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“Repórteres Robôs” e o futuro criativo

No início deste mês, o New York Times publicou um artigo da jornalista Jaclyn Peiser sobre uma realidade que começa a assustar quem trabalha no mundo da comunicação social – o jornalismo começa a ser produzido por máquinas.

Parece surreal, principalmente para quem é da área, mas a verdade é que desde o início deste ano, nos Estados Unidos, cerca de mil pessoas perderam o emprego nos media. Quem é que os substituiu? Computadores automatizados. Os chamados “repórteres robôs”.

De acordo com o expert em tecnologia Jerry Kaplan, autor de “Humans Need Not Apply: A Guide to Wealth and Work in the Age of Artificial Intelligence”, a automatização é algo que vem para substituir determinadas tarefas que antes requeriam esforço humano e atenção. Desde a máquina que nos corta a relva, até a um programa que analisa dados – por exemplo, há a possibilidade da máquina perceber se um recorde no desporto foi 10% maior do que o anterior, no entanto isso pouco ou nada diz da condição humana propriamente dita. É apenas uma extensão de tipos de automatização que temos visto desde o início da Revolução Industrial.

Na verdade, segundo Kaplan, os empregos que serão substituídos por máquinas têm determinadas características – mais precisamente aqueles que tendem a ser repetitivos, com objetivos bem definidos e percebidos facilmente. Algo que será, no entanto, muito difícil de assumir é a posição do humano no que diz respeito às suas habilidades naturais, à criatividade.

Jerry Kaplan diz ainda que se tivesse que escolher o seu futuro agora, enquanto aluno duma escola secundária qualquer, a sua opção para percurso profissional seria algo que estivesse ligado às artes – a razão para isso é que são exatamente esses os tipos de habilidades que nunca serão antiquados. A capacidade humana de aprender algo totalmente novo e aplicar o conhecimento a outras circunstâncias. Essas são as áreas que o futuro dos computadores, robôs e inteligência artificial “não vão tocar, certamente, pelo menos durante o próximo século”, garante Kaplan.

No entanto, há um sistema novo da OpenAI, intitulado por GPT-2, descrito como sendo bastante “camaleão”, que se baseia num gerador de texto que, por ser tão bom, faz com que os seus criadores tenham medo de o tornar público. Principalmente se usado pelas “mãos erradas”.

Testado em oito milhões de web pages, o novo sistema da OpenAI é conhecido como a ferramenta da nova geração de texto preditivo. Este GTP-2, segundo dizem, escreve autênticas prosas, responde a perguntas, resume textos, etc., de forma absolutamente coerente – de tal modo real que pode enganar o humano e, por isso, ter repercussões perigosas quando se trata da produção em massa das tão faladas “fake news”. Um risco que, pelo menos para já, não estamos preparados para correr.

Catarina Balça

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