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“O Canadá ainda oferece muitas oportunidades para quem tem cabeça” – Patrícia Borges

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Créditos: DR.

Patricia Borges emigrou em 1999 dos Açores para o Canadá e trabalha há 25 anos no ramo da restauração. Há oito anos decidiu arriscar e mesmo depois de um divórcio tinha a certeza que a restauração era a sua paixão. O Caloura Bar está localizado no 468 da Rogers Rd e funciona seis dias por semana. Apesar de estar a contratar, em entrevista ao Milénio Stadium, a empresária diz que depois da pandemia aparece pouca gente à procura de emprego.

Para a empresária, apesar do grande aumento do custo de vida, o Canadá ainda continua a ser um país de oportunidades “para quem tem cabeça”. Patricia Borges diz que os jovens são diferentes porque pensam mais no presente e “não estão dispostos a engolir sapos de ninguém”.

Milénio Stadium: Quando abriu o Caloura Bar quantas pessoas é que empregava?

Patricia Borges: Tirei um curso profissional na Escola das Capelas, em S. Miguel, Açores e desde que cheguei ao Canadá em 1999 sempre trabalhei no ramo da restauração. Antes de comprar o Caloura Bar em 2013 era funcionária do espaço quando se chamava Tropical Sports e também trabalhei no Ilhas de Bruma da Casa dos Açores. Quando comecei para além de mim tinha duas funcionárias. Como somos pequenos, temos capacidade para 50 pessoas, não precisamos de muitos funcionários. Hoje para além de mim tenho uma funcionária em part-time.

MS: Qual era a percentagem de portugueses que empregavam na altura da abertura e a de agora?

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Patrícia Borges, proprietária O Caloura Bar. Créditos: DR.

PB: Prefiro contratar portugueses porque os clientes do Caloura Bar são sobretudo portugueses. Já cheguei a contratar uma funcionária natural do Equador, mas não deu certo porque ela falava inglês e espanhol. E também para mim própria confesso que é mais fácil se for uma pessoa que fale português. A nível de cozinha eu é que preparo os pratos e nunca pensei contratar uma pessoa para me substituir porque os nossos clientes já estão habituados à minha forma de cozinhar.

MS: Quando começou a actividade era difícil encontrar funcionários? Como é que recrutava?

PB: Antigamente era mais fácil. Recrutávamos através dos jornais e Facebook e demorava no máximo 2 ou 3 dias até termos a vaga preenchida porque havia sempre alguém que precisava de trabalhar. Agora, sobretudo depois da pandemia, está muito difícil. Não sei se alguns dos imigrantes foram embora, se é por causa dos subsídios do governo. Tenho um anúncio para contratar há 3 meses na porta e no Facebook, mas não aparece ninguém, pelo menos não com as características que precisamos porque a aparência e a higiene são aspetos que também contam. A restauração é um ramo exigente, não é para todos.

MS: Consegue identificar diferenças entre os imigrantes que empregava no início e os que emprega hoje?

PB: Julgo que os jovens de hoje também precisam de trabalhar, mas não estão dispostos a engolir sapos de ninguém. Antigamente as pessoas emigravam dispostas a trabalhar, hoje é diferente. Quando emigrei vinha determinada a trabalhar para ter estabilidade financeira, apesar de ser um país diferente, julgo que aqui conseguimos fazer uma vida muito melhor.

MS: Podemos dizer que os mais novos têm outra postura perante o trabalho e até perante a vida?

PB: Os mais novos pensam mais em viver o presente, não poupam para o futuro. Não sei quem está certo, se são eles ou se somos nós. Mas também da forma como o custo de vida aumentou o que eles ganham dá para pagar a renda e pouco mais.

MS: O Caloura Bar funciona de terça a domingo. Tem problemas para encontrar funcionários que queiram trabalhar ao fim-de-semana?

PB: Temos dificuldades, porque as terças, quartas e quintas são fracas e as sextas, sábados e domingos são os dias com mais clientes. A vida da restauração exige muitos sacrifícios porque trabalhamos sete dias na semana. Antes da pandemia estávamos abertos às segundas-feiras, durante seis anos abrimos sete dias por semana. Tomei esta decisão porque os meus filhos estava a crescer e eu nunca estava presente. Precisava de descansar um dia e eles também precisavam da mãe. As pessoas não querem trabalhar ao fim-de-semana porque querem aproveitar a vida ou passar tempo com a família e com os filhos e no verão é ainda mais difícil.

MS: Na sua opinião o Canadá é um país adequado para alguém concretizar sonhos de vida?

PB: Em 2013 quando abri o Caloura Bar tinha acabado de me divorciar e tinha dois filhos. Não foi fácil fazer isto sozinha, mas acho que temos de gostar daquilo que fazemos e temos que lutar pelos nossos sonhos. O Canadá ainda oferece muitas oportunidades para quem tem cabeça. Julgo que com a pandemia ficou complicado aqui e em todo o mundo, não sei qual é o país que está bem para começar uma vida agora. Julgo que os jovens pensam sempre que as coisas são fáceis, mas vêm aí dias difíceis até a economia recuperar, mas vamos ser otimistas e acreditar que melhores dias virão.

Joana Leal/MS

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