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“O ódio contra qualquer pessoa que pratique a sua fé ou cultura não é bem-vindo em Toronto” – Olivia Chow

 

Olivia Chow não esteve presente na vigília do dia 7 de outubro, que assinalou o primeiro aniversário do ataque do Hamas a Israel. Um grupo de defesa dos judeus afirma que a Presidente da Câmara de Toronto, tem de pedir desculpa e assumir a responsabilidade por não ter participado na vigília.

Quando no dia seguinte foi questionada, por uma estação de rádio, sobre a sua ausência, a Mayor de Toronto alegou que o seu gabinete não teria recebido o convite para a vigília, embora reconhecesse que deveria ter estado presente. Na noite de 7 de outubro estiveram presentes mais de 20.000 pessoas, incluindo vários políticos, como por exemplo, Doug Ford, Steven Del Duca, e vários vereadores da Câmara de Toronto. Na ocasião Olivia Chow afirmou – “Lamento muito não ter podido estar presente. Estou de luto com a comunidade judaica pela trágica perda de vidas e pelas coisas horríveis que o Hamas fez”. Chow contou ainda que, nessa noite, foi “apanhada” numa longa discussão sobre as pistas para bicicletas na zona de Kingsway. “A reunião foi bastante longa e, quando terminei, estava exausta”.

Mais tarde, na quarta-feira, antes de uma reunião do conselho municipal, Chow falou aos jornalistas sobre o aniversário e sobre o facto de ter sido um “dia profundamente doloroso” para a comunidade judaica de Toronto, mas não pediu desculpa pela sua ausência. A comunidade judaica tem vindo a acusar Chow de “fugir à sua responsabilidade” e confessam-se desiludidos com o seu comportamento. “Por muito cansativo que seja discutir as ciclovias para a Presidente da Câmara, asseguramos-lhe que a comunidade judaica está mais cansada. No último ano, a comunidade judaica de Toronto teve de justificar o seu direito a existir como judeus, sentindo-se insegura como eleitores na cidade que o Presidente Chow supostamente lidera”, afirmou Michelle Stock, Vice-Presidente do Centro para os Assuntos Israelitas e Judaicos (CJIA).

A CJIA exige um pedido de desculpas de Chow e ações para proteger os membros da comunidade judaica de Toronto.

Perante toda esta situação pareceu-nos imperioso ouvir a Mayor de Toronto, não apenas para sabermos de forma mais clara por que razão primou pela ausência na vigília, mas também para percebermos qual é o seu nível de preocupação com o ambiente que está criado na cidade de Toronto graças à polarização entre judeus e palestinianos. A Mayor respondeu a parte das nossas perguntas, o que muito agradecemos, mas não respondeu à pergunta em que pedíamos que justificasse a sua ausência na vigília, o que lamentamos e registamos.
De todo o modo, Olivia Chow afirma estar consciente do impacto que Toronto está a sentir com toda esta situação, apela para que nos ouçamos uns aos outros e reitera que “o ódio contra qualquer pessoa que pratique a sua fé ou cultura não é bem-vindo em Toronto”.

Milénio Stadium: Há um ano, o conflito israelo-palestiniano agravou-se e, naturalmente, o fosso entre Israel e a Palestina aumentou. Qual é a sua opinião sobre tudo o que aconteceu desde os acontecimentos de 7 de outubro de 2024?
Olivia Chow: O ataque de 7 de outubro do Hamas em Israel, que custou a vida a 1.200 pessoas, e o rapto de mais de 200, muitos dos quais ainda são mantidos como reféns, para a comunidade judaica de Toronto, foi um dia profundamente doloroso. Muitos têm amigos, familiares ou outras ligações a Israel. Também nos traz à memória a longa história de judeus que são alvo de ataques por serem quem são.
Para muitos outros na nossa cidade, o dia também significa o início de uma guerra que abalou toda a região. A guerra em Gaza, que custou dezenas de milhares de vidas palestinianas. E agora o bombardeamento do Líbano.

MS: Podemos dizer que a guerra na Faixa de Gaza está a provocar, de certa forma, uma divisão na sociedade canadiana – os palestinianos de um lado e os judeus do outro?
OC: O impacto na nossa cidade tem sido difícil. No último ano, assistimos a uma subida em flecha dos crimes de ódio.
O Chefe da Polícia partilhou recentemente estatísticas atualizadas sobre crimes de ódio:
No último ano, os incidentes de ódio aumentaram mais de 40%.
Isto inclui um aumento de 75% do ódio contra a comunidade judaica.
E um aumento de 40% em relação à comunidade muçulmana. Claro que estes números são apenas os incidentes registados.
Eu vi pessoalmente o impacto deste aumento do ódio. Falei com dirigentes de mesquitas que tiveram pessoas a interromper as orações ou a grafitar as suas paredes. Falei com a congregação de uma sinagoga que viu as suas janelas partidas. E vi os buracos de bala a assustar uma escola judaica em North York.

MS: Agora que a guerra está a alastrar e a envolver outros países do Médio Oriente, que preocupações tem relativamente à segurança dos cidadãos de Toronto?
OC: Toronto é uma cidade onde todos pertencem. É esse o poder deste sítio. Uma vez que a nossa cidade é o lar de tantas pessoas de todos os cantos do mundo, quando os acontecimentos globais se desenrolam, as pessoas sentem-no profundamente aqui. Ficam com medo do que isso possa significar para os seus entes queridos no estrangeiro, para a casa que deixaram para encontrar um novo lar aqui.
Há uma profunda dor e angústia nas comunidades muçulmana, palestiniana e libanesa de Toronto. Estas comunidades estão também ligadas à família e aos amigos no seu país. Estas comunidades também estão de luto.
Quero reiterar que o ódio contra qualquer pessoa que pratique a sua fé ou cultura não é bem-vindo em Toronto. O antissemitismo, a islamofobia, o ódio e a violência em todas as suas formas não são bem-vindos aqui.
Tal como muitos torontonianos, sinto a angústia de tudo o que aconteceu no ano passado. Mas acredito que devemos continuar a ser uma cidade acolhedora, gentil e compassiva.
Peço que continuemos a ouvir-nos uns aos outros, a cuidar uns dos outros e a recordar os laços que partilhamos enquanto torontonianos.
MB/MS

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