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Toronto – central

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Depois de 16 meses de restrições Ontário procura regressar à normalidade e cada vez mais setores reabrem. Numa segunda-feira à tarde fomos tentar sentir o pulso da maior cidade do Canadá. Em 2021 Toronto tinha mais de 6 milhões habitantes e por isso não é de estranhar que seja a cidade que mais contribui para o PIB canadiano, cerca de 20%. Toronto é um dos maiores hubs económicos do mundo e a riqueza vem de setores muito variados, mas aqui fica uma breve lista: serviços financeiros, transportes, alojamento, restauração, moda e comércio.

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Crédito: joanalealmdc

O teletrabalho, que se tornou praticamente na norma durante a pandemia, enquanto tentávamos controlar a transmissão do vírus e os cientistas ainda não tinham conseguido desenvolver uma vacina, parece ter vindo para ficar.

 

 

 

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Prova disso é o parque de estacionamento da Câmara Municipal de Toronto e a Union Station  praticamente vazios, tal como as ruas do Financial District com pouco trânsito.  Uma breve conversa com um condutor de Uber prova também que o fluxo de trabalho continua longe de outros tempos porque os grandes eventos e a vida noturna praticamente desapareceram.

 

 

 

 

 

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Os aspetos positivos desta nova dinâmica é que os trabalhadores aumentaram a produtividade, têm mais qualidade de vida e passam mais tempo com a família. O novo paradigma parece por isso beneficiar tanto empregadores como funcionários.

 

 

 

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As compras online aumentaram durante a pandemia e a tendência também parece ter vindo para ficar. Segundo a Statistics Canada as vendas de retalho caíram quase 18% entre fevereiro e maio do ano passado e as vendas online quase que duplicaram (99%). Numa visita ao Eaton Centre (foto 4), o centro comercial mais visitado da América do Norte, é possível perceber que apesar das lojas continuarem a investir nas montras e estarem a seguir os protocolos exigidos pela província, o número de clientes é muito reduzido. Embora os centros comerciais possam reabrir a 50% da sua capacidade na segunda fase do plano de reabertura de Ontário, pareceu-nos que pouca gente estava a fazer compras e a maioria talvez fossem sobretudo jovens. Zoey, de 20 anos, veio com as amigas ao Eaton Centre e comprou dois tops para sair no fim de semana. “Felizmente agora estamos vacinadas e só queremos aproveitar o resto do verão. Os concertos e os festivais ainda não podem abrir, mas pelo menos podemos ir a uma esplanada ou a uma sessão de cinema ao ar livre”, disse à nossa reportagem.

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Encontrámos a maioria das esplanadas vazias, mas os torontonianos parecem agora estar a aproveitar mais o ar livre. Prova disso são as pessoas que encontrámos a correr, caminhar ou apenas a andar de bicicleta no Harbourfront. O turismo continua em baixa na área, não encontrámos as tradicionais filas para os barcos e a maioria das bicicletas para alugar não estava a circular. Por outro lado, os habitantes locais estão a tirar partido do bom tempo. Liam tem 42 anos e trabalha a partir de casa para uma empresa tecnológica. Antes era difícil ir ao ginásio todos os dias, mas agora gosta de correr na área ao final do dia e a nova atividade já faz parte da rotina diária. “Moro aqui perto e com a pandemia ganhei peso, mas quando as restrições abrandaram comecei a correr. Sinto-me muito melhor agora”, contou.

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Deixámos para o fim a parte mais negra da cidade. Com o aumento do desemprego e do custo de vida, muitas pessoas acabaram na rua. Primeiro fomos até ao Trinity Bellwoods Park, mas neste momento já não existem mais sem-abrigo acampados no popular parque da cidade. Mas já não podemos dizer o mesmo de outras áreas da cidade. Encontrámos sem-abrigo  deitados nos bancos públicos em frente à autarquia de Toronto e crianças e adultos a pedir esmola em vários locais centrais da cidade.

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A crise de opióides, o consumo de substâncias ilícitas e os problemas de saúde mental também aumentaram com a pandemia. As overdoses por fentanil, um poderoso opióide, matam cada vez mais canadianos. Próximo do CAMH (Centre for Addiction and Mental Health) (foto 7) encontrámos uma mulher que nos pareceu ser de origem indígena e que claramente teria pelo menos um destes problemas.

A próxima e última fase de reabertura de Ontário está prevista para 20 de julho e autoriza os restaurantes a voltarem a servir dentro de portas. Ginásios, teatros, cinemas e concertos ao ar livre estão também na lista de Ontário para começarem a operar no final do mês.

Joana Leal/MS

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