Nem tudo o que brilha é diamante Como nem tudo o que se vê é a realidade

Depois de presenciar certas atitudes e passar por uma situação que, apesar de parecer engraçada, me deixou a pensar, confirmei algo que já suspeitava – nem tudo o que se vê é realidade, e nem tudo o que brilha é diamante.
Podem perguntar, “mas que carga de carvalhos quer este senhor dizer com isto?” Pois bem… muito. E, para muitos, até parece pouco. Por vezes, julgamos que estamos rodeados de boas pessoas, de gente que nos quer bem, mas, na verdade, estamos enganados. Já ninguém parece valorizar os princípios ou os valores morais. Podemos achar que estamos no céu, mas talvez estejamos mais próximos do inferno.
Será culpa das novas tecnologias? Talvez. Se pensarmos bem, os pequenos ecrãs roubaram-nos tempo de conversa, tempo de convívio, tempo de verdade, as pessoas deixaram de se juntar com os amigos de verdade, atenção, felizmente, não tenho esse problema. Penso eu de que! Consigo identificar bem o positivo e o negativo. Mas a verdade é que a sociedade mudou, e tende a mudar ainda mais.
Imagino que, no futuro, andaremos com aparelhos nas mãos para tudo, as amizades, essas, cada vez se veem menos. O ser humano é amigo de quem, afinal?
Digo isto porque a vida e os encontros ensinam muito. Recentemente, reparei numa situação que me confirmou tudo aquilo que suspeitava. Como dizem os entendidos, há três tipos de amigos: os verdadeiros, os do interesse e os dos copos. Eu respeito os três, mas mesmo com todos os meus defeitos, sou daqueles que, na hora da verdade, faz um balanço honesto daquilo que viveu.
Custou ver o que vi. Quem contava com centenas de amigos, viu-se quase sozinho, aqueles que se diziam “exemplares” desapareceram no momento em que era preciso dar um abraço, uma palavra, um gesto de apoio. Uma gota no oceano, foi o que restou. E, dessa gota, salvaram-se apenas os verdadeiros, porque no meio havia os por interesse.
Um amigo verdadeiro é aquele que está ao nosso lado sempre que possível, nos bons e nos maus momentos, oferece apoio incondicional, compreensão, celebra connosco as vitórias, mas também chora connosco as derrotas, a sua luz não se apaga, não importa a distância. A amizade verdadeira sobrevive à ausência.
Depois há os do interesse. Esses aparecem quando precisam e somem-se quando não têm nada a ganhar, mudam de atitude quando não conseguem o que querem. São sinais claros de que só estão connosco por conveniência.
E, claro, os dos copos. Esses vivem da festa, da camaradagem passageira. Partilham brindes, risos e memórias que muitas vezes duram segundos. Mas com um copo a mais, perde-se a cabeça, e diz-se o que não se deve.
Tudo o que escrevi acima é real. Falava-se em amizade, mas o que se viu foi interesse. Foi aparência, quando era para conviver com copos na mão, não faltava gente, mas na hora do apoio, contavam-se os verdadeiros com os dedos de uma mão.
Por isso, nunca se deve confundir amigos verdadeiros com os do interesse, e muito menos com os dos copos. Vi isso com os meus próprios olhos. Na festa, há multidões. No momento da dor, sobra o silêncio.
Respeitem os vossos verdadeiros amigos. Eles são raros, mas eu ainda os tenho.
Bom fim de semana!
Augusto Bandeira/MS







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