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Pressões do meio

Entrevista

A guerra de audiências e os prazos curtos são uma mistura explosiva em jornalismo. Qualquer redação sabe que existem histórias que não vendem ou que não agradam a um ou a vários dos patrocinadores. Os jornalistas que estudam a profissão no meio académico têm a noção de que esta profissão, tal como outra qualquer, tem direitos e deveres.

No terreno e no dia a dia com a pressão dos resultados é preciso tomar decisões rápidas e cada uma delas tem consequências – resta saber se escolhemos sempre o lado certo da história e o lado da verdade. 

Suzy Soares tem 32 anos de experiência no ramo e embora hoje esteja afastada do jornalismo, passou por várias funções na Omni do grupo Rogers. Antes de sair do mercado trabalhava como produtora executiva da Omni 1 e Omni 2. Em entrevista ao Milénio Stadium, a jornalista e produtora defende que no exercício desta profissão a verdade deve estar acima de tudo, independentemente de pressões e sublinha que a responsabilidade de informar as massas mantém-se hoje tal como no passado. 

Milénio Stadium: Durante a sua carreira na indústria dos media, alguma vez sentiu algum tipo de pressão?

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Suzy Soares, jornalista com 32 anos de experiência no ramo. Crédito: DR.

Suzy Soares: Sim! Todas as profissões sofrem de uma certa pressão. Todos os dias tinha uma história para contar e a responsabilidade de levar a cabo uma notícia baseada em factos e não opiniões. A responsabilidade de um jornalista é investigar, falar com mais que uma pessoa, procurar provas e ter a certeza que escuta os dois lados da história. Temos que ser conscientes e ter a responsabilidade. Neste país podem levar-nos a tribunal e pedir indemnizações, se não tivermos provas corremos riscos e consequências graves.

MS: Antes da pandemia os media já tinham a responsabilidade de informar as massas e de separar a boa da má informação. Diria que depois da pandemia isso se tornou mais evidente? Que tipo de jornalismo devemos ter depois da pandemia? 

SS: Não acho que a pandemia teve essa marca, já vem de trás com a criação dos chamados “fake news” que as redes sociais promovem, pois quase todos os utilizadores destas plataformas tornaram-se investigadores e/ou jornalistas.

MS: Acha que os media canadianos são suficientemente regulados?

SS: Acho que sim, apesar de neste momento não estar em posição de o poder afirmar devido ao fato de estar afastada. A CRTC (Canadian Radio-Television and Telecommunications Commission) é uma agência pública que regula todas as estações de rádio e televisão.

MS: Ainda existe jornalismo independente no Canadá e/ou no mundo?

SS: Acredito que sim.

MS: A ética e a deontologia da profissão devem estar sempre presentes quando cobrimos uma história, independentemente de pressões editoriais?

SS: 100%, a verdade acima de tudo. A deontologia parte da ética que trata dos princípios que afetam uma profissão. A ética defende os princípios que guiam o comportamento mesmo que contradiga a tradição. Nunca devemos ter opinião. Apenas relatamos os fatos.

MS: A barreira entre interesse público e interesse privado é ténue. Mas o que é que deveria acontecer quando protegemos uma má fonte de forma inconsciente e destruímos a vida de alguém quando difundimos uma versão errada da história?

SS: Por isso mesmo um jornalista deve apenas relatar os fatos.

Joana Leal/MS

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