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Preços dos alimentos nos supermercados continuam a bater recordes

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Créditos: DR.

A inflação e os problemas na cadeia de abastecimento têm feito disparar o preço da maioria dos produtos que encontramos à venda nos supermercados no Canadá. Esta realidade tem vindo a afetar a gestão financeira de muitas famílias que se veem confrontadas com a necessidade de cumprir com o pagamento atempado das despesas com a habitação e, ao mesmo tempo, suportar a cada vez maior fatia despendida com a alimentação. Mas desengane-se se acha que o fenómeno está a acontecer apenas aqui porque trata-se de um problema mundial.

Sumo de laranja é o mais recente produto a aumentar de preço nas prateleiras canadianas, mas o detergente de máquina para a roupa também vai custar mais caro nos próximos meses, pelo menos para os retalhistas, mas o mais certo é que se reflita também na fatura do consumidor. Pouca oferta e muita procura é a explicação para o seu sumo de laranja custar mais e no caso do detergente das marcas Tide, Gain, amaciador Downy e toalhitas Bouce para a máquina de secar roupa a explicação é outra. O produtor explica que o aumento de custos com transporte, mão-de-obra e matéria-prima para fabricar os produtos tornam impossível não aumentar os preços aos retalhistas. 

Recentemente o Milénio Stadium entrevistou o economista chefe do Canadian Conference Board, Pedro Antunes, a propósito do que esperar da economia canadiana para 2022 e Antunes disse-nos que o aumento de preços deve continuar. A tempestade parece ser um conjunto de fatores desde inflação, aumento dos custos com matérias-primas, aumento do preço dos combustíveis, dos custos com transporte, surtos de Covid-19 nas empresas que fazem com que não consiga assegurar a mesma quantidade de produção, atrasos no envio de contentores, alterações climatéricas, veja-se o caso do fungo que está a afetar as laranjas da Flórida, o maior produtor de sumo de laranja dos EUA que abastece o mercado canadiano que já confirmou que vai ter a menor produção desde 2005, etc.

Na esfera do transporte a semana foi marcada pelas manifestações de camionistas na Colúmbia Britânica que não concordam com a nova política de vacinação obrigatória para o setor que o governo federal implementou este mês. A Canadian Trucking Alliance, a maior federação de camionistas do país, condenou as manifestações e apelou ao setor para se vacinar contra a COVID-19 o mais rápido possível até porque Otava não vai voltar atrás na decisão e por isso os camionistas têm de se adaptar.  

Desde 15 de janeiro que os camionistas transfronteiriços precisam de provar que estão totalmente vacinados se quiserem evitar uma quarentena de duas semanas e um teste PCR antes de atravessarem para o Canadá. Segundo a Canadian Trucking Alliance e a American Trucking Associations, cerca de 26.000 dos 160.000 camionistas que fazem viagens regulares através da fronteira entre o Canadá e os EUA não estão vacinados.

O líder federal do PC, Erin O’Toole, voltou a apelar segunda-feira (24) ao governo de Trudeau para recuar e permitir que estes camionistas que não querem ser vacinados possam trabalhar desde que façam testes rápidos. O primeiro-ministro Justin Trudeau acusou por sua vez O’Toole de estar a alimentar o medo de que a nova política dos camionistas esteja a contribuir para falhas na cadeia de abastecimento e a alimentar a inflação e garantiu que quase 90% dos camionistas estão vacinados. Trudeau sublinhou que ao contrário do que o PC defende, a vacinação é a solução para ultrapassar a pandemia. 

Os problemas da cadeia de abastecimento de Ontário parecem estar a piorar ainda mais à medida que os consumidores relatam cada vez mais falta de produtos nos supermercados. No fim-de-semana pessoas de GTA publicaram nas redes sociais fotografias de prateleiras vazias. O problema afetou tanto produtos frescos como alfaces, ovos e carne, como produtos congelados ou enlatados. 

A explicação, segundo um professor de distribuição e política alimentar na Universidade de Dalhousie, está nos surtos de COVID-19 entre os trabalhadores do mercado alimentar, mas para o Conselho de Retalho do Canadá o nevão desta semana também pode ter contribuído para falhas recentes de abastecimento de supermercados. 

Cerca de 15 a 20% dos fornecedores de alimentos estão a reportar absentismo de trabalhadores, mas a Food, Health, & Consumer Products of Canada acredita que não existem razões para stressar porque se num dia não conseguir encontrar um determinado alimento no seu supermercado habitual o mais provável é que o encontre logo nos dias a seguir. A exceção parece ser os cereais da marca Kellogg’s que estão esgotados na maioria das prateleiras. A explicação é a greve que os trabalhadores das fábricas fizeram nos EUA e que terminou pouco antes do Natal.  

Mas quando se fala de aumentos o consumidor costuma reagir e torna-se mais cuidadoso no ato da compra. Numa sondagem realizada no final do ano passado quando foi anunciado que os canadianos podiam esperar um aumento recorde na sua conta de supermercado em 2022 os consumidores disseram que iam consultar mais os flyers dos diferentes supermercados; usar cupões de desconto, usar aplicações para perceber onde encontram os produtos aos melhores preços, aumentar o consumo de produtos cuja validade estava na reta final e cortar até na quantidade de alimentos que consomem. 

As aplicações que permitem comprar alimentos em fim de validade ou até refeições preparadas também estão em alta. Too Good to Go, FlashFood, Feedback e Olio dizem que já venderam refeições prontas a consumir, vegetais, frutas, pão, pizza e produtos de pastelaria entre $3 a $10. Na FlashFood encontra produtos como carne, peixe e lacticínios a menos de 50% do preço inicial. Alguns produtos duram semanas ou dias, mas a app já impediu que mais de 13 milhões de quilos de alimentos fossem parar ao lixo e poupou aos seus utilizadores cerca de $90 milhões desde que foi criada. 

Joana Leal/MS

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