Rádio Perdiz FM – Frequência 24.77

- Rádio Perdiz FM – Frequência 24.77
- Programa: A Voz da Lareira
- Locutor: Paulo Perdiz
- Convidados: Rudolfo e Cometa
- Patrocínio: Feno “Prado de Ouro”
(Som de rádio antiga a ser sintonizada. Ruído estático de ondas curtas que dá lugar ao zumbido das válvulas a aquecer. Piano suave e lenha a crepitar no fundo.)
Paulo Perdiz: (Voz pausada e grave) Muito boa noite, estimado ouvinte da sua Perdiz FM, a emitir na frequência nostálgica de 24.77. Daqui fala o vosso companheiro de sempre, Paulo Perdiz, nesta emissão que atravessa a neblina de dezembro de 2025. Hoje, o meu estúdio cheira a erva fresca das montanhas e ao frio cortante do Ártico. Tenho o privilégio de receber o senhor Rudolfo e o senhor Cometa, que fizeram uma pausa na logística natalícia para nos dar esta honra. Sejam bem-vindos.
Rudolfo: (Voz cansada e profunda) Boa noite, Paulo. É um consolo ouvir esta música. O mundo lá fora está uma corrida louca. Estacionar o trenó em Lisboa, com as obras intermináveis do Metro e as novas ciclovias, foi um milagre. Quase levávamos uma multa da EMEL enquanto alinhávamos as renas no telhado! Não perdoam nem a tração animal.
Cometa: É verdade. O meu GPS estelar anda baralhado. Entre trotinetas elétricas nos telhados e TVDEs por todo o lado, voar baixo em Portugal tornou-se um desporto de risco em pleno 2025!
Paulo Perdiz: Compreendo, Cometa. Mas antes de avançarmos, temos de saudar quem permite que esta emissão chegue ao céu. Senhores ouvintes, esta hora tem o apoio especial do Feno Prado de Ouro.
(Jingle Publicitário: Som de harpa e coro angelical) Coro: “Prado de Ouroooo… ourooooo!” Locutor de Publicidade: “Se o seu animal é uma lenda, merece o melhor combustível. Feno Prado de Ouro: colhido à mão na Serra da Estrela e enriquecido com pétalas de trevo. Quer voar até às estrelas ou manter o estábulo feliz? Prado de Ouro. O feno que até o Rudolfo leva na marmita.”
Rudolfo: (Rindo) Olhe, Paulo, o Prado de Ouro é o único que me tira a azia das bolachas industriais que as pessoas deixam à lareira. O Pai Natal devia comprar isto às toneladas!
Paulo Perdiz: Fica a dica! Mas digam-me, vocês que observam tudo lá de cima… 2025 foi avassalador. Como viram o regresso de Donald Trump e a imagem do Cristiano Ronaldo na Casa Branca?
Rudolfo: (Suspira) O Cristiano treina mais do que nós. O Trump queria-o como “Secretário do Golo”, mas o Ronaldo só aceitava se a Casa Branca passasse a “Casa CR7”. Mas falando a sério, o que vemos em Gaza e na Ucrânia é de partir o coração. A administração Trump 2.0 trouxe novas conversas, mas o sofrimento continua lá. O Pai Natal reza para que a paz deixe de ser um desejo de postal.
Cometa: E foi um ano de despedidas. A partida do Papa Francisco deixou o mundo mais órfão de bondade. Agora, com o Papa Leão XIV, estamos a adaptar-nos. Ele é focado na tecnologia; já nos pediu Wi-Fi 7 no trenó para acompanhar as rotas no tablet. O Vaticano parece Silicon Valley.só falta também marcar presença na Web Summit Lisboa.
Paulo Perdiz: É o progresso. E por cá, no futebol, o José Mourinho no Benfica deu um nó no estômago a muitos… eu falo assim porque sou verde.
Rudolfo: O Mourinho ligou para o Polo Norte a perguntar se o trenó podia ter uma “defesa em bloco baixo” para evitar as correntes de ar! Mas o céu também teve momentos de silêncio. A perda do Diogo Jota tocou-nos a todos. E o velho Ozzy Osbourne… dizem que agora dá lições de rock aos anjos.
Paulo Perdiz: Contaram-me que o Ozzy e o Diogo Jota juntaram-se ao coro celestial para cantar o Hino de Portugal. Imaginem “A Portuguesa” com guitarra elétrica entre as nuvens. Pelo menos não vão a tribunal por cantarem o hino.
Cometa: Foi bonito, Paulo. Mas cá em baixo, a realidade é dura. Vimos bebés a nascer em ambulâncias por falta de hospitais abertos. Para nós, que vivemos de logística urgente, isto é incompreensível. O planeamento humano está a falhar onde mais importa.
Paulo Perdiz: Sem dúvida. Tal como a tragédia no Elevador da Glória, que nos lembrou que a segurança é prioritária. E a moda do “Chocolate do Dubai”, Rudolfo? Dizem que as renas andam viciadas.
Rudolfo: O Pai Natal proibiu! Era pistacho por todo o lado. E com a Inteligência Artificial, todos nos perguntam se seremos substituídos. Olhe, no apagão global deste ano, os computadores pararam. Sabe quem continuou a voar? Nós. O meu nariz não precisa de algoritmos, só de instinto.
Paulo Perdiz: A ética é o melhor GPS. Estamos a terminar a nossa hora. Rudolfo, Cometa, como está a nossa gente em Toronto?
Rudolfo: Toronto está caríssima! Comprar casa lá é impossível. Mas os portugueses não mudam: continuam a deixar o melhor vinho do Porto e filhoses para o “velhote”. Gente de grande coração.
Cometa: E cuidado com o Louvre, Paulo! Depois daquele roubo espetacular, a segurança está apertadíssima. Quase nos confundiam com ladrões de arte ao passarmos por Paris!
Paulo Perdiz: (Risos) Meus amigos, obrigado por esta conversa. Foi um privilégio ter o frio do Ártico aquecido pela vossa sabedoria. Boa viagem e bom Natal. Que o teu nariz, Rudolfo, continue a ser o nosso farol nestes tempos incertos.
Rudolfo: Obrigado, Paulo. E lembrem-se, se virem uma luz vermelha no céu, não é um drone, sou eu a pedir passagem!
Paulo Perdiz: Despeço-me com a música que as renas pediram… Um clássico que nunca perde a força. Até amanhã.
(Som da agulha no vinil. A voz de Mariah Carey preenche o estúdio com “All I Want For Christmas Is You”. Ouve-se Rudolfo a tentar acompanhar os agudos de forma desafinada enquanto o som dos guizos se afasta e o crepitar da lareira aumenta até ao silêncio final.)
Paulo Perdiz/MS







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