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“Toronto está pronta” – Olivia Chow

Créditos: CBC

A poucos meses do pontapé de saída do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, Toronto vive uma fase de expectativa intensa e de derradeira preparação para aquele que será o maior evento desportivo alguma vez acolhido pela cidade. Muito do processo de candidatura, negociação e compromisso financeiro foi iniciado ainda durante o mandato do antigo presidente da câmara, John Tory, mas é agora sob a liderança de Olivia Chow que Toronto assume plenamente a responsabilidade, e a oportunidade, de transformar o Mundial numa montra global da sua identidade, diversidade e capacidade organizativa. Herdar um projeto desta dimensão significa gerir expectativas, responder a críticas, garantir transparência e, sobretudo, demonstrar que a cidade está preparada não apenas para receber jogos, mas para acolher o mundo.

Desde que assumiu funções, Olivia Chow tem procurado equilibrar este desafio com uma agenda política marcada pela habitação, acessibilidade, segurança pública e mobilidade. Ainda assim, a preparação do Mundial ocupa inevitavelmente um espaço central na máquina municipal, envolvendo departamentos tão distintos como cultura, operações urbanas, turismo, segurança e transportes. E, segundo o gabinete da Presidente, Toronto está exatamente onde precisa de estar: na fase final de um planeamento que combina rigor, ambição e a convicção de que a força da cidade reside nas suas comunidades.

É neste contexto de preparação acelerada, expectativas elevadas e um compromisso público de fazer do Mundial uma celebração verdadeiramente inclusiva, que o gabinete da Presidente da Câmara partilhou com o nosso jornal uma declaração oficial sobre o ponto de situação da cidade. Nela, Olivia Chow sublinha não apenas o progresso operacional, mas também o papel fundamental das comunidades, dos voluntários e do espírito multicultural que definem Toronto. 

“Num momento em que outras cidades-sede enfrentam atrasos ou contestação pública, Toronto destaca-se pela mobilização cívica: quase um quarto de milhão de voluntários inscritos – o maior número entre todas as 16 cidades anfitriãs. Para Olivia Chow, este é o sinal mais claro de que Toronto está pronta para receber visitantes com o mesmo espírito que define o seu quotidiano: multicultural, vibrante, solidário e profundamente humano. O Mundial, acredita, será mais do que futebol – será a oportunidade de mostrar ao mundo uma cidade que se reconhece na diversidade e que faz dela a sua maior força. 

“A Mayor Olivia Chow sabe que Toronto está pronta. Do turismo e marketing à programação cultural e operações dos jogos, a cidade está a avançar nas etapas finais do planeamento com confiança e orgulho. A presidente da câmara acredita que o que torna Toronto notável é o seu povo – um mundo numa cidade – e que os visitantes sentirão a energia dos adeptos locais nos nossos diversos bairros, de Little Korea a Little Portugal, de Tehranto a Little Italy.

No centro das comemorações estará o FIFA Fan Festival, juntamente com festas locais para assistir aos jogos e eventos culturais, e mesmo aqueles que não têm ingressos para os jogos terão a chance de participar da emoção. A Mayor acredita que esta é uma oportunidade única para mostrar Toronto como uma cidade apaixonada, criativa, acolhedora, diversificada e ousada.

Toronto lidera todas as 16 cidades-sede em inscrições de voluntários para o Centro de Voluntários da Copa do Mundo da FIFA, com 248.000 pessoas apresentando-se para ajudar. Olivia Chow acredita que a cidade está a mostrar ao mundo o que significa ser segura, acessível e solidária – contratando 720 novos agentes da polícia, melhorando os tempos de resposta do 911, construindo casas acessíveis, protegendo os inquilinos da especulação e melhorando o serviço de transportes, incluindo o congelamento dos preços da TTC por três anos consecutivos e trabalhando para tornar a TTC gratuita após 40 viagens por mês.”

MB/MS


Prémio da Paz da FIFA e a tempestade de críticas que gero

No passado dia 5 de dezembro, durante o sorteio dos grupos para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, a FIFA surpreendeu o mundo ao entregar o seu novo Prémio da Paz ao Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, uma decisão que rapidamente se transformou num foco de controvérsia, críticas e pedidos de investigação interna. 

O prémio, oficialmente intitulado “FIFA Peace Prize – Football Unites the World”, foi apresentado pelo Presidente da FIFA, Gianni Infantino, no icónico Kennedy Center em Washington, D.C. Trump recebeu um troféu, uma medalha e um certificado enquanto a FIFA defendia a escolha como reconhecimento pelo seu “incessante esforço para promover a paz”. 

Na cerimónia, Infantino afirmou que Trump “definitivamente merece” o primeiro prémio por aquilo que alcançou “de forma incrível” e garantiu que o mundo do futebol apoiaria o seu trabalho para promover a paz. Trump, por seu lado, descreveu a distinção como “uma das maiores honras da minha vida”, afirmando ter “salvado milhões de vidas” em conflitos como no Congo, Índia e outros lugares. 

O que poderia ter sido apenas uma iniciativa mediática bem-intencionada transformou-se rapidamente numa tempestade de críticas. Organizações de direitos humanos e grupos de observação desportiva argumentam que a atribuição do prémio a um líder político em exercício representa uma quebra clara da neutralidade política que a FIFA oficialmente defende. 

O grupo londrino FairSquare, especializado em promoção de transparência e responsabilidade no desporto, apresentou uma queixa formal ao Comité de Ética da FIFA. No documento, a organização alega quatro violações claras do código de ética da FIFA, destacando que premiar um líder político em funções contraria diretamente a obrigação de neutralidade que a FIFA deveria manter. 

Segundo FairSquare, o prémio foi concebido e concedido sem qualquer aprovação prévia do Conselho da FIFA, algo que, de acordo com os estatutos, deveria ser obrigatório e que Infantino agiu unilateralmente, dando força a uma narrativa que mistura desporto e política de forma inapropriada. 

Para muitos observadores, esta não é apenas uma questão de timing político, mas um sintoma de problemas mais profundos na governação da FIFA. Comentadores e colunistas de opinião descreveram o episódio como um reflexo de uma organização que perdeu a sua identidade original ao submeter-se à lógica da influência política e da autopromoção. 

Alguns analistas apontam que, ao longo dos últimos anos, a FIFA tem enfrentado críticas persistentes sobre a sua falta de transparência, práticas de governação pouco claras e uma relação ambígua com regimes e líderes controversos. O novo prémio, argumentam, pode ter sido criado mais para “agradar egos” do que para celebrar verdadeiros esforços pela paz global, algo que, num evento desportivo mundial, dilui o foco nos valores centrais do jogo. 

Além disso, as reações nas redes sociais e na cultura popular têm sido igualmente mordazes e, em muitos casos, irónicas. Comediantes de televisão, como Seth Meyers e Jon Stewart, ridicularizaram não só a escolha do premiado, mas também a própria ideia de um prémio de paz atribuído por uma organização de futebol a um político polarizador, reforçando a ideia de que o gesto foi percebido por muitos como populista ou vazio de significado real. 

A FIFA tem, nos seus estatutos, um compromisso formal com a neutralidade política, uma cláusula que, segundo a queixa de FairSquare, foi violada quando Infantino não só entregou o prémio a Trump, como também fez declarações de apoio público ao seu mandato e políticas, incluindo mensagens nas redes sociais a sugerir que Trump “muito provavelmente merece o Prémio Nobel da Paz”. 

Especialistas em governança desportiva enfatizam que, historicamente, instituições desportivas globais têm evitado envolver-se em reconhecimentos diretos de figuras políticas no ativo precisamente para manter a independência do desporto enquanto espaço de expressão cultural global, e não como palco para validação política. 

A queixa apresentada sublinha que a introdução do prémio e a sua atribuição deveriam ter passado por um procedimento formal, com aprovação do Conselho e respeito pelas normas internas da FIFA, algo que, ao que parece, não aconteceu. 

MB/MS

 

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