Reportagem Especial: Os Reis Magos em 2025 Do deserto ao TikTok: a viagem sem estrela

Belém, hoje. Quem diria que uma viagem milenar poderia ser tão… complicada? Os Reis Magos, conhecidos por terem feito a primeira viagem internacional de Natal, estiveram na redação do jornal Milénio Stadium para contar como seria hoje seguir a famosa estrela. E, acredite, não é nada como nos livros de história.
Belchior, Baltazar e Gaspar chegaram de Uber – ou pelo menos foi isso que disseram, porque camelos elétricos ainda não existem (embora Belchior confesse que “estaria disposto a investir”). Logo de início, alertaram para o perigo: se tentassem atravessar o deserto hoje, seriam assaltados antes da segunda duna. “E nem pensem em usar GPS”, disse Belchior. “Ele recalcula para estradas inexistentes só para rir da tua cara.” Sobre as estrelas, os três assumem que hoje não há luz celestial a guiar ninguém. “A estrela que te guia agora é um telemóvel com 2% de bateria e um mapa que insiste em recalcular para sítios que nem o Google conhece”, explicou Belchior. Baltazar acrescentou, com ar de quem já sofreu na pele: “A última estrela que segui foi no Instagram. Era uma influencer de viagens que prometia ‘luz interior’. Acabei inscrito num retiro vegetariano no Alentejo, rodeado de cabritinhas lindas para comer”.
Embora saibamos que os três não são da mesma cor, eles insistem em dizer que são, porque hoje em dia é melhor ser tudo por igual antes que dê problemas. Conseguimos trabalhar com eles na redação e, claro, os três são da mesma cor, sem tirar nem pôr – a democracia das aparências está garantida.
Se a viagem fosse feita hoje, os Reis Magos não deixariam de ser pragmáticos: patrocínios seriam essenciais. Camelos com branding, drones a seguir a “estrela”, TikTok para registar cada quilómetro e check-ins em apps para encontrar a manjedoura mais “cozy” com vibe rústica. “Chegaríamos ao estábulo e a Maria diria: ‘Desculpem, não podem filmar. Temos contrato de exclusividade com a Netflix’”, brincou Baltazar.
Quanto aos presentes, o trio adaptou-se à modernidade. Ouro? Continua relevante, mas em forma de cartão-presente da App Store. Incenso? Um difusor inteligente com aromaterapia “modo natividade”. Mirra? Hoje dá-se algo útil: fraldas biodegradáveis, máquinas de ruído branco ou vouchers para noites de sono. “Prático, mas sem glamour”, disse Gaspar, rindo. A viagem original também tinha desafios que ninguém comenta. “O trânsito de camelos era terrível”, recordou Belchior. “E as estradas sem iluminação… hoje qualquer estrela fraca pareceria um milagre.” Gaspar, sempre o cínico, acrescentou: “Sofri bullying de um camelo. Chamava-me ‘cota’. A minha barba ainda era pequena.”
E quanto ao Natal moderno? “Sinto falta do silêncio”, confessou Belchior, “hoje é tudo buzinas, festas temáticas e playlists enjoativas.” Baltazar suspirou pelas estrelas verdadeiras, enquanto Gaspar se consolava com o que mais importa: “Pelo menos há pastel de nata. Brilho celestial? Hoje brilho de açúcar queimado e, sinceramente, estou satisfeito.”
Antes de se despedirem, os três fizeram um pedido: que haja Wi-Fi suficiente, pastéis de nata disponíveis e camelos com ar condicionado para a próxima viagem. “E se não formos assaltados, claro”, acrescentou Belchior, sorrindo, porque fazer uma travessia no deserto carregados de ouro, não era certamente nos tempos de hoje.
Presentes 2.0: Milagres com Wi-Fi e Batidas de Rap
No Natal de 2025, os Reis Magos chegaram ao estábulo com os seus presentes modernizados, prontos para impressionar o pequeno Jesus, e explicaram-nos tudo. Primeiro, Gaspar que contou a Rómulo que ofereceu um smartphone topo de gama: “Para postares os teus primeiros stories e ficares famoso antes mesmo de andar”, disse ele. Jesus, ainda em fraldas, olhou desconfiado para o aparelho, tocou na tela e… fez um mini update de firmware. Ninguém sabia que ele já estava à frente do Instagram e cada vez que mandava um bitaite já tinha 5 milhares de likes. Depois, Belchior trouxe uma assinatura de app de meditação: “Para acalmar o espírito”, explicou. Jesus bocejou, deitou-se sobre o travesseiro e, em segundos, estava a dormir profundamente, provando que até ele precisa de mindfulness depois de tanta viagem e camelos barulhentos.
Baltazar apareceu com comprimidos de paciência e vitaminas anti-stress: “Vai precisar, Jesus, para quando cresceres e tiveres de lidar com pessoas a reclamar de tudo”, disse ele. Jesus pegou num comprimido, olhou para os pastores a correr e pensou: “Vou precisar de um stock infinito…”
E, para completar o pacote futurista, os três revelaram ter para oferecer a Jesus um grande pacote de inteligência artificial pessoal: “Ela organiza a agenda, responde a e-mails e até sugere canções de embalar”, disseram. Jesus olhou para a IA, fez um som que poderia ser “Olá, mundo?” e, instantaneamente, a IA começou a tocar uma cantiga de embalar remixada com batidas de rap. Gaspar comentou: “Se estivesse no TikTok, já teria viralizado.”
No final, os presentes modernos foram um sucesso absoluto: o bebé Jesus dormiu, a IA já estava a programar o próximo milagre, e os Reis Magos perceberam que, afinal, até no século XXI, presentes com significado continuam a fazer milagres… só que agora com Wi-Fi, bateria infinita e notificações push.
Se os Reis Magos voltassem hoje, seriam influenciadores, estrelas de TikTok e provavelmente receberiam mais mensagens de seguidores do que o próprio Menino Jesus. Imaginem só: Belchior a fazer unboxing de fraldas biodegradáveis, Baltazar a transmitir ao vivo o ritual de aromaterapia “modo natividade” e Gaspar a ensinar o camelo a dançar TikTok para angariar likes.
E, claro, não poderiam faltar comentários hilariantes nos stories: “Gaspar, o que é que o camelo comeu hoje?”; “Belchior, a tua barba está a tornar-se trending topic!”; e/ou “Baltazar, a estrela falhou ou foi só o GPS?” No fim das contas, o Natal do século XXI é uma mistura de tradição e modernidade, milagres e notificações, pastéis de nata e playlists enjoativas. E os Reis Magos? Eles continuam a fazer o impossível, agora com muita piada, Wi-Fi rápido e, quem sabe, um camelo influencer patrocinado por outros camelos mais ricos. O que importa é que o espírito natalício permanece: seja guiado por uma estrela no céu ou por uma notificação do Google Maps, que os presentes tenham significado e que haja sempre um pastel de nata quentinho à mão. Porque, convenhamos, até o Menino Jesus merece um upgrade tecnológico e um pouco de açúcar celestial.
E assim, com camelos a darem likes, drones a gravarem stories e uma IA a tocar rap de natividade, os Reis Magos provam que, mesmo no século XXI, milagres podem acontecer… contanto que haja bateria suficiente no telemóvel e Wi-Fi de qualidade.
Rómulo M. Ávila/MS







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