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Quais são as questões críticas que podem afetar a nossa vida no Canadá, no próximo ano?

O meu desejo seria criar empregos com bons salários investindo nas habilidades de todos os canadianos, melhorar cuidados infantis de qualidade e acessíveis, manter o nosso sistema de ensino público de alta qualidade e garantir que o ensino pós-secundário seja aberto a todos. Gostava  expandir a aprendizagem e outros programas eficazes de transição escola-trabalho; fornecer treinamento de habilidades para os desempregados e para aqueles com baixos salários e baixa qualificação e alcançar a meta de oportunidades acessíveis de aprendizagem ao longo da vida para todos. Na realidade de hoje estes meus desejos podem ser vistos como irreais, mas são um sonho.

Na realidade, a política económica e fiscal, unidade nacional, desenvolvimento de recursos naturais e o papel do Canadá no mundo, acredito, dominarão o ciclo das notícias no próximo ano. Como o leitor se deve lembrar, os liberais de Ottawa estão comprometidos com déficits mais altos, como foi divulgado durante a campanha. Devido aos partidos políticos mais aptos a apoiar o Governo minoritário serem aqueles que mais querem investir em programas sociais espero ver aumentos nas despesas do Estado e, assim, aumentar a dívida. Uma preocupação que não recebe muita atenção – é o sério problema de competitividade do Canadá e a alarmante fuga de capitais.

Com o discurso do trono fresco na nossa memória, que ação governamental devemos esperar em breve?

Desde 1963, o Canadá teve oito Governos minoritários federais, incluindo o atual, e eles produziram algumas das realizações políticas mais progressistas e icónicas de nosso país, como o Medicare nacional, o Canada Pension Plan, o bilinguismo oficial e as reformas, para citar alguns.

No seu discurso, lido pela Governadora Geral, o Governo Trudeau deixou claro que não alterará a sua Lei de Avaliação de Impacto “sem oleodutos”, não dará acesso aos petroleiros da costa norte da Columbia Britânica ou incentivará a construção do plano conhecido como Energy East. Para o povo de Alberta, falar numa transição para uma economia livre de carbono significa que Ottawa acelerará o fim da sua indústria de energia, mesmo que se beneficie dos lucros dos combustíveis fósseis. No entanto, apesar de toda a retórica, o Governo ficará aquém dos compromissos do Canadá em Paris e praticamente não terá impacto na temperatura global.

Estes são tempos complicados para a unidade nacional. A menos que nossos líderes políticos tomem medidas, a união canadiana poderá desfazer-se de maneiras imprevisíveis e irreversíveis. Já passamos do ponto em que palavras agradáveis serão suficientes. Mesmo a construção do oleoduto Trans Mountain não compensará anos de tratamento injusto e desrespeito das comunidades nativas. Pior, grande parte da comunicação social responde ao pedido do premier Jason Kenney por um acordo justo com avisos e condescendência.

O líder do Bloco Québécois, Yves-François Blanchet, continuará a inflamar a ira ocidental, possivelmente esperando que a conflagração que se segue prepare o caminho para a separação de Quebec. Como os quebequenses não vão convocar outro referendo a curto prazo, os soberanos não estão tão pacientemente aguardando o seu tempo. Felizmente, eles não verão isso como uma oportunidade de semear desunião e falar de separação nas províncias ocidentais.

Não é exagero dizer que o primeiro-ministro enfrenta um outro problema existencial. Ganhar a liberdade para Michael Kovrig e Michael Spavor, vítimas e reféns da diplomacia chinesa, deve ser uma prioridade, tanto como uma questão humanitária quanto para dizer ao mundo que nos preocupamos com os nossos cidadãos. Não devemos capitular ao bullying, como defendem alguns canadianos de destaque com interesses comerciais na China.

Formar alianças estratégicas com aliados com ideias semelhantes sempre foi uma abordagem apropriada. A nossa posição no cenário mundial após a perceção da gafe diplomática de Justin Trudeau, ridicularizando o presidente dos EUA numa reunião da NATO em Londres e quebrando a tradição bipartidária votando numa proposta vista como anti-Israel na ONU na esperança de ganhar um assento no Conselho de Segurança, pode ter resultados indesejados.

Estas e outras questões críticas merecem atenção imediata. Caso contrário, o Governo de minoria não deve sobreviver por muito tempo.

Peter Ferreira/MS

 

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