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“O expresso está a começar a deixar uma pegada no mercado canadiano” -Gary Manata

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Créditos: Noah Ganhão

De acordo com a Associação do Café do Canadá (CAC), o café e a água da torneira são as bebidas mais consumidas no país.  No Canadá a indústria do café vale $6,2 mil milhões de dólares, cria mais de 160.000 empregos em cafés e bares e cerca de 5.000 empregos no fabrico e na torrefação.

O Canadá importa café de todo o mundo, mas os três principais países são Colômbia, Brasil e Guatemala. Com uma população de 38 milhões, estima-se que o consumo per capita seja na ordem dos 7 kg. A nível mundial o Canadá é o 10.º país do mundo onde se consome mais café. Finlândia, Noruega e Islândia são os principais consumidores de café do mundo. O Canadá destaca-se como o único país não europeu a fazer a lista dos dez maiores consumidores de café do mundo. De costa a costa os canadianos são grande apreciadores de café e cada vez o consomem mais em casa.

Gary Manata é um empresário de Toronto que começou a investir nesta área em 2008. A Manata Coffee  Co. compra café verde e faz a sua própria torra e embalamento. Em declarações ao nosso jornal Manata assume que é pequeno no mercado, mas garante que quer continuar a apostar na qualidade. O próximo objectivo é trazer para o Canadá café produzido na região da Barahona, na República Dominicana, um produto que é produzido em grande altitude tal como o famoso café Blue Mountain da Jamaica.

O que é que a Manata Coffee Co faz?

Gary Manata: Compramos café e torramos os nossos próprios blends. Não negoceio com outras marcas de café. Temos alguns cafés de cápsulas que vendemos para os nossos clientes, por exemplo os sindicatos, fornecemos também Starbucks e Tim Horton, mas tudo o resto fazemos em casa. 

Quais são os desafios da torra de café? Como é que funciona o processo?

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Gary Manata. Créditos: DR.

GM: Os desafios de hoje são o preço dos grãos de café verde e os custos de transporte que têm vindo a subir constantemente, mesmo para obter um produto de acabamento aqui. Para torrar café compramos os grãos de café verdes, depois torramos e existem diferentes tipos de equipamento para torrar. Quando arrefece fazemos o embalamento.

É difícil acompanhar a evolução deste mercado?

GM: Comecei a Manata Coffee Co. em 2008, no início representávamos marcas, mas depois começámos a torrar aqui no Canadá. Começámos a torrar talvez há cerca de seis anos. Durante a pandemia, o café verde custava cerca de $2 dólares americanos por pound. Depois é preciso associar os preços da torrefação. Quando era pequeno lembro-me de ver os senhores italianos a tomarem café no Caffee Brasiliano na Dundas, mesmo ao lado da joalharia dos meus pais. E hoje represento as duas misturas que eles costumavam vender e torramos exatamente da mesma forma. Naquela altura os clientes pediam um expresso ou um cappuccino, hoje o mercado mudou tanto com os tipos de leite, por exemplo, tudo está diferente. Hoje vamos a um Starbucks local e temos um menu de café como não encontramos em mais nenhum lado. E as empresas estão sempre a inovar. O Starbucks está a tentar obter licença para vender álcool porque eles querem tentar captar todo o tipo de clientes, desde os que se querem sentar a beber café até aos que querem sentar-se para beber vinho.  É um mercado difícil e hoje temos de nos reinventar a toda a hora e só porque temos um produto bom não significa que vamos ser bem-sucedidos.

Compra café a que países?

GM: Compramos café a revendedores, mas os grãos de café são importados do Brasil e da República Dominicana. Agora estamos no processo de tentar comprar o café produzido a grande altitude na região da Barahona, na República Dominicana. Este café cresce nas montanhas tal como o famoso café “Blue Mountain” da Jamaica. Também estamos a trabalhar com o Café Femenino, um projecto na República Dominicana que é totalmente feito por mulheres desde a plantação até ao embalamento. Já tínhamos um negócio de charutos na República Dominicana, mas na última visita ao país descobrimos o Café Femenino.

Quais são os planos da Manata Coffee Co. para os próximos cinco anos?

GM: Nós torramos para muita gente e vamos continuar a garantir que temos oferta suficiente para a procura.

Quantos quilos de café é que vende num ano e quantos clientes tem?

GM: Diria cerca de 50.000 kg num ano, não tenho um grande mercado, torramos para menos de uma dúzia de pessoas. Agora devemos ter dez clientes. Não queremos crescer porque para nós a qualidade é mais importante do que a quantidade.

A pandemia mudou alguns dos nossos hábitos. Agora consome-se mais café em casa ou acredita que os canadianos vão continuar a beber café fora de casa?

GM: O consumo de café em casa disparou durante a pandemia. Acho que em vez de as pessoas irem a um café ou a uma pastelaria para tomarem café, agora acabam por beber em casa. Acredito que o baixo custo das máquinas de café e a conveniência das cápsulas facilitaram esta mudança de hábitos. A pandemia só acelerou o processo. Ainda me lembro de ir a Portugal de férias à nossa cidade e depois do almoço ou do jantar íamos até ao café mais próximo para beber um expresso. Hoje vamos a qualquer supermercado em Portugal e eles quase que nos pagam para comprarmos a nossa máquina de café e a levarmos para casa. Acho que as cápsulas mudaram a forma como as pessoas consomem café. Claro que ainda existem os puristas que querem o café da máquina tradicional, mas o mercado das cápsulas individuais está a crescer cada vez mais.

Os canadianos também gostam de expresso ou são só os portugueses?

GM: Acho que o expresso está a começar a deixar uma pegada no mercado canadiano. A Starbucks por exemplo sempre serviu expresso. A última vez que fui aos EUA estava à procura de um expresso e entrei num Dunkin Donuts e bebi um dos melhores expressos que já bebi na minha vida. Acho que o expresso já não é uma bebida europeia, tanto os canadianos como os americanos gostam cada vez mais de expresso.

Joana Leal/MS

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