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Sorrisos à distância de um clique

Sorrisos à distância- mundo-mileniostadium
Credit: DR.

 

Neste período de pandemia, a internet e as redes sociais têm trazido muitos benefícios para uma grande parte da população. Enquanto as possibilidades do teletrabalho, aulas online, novas estratégias de marketing, relacionamentos afetivos e até desfrutar do lazer e da cultura já vinham acontecendo nos últimos anos através dos smartphones e computadores, foi o isolamento social, devido ao surgimento do novo coronavírus, que potencializou o seu uso para conseguir manter certas rotinas durante a pandemia.

Apesar dos aspetos negativos que estas novas tecnologias podem trazer ao nosso dia a dia, as vantagens do seu uso são indiscutíveis. Tenho ouvido alguns comentários depreciativos do uso exagerado das novas tecnologias, muitos deles vindos dos novos “psicólogos” da era moderna, aqueles que, devido às redes sociais, se tornaram peritos em tudo o que aparece no ecrã dos seus dispositivos tecnológicos.

O que me parece indiscutível é que não é possível definir uma “rotina saudável” como regra geral, pois cada faixa etária/geração tem uma relação diferente e faz usos diversos das redes sociais. Para os jovens, por exemplo, a sociabilidade digital é essencial. Assim, a navegação online percorrerá caminhos diferentes entre jogos, busca de informação, interações com familiares/amigos/conhecidos, compra e aquisição de serviços/mercadorias, entretenimento, aprendizagem escolar, hobbies, etc. O que “faz bem” ou é “saudável” pode variar de acordo com a cultura, com os parâmetros de saúde mental e com a idade do usuário. Por exemplo, os manuais da Organização Mundial da Saúde e da Unicef sugerem que os pais acordem com os seus filhos um tempo de uso da internet por dia, evitando que deixem de realizar outras atividades.

Mas afinal quais são as vantagens da utilização da internet e das redes sociais em tempo de pandemia?

A internet, nestes momentos conturbados que vivemos, permite manter as interações com familiares e amigos.

O acesso à internet possibilita também que muitos continuem a ter aulas, a manter atividades de trabalho, a participar em atividades culturais e artísticas e a ter acesso às suas redes de apoio. É também através das redes sociais que se tem acesso a informações sobre a pandemia e as formas de proteção. A internet tem o papel fundamental de manter uma certa rotina e parâmetros de “normalidade” neste momento de suspensão das atividades presenciais ou de confinamentos forçados.

Mas nem tudo são vantagens. Embora as redes sociais se tenham tornado aliadas fiéis para muitos durante o confinamento, também é verdade que, para outros, a grande rede pode ser uma fonte de ansiedade, frustração, podendo até ser um problema sério de dependência.

Em primeiro lugar, o uso intensivo da internet pode gerar uma adição, um uso compulsivo, definindo uma dependência e centralidade do uso da internet em relação a qualquer outra ação do quotidiano.  A participação intensiva nas redes sociais também pode gerar um “excesso” de informação ou, em muitos casos, desinformação sobre a pandemia. O excesso de informação pode gerar ansiedade e a difusão da noção de um “medo global”, com ênfase no número de mortes e previsões das curvas de contágio. Por outro lado, a depender das redes a que se está vinculado, as redes sociais podem fornecer um conjunto de “fake news”, que descredibilizam a ciência, o conhecimento epidemiológico e as orientações sanitárias.

No caso de crianças e adolescentes, o uso intensivo também pode aumentar a possibilidade de sofrer e/ou praticar “bullying” digital.

Apesar de todos estes problemas, devidamente identificados, a sociabilidade digital é essencial à contemporaneidade e veio “para ficar”, ainda que continue a sofrer constante mutação, de acordo com a incorporação de novas tecnologias.

Quando a quarentena terminar continuará a ser importante, contudo, a sociabilidade presencial, que caracteriza a nossa existência, a força dos sentidos, do toque e do abraço continuarão a ser essenciais à vida em comum em sociedade.

Nesta linha, nem sempre fácil de traçar, que separa o mundo digital e o mundo do calor humano, escreve-se a evolução da espécie humana. Nestes tempos de pandemia, apesar de digitais, valem-nos os sorrisos, as vozes amenas e as mensagens amigas que vão chegando diariamente, permitindo-nos continuar a olhar para o futuro e ter alguma cor neste dia a dia pintado em tons de cinzento.

Carlos Monteiro/MS

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