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Os sonhos dos recém-chegados

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Créditos: DR

Emigrar não é uma decisão que se tome de ânimo leve. Deixa-se para trás muita coisa, principalmente uma identidade que, noutro país, se reconstrói – pelas experiências, pelas diferentes barreiras, pelas conquistas, pelas desilusões e, acima de tudo, pela resiliência necessária para se viver numa terra que não a nossa. Há uma bagagem que se traz carregada de esperança e que pesa muito quando a saudade aperta. Esperança numa vida melhor, em oportunidades maiores, numa estabilidade financeira que se adeque melhor àquilo que ambicionamos. Esperança numa adaptação com sucesso a uma cultura distinta, mas que, principalmente à geração que tem emigrado nos últimos anos, tem atraído muito e sido um ponto crucial na tomada de decisão.

Para muitos, emigrar não significa apenas ter mais dinheiro. Há quem venha ainda “só” por isso, mas ao contrário do que, maioritariamente, acontecia há muitos anos atrás, hoje a geração de novos emigrantes procura também um leque de oferta maior no que ao estilo de vida diz respeito. O multiculturalismo agrada cada vez mais, o acesso facilitado a produtos e a eventual possibilidade de se ter uma carteira mais recheada para viajar à vontade.

A ideia de vir para o Canadá juntar dinheiro para voltar um dia ao país de origem não é agora, na maioria dos casos, tão proeminente como era antigamente. Os objetivos são um pouco diferentes, apesar de se manter vincada a vontade de se atingir um ponto de estabilidade económica.  Independentemente das diferenças geracionais, há a certeza de que se vem viver para o Canadá à procura de um sonho: ser feliz, seja lá o que isso represente para cada um de nós.

 

Valter Amaral Correia, 31 anos, São Miguel, Açores, Portugal, No Canadá há 3 anos

Milénio Stadium: O que te fez vir viver para o Canadá?

Valter Correia: Vim à procura de uma vida melhor. Eu em Portugal tinha até dois trabalhos e fazia uns biscates, mas nunca chegava para as contas, nem chegava para o fim do mês, não dava para ter uma vida confortável, então por isso vim para aqui à procura duma oportunidade e até agora, graças a Deus, tem corrido bem.

MS: Podemos afirmar que vieste atrás de um sonho?

VC: Sim, podemos dizer que sim.

MS: Que sonho é esse?

VC: Ser milionário (risos).

MS: É mesmo?

VC: Então não é? Então eu ia sair do conforto da minha terra para ganhar uns trocos? Eu quero ser é milionário.

MS: Porquê o Canadá e não outro qualquer país?

VC: Porque este país é dos que oferece mais oportunidades. Em todos os aspetos. É o país onde mais existe diversidade de culturas e raças. Esse multiculturalismo atrai-me.

MS: Sentes-te “em casa” aqui no Canadá?

VC: No início não tanto… Especialmente quando chega o inverno, não me sinto nada em casa, odeio o frio (risos). Aqui no Canadá isto é assim: ora é inverno, ora é inferno (risos). Tanto está um calor dos diabos no verão, como depois no inverno está um frio terrível. Mas de resto é um país que eu gosto e sinto-me realmente bem aqui.

MS: O que te atrai mais aqui: uma eventual estabilidade financeira ou o estilo de vida?

VC: Uma pessoa que venha para aqui à espera de trabalhar pouco, tem que tirar essa ideia da cabeça, mas aqui há uma coisa: temos muito mais poder de compra. Conseguimos viajar com mais facilidade, conseguimos ter uma vida melhor, mas temos que trabalhar mais. Vim para cá a pensar nessa estabilidade financeira, mas também me agrada o estilo de vida daqui.

MS: Tens como objetivo um dia voltar para Portugal?

VC: Portugal só lá voltamos para visitar. Vamos lá ver as pessoas e é só. Agora temos uma filha, que nasceu cá entretanto, e nós aqui vamos conseguir dar um futuro muito melhor à nossa filha do que em Portugal. Nem tem comparação. E também foi um bocado por aí que quisemos vir, a pensar no futuro. Pode acontecer que daqui a uns anos queiramos ir embora, por algum motivo, mas para já não é opção e a nossa ideia inicial não foi voltar para lá. Queremos fazer a nossa vida aqui.


Bernardo Cordeiro, 30 anos, Covilhã, Portugal, no Canadá há 5 anos

Milénio Stadium: O que te fez vir viver para o Canadá?

Bernardo Cordeiro: Já cá tinha vindo várias vezes e eu gostava do país. Não estava propriamente mal em Portugal, mas sentia-me limitado, não sei bem explicar. Além disso, eu pensava muito no futuro, só tenho uma ficha neste carrossel da vida. Não queria passar os meus anos com uma corda ao pescoço e queria muito atingir uma estabilidade financeira que me permitisse um dia não contar os trocos ao final do mês quando tiver filhos.

MS: Podemos afirmar que vieste atrás de um sonho?

BC: Sim. Quando ponho uma coisa na cabeça, nada me demove. Vim atrás duma vida diferente, com a expectativa alta.

MS: Porquê o Canadá e não outro qualquer país?

BC: Honestamente como já cá tinha vindo cá muitas vezes, fiz aqui amigos, tinha alguns familiares a viver aqui também… E é dos países com que mais me identifico.

MS: Sentes-te “em casa” aqui no Canadá?

BC: Agora sim. No início não é propriamente fácil, principalmente quando se vem sozinho. Mas agora sinto-me mais em casa, sim. Se bem que ainda há muita coisa que me faz muita falta… Não só pessoas como serviços.

MS: O que te atrai mais aqui: uma eventual estabilidade financeira ou o estilo de vida?

BC: Sem dúvida nenhuma que o estilo de vida. Óbvio que todos queremos ter dinheiro, estar bem na vida, não ter que fazer mil e uma contas para ver se podemos ou não comprar o que precisamos ou queremos. Mas na minha vinda para cá pesou muito mais o estilo de vida, o multiculturalismo, a forma de estar, o lado mais norte americano da vida, digamos.

MS: Tens como objetivo um dia voltar para Portugal?

BC: Não. Não tenho, nem nunca tive, essa ideia. Não digo que algo não me faça mudar, pode acontecer por algum motivo, mas o meu objetivo nunca passou por aí. As minhas metas estão traçadas cá. No entanto, enquanto filho único, há coisas que me perturbam/preocupam. Para já está tudo controlado, mas daqui a uns 20 anos tenho que pensar o que fazer e como, porque deixar os meus pais sozinhos está completamente fora de questão. Mas até lá, se Deus quiser e eu deixar, vou ter a tal estabilidade financeira que me vai permitir solucionar essa questão.


Vivian Gandarão, 31 anos, Rio de Janeiro, Brasil, no Canadá há 6 anos

Milénio Stadium: O que te fez vir viver para o Canadá?

Vivian Gandarão: Sempre quis morar fora do Brasil, desde novinha tinha essa vontade em mim, de ter novas experiências, não gosto de ficar muito presa a um lugar, só não tinha ainda em mente o local exato. O Canadá veio em 2015, partiu primeiro do meu marido, e eu me encantei junto.

MS: Podemos afirmar que vieste atrás de um sonho?

VG: Sim! Desde 2015 sonho com isso todos os dias!

MS: Porquê o Canadá e não outro qualquer país?

VG: Pesquisei muito sobre o Canadá, o que mais me encanta é o multiculturalismo, tem pessoas de tudo quanto é canto do mundo, realmente amo isso!

E somos extremamente livres aqui, de escolhas, opiniões, até no modo de se vestir, ninguém está nem aí se você tem cabelo lilás, azul… essa liberdade me motiva.

MS: Sentes-te “em casa” aqui no Canadá?

VG: Extremamente!  Aqui é muito acolhedor, as pessoas sempre muito educadas, e por eu já ter amigos e família aqui, minha adaptação foi bem tranquila.

MS: O que te atrai mais aqui: uma eventual estabilidade financeira ou o estilo de vida?

VG: Com certeza é o estilo de vida! 

MS: Tens como objetivo um dia voltar para o Brasil?

VG: Não penso nisso ainda, por enquanto estou trabalhando e conquistando meus sonhos.

 

Catarina Balça/MS

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