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O futuro é verde?

Para atingir a neutralidade carbónica em 2050, a UE pretende reduzir as suas emissões entre 50 e 55% até 2030. Para pôr em marcha este pacto ecológico, que ainda irá a Conselho Europeu, a UE contará com um fundo de 100 mil milhões de euros.

No Canadá, uma empresa petrolífera, um banco e uma gigante de produtos de consumo estão entre um grupo de empresas e líderes da sociedade civil que pedem a Ottawa e às províncias que intensifiquem os esforços para combater as mudanças climáticas, chamando-a de “imperativo económico”.

Recentemente, 26 empresas canadianas, incluindo a Schell Canada Ltd, o Royal Bank of Canada e a Unilever, assim como a United Steelworkers e o Broadbent Institute, assinaram uma carta na qual se comprometem a trabalhar em prol de uma economia verde.

O documento dá ao primeiro-ministro e aos premiers uma lista de propostas para garantir que o Canadá cumpre os seus compromissos na redução das emissões de gases de efeito de estufa e se mantém economicamente competitivo. O documento foi uma proposta da Smart Prosperity Leaders’ Initiative, um grupo que promove a economia mais amiga do ambiente.

O grupo acredita que juntando esforços o país é capaz de criar uma economia forte e limpa. “Vamos perder o futuro económico do nosso país se não encararmos este problema com seriedade e criarmos empregos”, disse Annette Verschuren, presidente da NRStor Inc., uma empresa de armazenamento de energia e um dos responsáveis pela iniciativa.

A Europa e o Canadá estão empenhados em lutar por uma economia verde, mas o grande desafio dos próximos anos – versão otimista- será envolver países como os EUA, a China, o Japão e o Brasil nesta luta. A equação só será possível se todos trabalharem de acordo com os mesmos objetivos, caso contrário tudo não passará de uma tentativa falhada.

Os millennials, os futuros líderes de amanhã, estão muito atentos à luta pelo meio ambiente, prova disso são as suas tendências de consumo. A indústria da moda converteu-se às preocupações ambientais e até o segmento do luxo hoje está mais focado na criação de artigos amigos do ambiente. A indústria dos cosméticos hoje cria linhas mais sustentáveis e algumas marcas já proibiram o teste dos produtos em animais. A indústria automóvel, que tanto tempo resistiu a este fenómeno, hoje está a viver um período de conversão e cada vez se vendem mais carros elétricos no mundo. A Tesla do visionário Elon Musk tornou-se um fenómeno de vendas em todo o mundo e o lançamento do próximo modelo da marca foi um dos acontecimentos de 2019.

Durante a campanha eleitoral, o primeiro-ministro Justin Trudeau prometeu que o seu Governo ia “cumprir e superar” em 2030 a meta de reduzir as emissões em 30%. Mas os próprios números de Ottawa mostram uma diferença de 79 megatoneladas entre as suas políticas e a meta declarada.

No seu primeiro mandato, Trudeau fez do preço do carbono um assunto chave para o plano climático e reforçou-o com um conjunto de medidas, incluindo regulamentos sobre o teor de carbono nos combustíveis, subsídios para carros elétricos e investimento em transportes públicos. Durante a campanha, os Liberais disseram que iam juntar a esta plano climático a plantação de árvores e diminuir impostos para empresas que criem produtos com zero emissões.

Segundo o jornal The Globe and Mail, a taxa de carbono vai representar mais 40 cêntimos em cada litro de combustível, mas a maioria das pessoas vão receber mais do que pagam.

O Canadá e outros países que assinaram o Acordo de Paris concordaram em reduzir a emissão de gases de estufa e manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ºC, mas um novo relatório das Nações Unidas alerta que o aquecimento global deverá duplicar para 3,2 ºC.

A economia verde dominou as últimas eleições federais canadianas e o assunto foi várias vezes capa da Times no ano passado. Em 2020, tudo leva a crer que vá continuar a dominar a agenda mediática do Canadá e não só. Mas será que o futuro é mesmo verde?

Joana Leal/MS

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