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Natal e Ano Novo alimentam a esperança de comerciantes por melhores dias (e vendas)

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Créditos: DR.

O final do ano está aí, trazendo com ele as suas tradicionais festas, e para muitos pequenos comerciantes esta é a hora de tentar se recuperar de um ano que não foi fácil, já que a pandemia trouxe, e ainda traz, consequências aos seus negócios, entre as mais evidentes para a maioria, a quebra de faturamento.  As apostas nas vendas nesta época são altas, com alguns especialistas destacando que podem representar até 40% do faturamento total de alguns negócios no ano, por isso ter um Natal farto pode significar uma gordura extra para entrar num novo ano que tudo indica ainda será marcado por incertezas na economia e diminuição do poder de compra do consumidor, com preços a subir. 

Uma mesa farta na ceia de Natal é costume entre os portugueses. Apostando nisso, uma das tradicionais mercearias da comunidade lusófona capricha nas promoções nesse período, dando destaque para os produtos típicos, em especial as carnes. “Acreditamos que teremos boas vendas neste final de ano. Leitão, borrego, peru e cabritos estão entre as carnes mais procuradas. Temos especiais em carnes para assar nas duas semanas antes do Natal”, destaca Luís Roque Pavão Senior, proprietário da rede Pavão Meats. Ele confirma que um dos produtos que mais sofreu reajustes ao longo do ano, cerca de 30% foram justamente as carnes, por isso as vendas de frango e carne de porco aumentaram substancialmente. Mas neste mês, devido à tradição, a maioria da clientela ainda busca as carnes típicas do menu natalino, por isso os preços especiais e promoções buscam atrair, e aliviar, o bolso do consumidor. O empresário conta que apesar do negócio ter tido quedas de faturamento durante a pandemia, em especial as lojas dentro de centros comerciais, as vendas se mantiveram regulares e dessa forma, e com sacríficos, como ressaltou, foi possível manter a equipe de funcionários empregada.

Quem também tem esperanças de boas vendas neste período de festas é a empresária Juliana De Paula, que há quatro anos está à frente do Brazilian Market, negócio de venda de produtos alimentares típicos do Brasil, que agora também tem loja física. Nos últimos anos, na contramão da maioria dos comércios, tiveram um crescimento de vendas, que esperam se perpetue também agora nesta época de festividades. “Essa época é muito boa para nós, porque as vendas costumam aumentar, ainda mais que este ano as pessoas poderão se reunir e celebrar, algo que não aconteceu no ano passado”, diz ela. No entanto, ela é cautelosa e sabe que o momento atual do setor é delicado, sendo marcado por dificuldades na rede de abastecimento, o que impacta os preços: “Estamos nos desdobrando para manter o melhor preço possível, entretanto o transporte/importação de produtos chegou a dobrar de preço e não repassar esse valor ao consumidor final, fica quase impossível”, lamenta. “No Natal, nas festas, as pessoas tendem a gastar mais. Acho que sentiremos uma queda de vendas maior a partir do início do ano, ainda mais se os preços continuarem a subir”, prevê ela.

E de fato, apesar de ser uma época típica de compras e gastos, os consumidores parecem estar mais receosos neste 2021. Uma pesquisa de novembro da Angus Reid Institute, que ouviu mais de dois mil canadianos, mostrou que 41% deles se disse mais estressado economicamente do que em anos anteriores. Três em cada 10 entrevistados disseram que planejam gastar menos do que nos períodos de festa de anos anteriores, dois em cada 10 planejam gastar mais, enquanto 44 % disseram que gastariam o mesmo que de costume.

Se para os negócios de vendas alimentícias o cenário é otimista outros setores não têm tantos motivos para comemorar. As restrições impostas pela pandemia, e atualmente o surgimento dessa nova variante omicron, afetaram em cheio o setor de eventos e consequentemente os negócios de Cristina Pinheiro, dona da floricultura “Flowers &Twigs”, na Dundas Street. “Este ano foi marcado pelos encerramentos e isolamentos. As festas de casamento ou não aconteceram ou se transformaram em reuniões íntimas, assim como batizados e formaturas. E para fechar, nessa época, que era marcada por grandes confraternizações de empresas e companhias, surge essa variante.  As pessoas ainda estão receosas e evitando grandes aglomerações. O consumidor está pagando mais caro por itens essenciais, então, as flores, que no fim do dia não estão nessa lista, acabam sendo deixadas de lado”, lamenta ela. E as próprias flores em si também aumentaram de preço, cerca de 30% devido a dificuldade de transporte, já que muitas vem de outros países da América do Norte e do Sul. A boa notícia para os interessados e que as tradicionais flores “Flor do Natal”, por serem cultivadas em larga escala em Ontário, não sofreram reajuste nos preços. Mesmo sem grandes previsões de faturamento neste Natal, a comerciante aposta no otimismo: “Não devemos perder a esperança. Um dia de cada vez. Uma das coisas que aprendi nessa pandemia é que não podemos fazer muitos planos. Vive-se um dia de cada vez”. Outra empresária que observa um controle maior das pessoas com os gastos é a proprietária da loja Carmen’s Designs, na St. Clair Avenue West. Especializada em roupas para ocasiões especiais, como batizados, casamentos e comunhões, destaca que sentiu ao longo do ano uma retração no poder de compra do consumidor, que teve que priorizar a compra de produtos essenciais. “O Natal não é nossa época mais forte de vendas, mas acho que de maneira geral, para o setor de vendas, este ano será melhor que no ano passado. Só o fato de as pessoas poderem se reunir é mais animador e com isso surge a necessidade de comprar mais produtos natalícios”, diz ela. 

Faltando ainda alguns dias para o Natal e Ano Novo os comerciantes abrem as portas de suas lojas, fazem seu melhor e trabalham na expectativa de dias, e vendas, melhores para todos. Afinal, o Natal é época renovar as esperanças num futuro mais tranquilo e lucrativo. E para os consumidores a dica e aproveitar para reabastecer a dispensa ainda neste ano, já que um relatório do Canada’s Food Price Report divulgado nesta quinta-feira (09 de dezembro) apontou que o preço dos alimentos no país deve aumentar no próximo ano para níveis recorde, devido aos problemas no abastecimento da cadeia alimentar gerados pela pandemia, as dificuldades para contratar funcionários e os problemas climáticos. Os canadianos devem preparar as carteiras porque vão pagar em média 7% a mais pela sua mercearia.

Lizandra Ongaratto/MS

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