de fato entender. Para situar o leitor, sou nascida e criada no sul do Brasil. Portanto, para nós do hemisfério sul, dezembro significa que estamos no verão. No auge do verão. Termômetros a marcar mais de 30 graus e na maioria dos dias a sensação térmica ultrapassa os 40. Eis que então, enquanto todos estão de bermudas, camisetas, chinelos e roupas frescas…surge a figura do bom velhinho. Com casacos e calças de veludo vermelho com detalhes brancos. Calçando botas e usando um gorro e para completar a tortura, com uma vasta barba branca, o que deve fazer com que o calor que sinta seja ainda maior. Para aqueles que estão a cumprir seu ofício de encantar as crianças nos centros comerciais, com ar-condicionado, a situação é melhor. Mais complicado para os que estão nas ruas, sob um sol inclemente.

A figura do Papai Noel vestido com trajes típicos do inverno polar numa terra tropical sempre me chamou atenção e me causava até um sentimento de pena. Fora isso outros elementos importados também não batiam com a realidade: por que colocávamos algodão na árvore fingindo ser neve? Se, a bem da verdade, nós nunca tínhamos visto neve já que esse fenômeno é raro no Brasil?

Numa época em que a informação online ainda não era tão difundida, a televisão nos apresentava o que acontecia em outros cantos do mundo. Os clássicos filmes de Natal, todos predominantemente de origem norte-americana, explicavam para nossa inocência infantil que num lugar bem longe dos trópicos, o Natal era de fato branquinho e coberto pelos suaves flocos de neve. Isso nos fazia entender o porquê das pesadas roupas do Papai Noel e de outras tradições que acabavam sendo “emprestadas” por países ao redor do mundo, que duplicavam uma realidade que não era a sua de fato. Com o passar do tempo, óbvio, também descobrimos que a figura do bom velhinho teve origem em São Nicolau, mas se tornou famosa em todos os continentes graças a uma famosa marca de refrigerantes.

Pois a vida dá suas voltas e a menina que sonhava em passar um Natal “como o dos filmes”, num lugar onde a neve de verdade enfeita a paisagem e há razões para a roupa quentinha do Papai Noel, se muda para o Canadá. Esse ano vão se completar quatro Natais em que estou em solo canadense. Longe do calor brasileiro, inclusive do mais agradável de todos, o da família. Aqui constitui a minha própria família, e meu filho, no auge dos seus dois anos e meio, acredito que também será um admirador da data, já que passa o dia a entoar trechos das canções natalinas que aprende na creche e se encanta com as luzes e árvores brilhantes espalhadas pelas ruas de Toronto. Gosta do Papai Noel, mas se encanta mesmo com os bonecos de neve. Pois para fazer jus à tradição, espero que tenhamos um “White Christmas” como chamam aqui, para podermos brincar ao ar livre e, claro, fazer um boneco de neve. Os Natais tropicais sempre farão parte da minha história e memória afetiva, e pretendo também apresentá-lo ao meu filho, mas por enquanto nossa realidade é essa. Espero que todos tenhamos um ótimo Natal, que o calor do afeto daqueles que queremos bem esteja presente, e que lá fora caia uma suave neve para cobrir os telhados e o topo das árvores, lembrando os filmes da infância.

Lizandra Ongaratto/MS

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