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O maior presente de Natal

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Créditos: DR.

Para muitos de nós, a época natalícia guarda algumas das nossas memórias mais vívidas, e é interessante observar os detalhes que ficam connosco. Muitas vezes não são os presentes ou os doces. São determinados momentos ou gestos.

Esta temporada parece chegar cada vez mais rápido à medida que os anos passam. Mas recordo-me que em criança os dias de expectativa que levavam a 25 de dezembro passavam muito lentamente. Era a espera por um dia em que teria toda a família reunida, um momento que só acontecia duas vezes no ano – sendo que a outra era pela Páscoa. Era saber que ia estar com todos os meus primos, avós e tios, partilhar bons momentos, comer muitos doces e, claro, a alegria dos presentes. Tendo crescido nos anos 90, o significado do Natal já veio muito tingido pela onda de marketing e comercialização. Eu acordava cedo, ligava a televisão e os intervalos dos desenhos animados eram repletos de brinquedos coloridos, cativantes, que faziam os olhos cintilar. A preparação para a data incluía sempre a decoração da casa, aquela rotina de compras de Natal e a lista de alimentos necessários para confeccionar uma mesa recheada de iguarias tradicionais.

Na minha família há apenas uma ou duas tias que realmente cultivam o ato de assistir à missa do Galo e celebram devotamente as tradições religiosas do Natal. Em casa dos meus pais nunca se fez sentir uma forte conotação religiosa da época, pelo menos não no sentido literal. No entanto, eles ensinaram-me o que é o significado do Natal de uma forma mais prática, e gostava de partilhar uma dessas histórias.

Mesmo do outro lado da rua morava uma senhora de 90 anos que desde há muito tempo cuidava do seu filho. Ele tinha por volta de 40 anos e sofria de esclerose múltipla. Todos os anos os meus pais os convidavam para passar o Natal connosco e, aceitando o convite ou não, eu sabia que na véspera de Natal, quando fazíamos os doces e demais petiscos, a minha mãe preparava sempre uma porção extra dos pratos preferidos deles. Já sabia como era: saíamos de casa, atravessavamos a rua, batíamos três vezes no portão grande de metal e vinha a senhora abrir-nos a porta, sempre grata por aquele pequeno carinho. Recordar-me desses momentos tão simples aquece-me o coração. O contrário também acontecia. Todos os anos sabíamos que certas pessoas da família iriam aparecer lá por casa apenas para entregar uns chocolates, um licor ou outra lembrança, conversar um pouco e desejar boas festas. E era muito bom receber essas visitas, porque a maior oferta que podemos ter é a presença uns dos outros. Esse gesto de “lembrei-me de ti” neste dia.

Então, longe ou perto, este Natal visitem aquelas pessoas que muitas vezes o ritmo frenético do dia a dia acaba por não permitir que encontrem ou tenham uma conversa mais intimista. Ofereçam a vossa presença seja de forma pessoal ou virtual. Porque o Natal, afinal, é a celebração da vida.

Telma Pinguelo/MS

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