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Movember: dar voz à saúde mental e física dos homens

Photo: @copyright

Durante o mês de novembro, o Movember volta a lembrar-nos da importância de cuidar da saúde física e mental dos homens. A campanha, conhecida pelos icónicos bigodes que muitos deixam crescer nesta altura, procura quebrar tabus e incentivar o diálogo sobre temas como o cancro da próstata, a depressão e a prevenção do suicídio masculino. Para perceber o que as pessoas pensam sobre esta iniciativa e sobre o modo como a sociedade encara a saúde emocional dos homens, saímos à rua e ouvimos sete vozes de diferentes idades e realidades. O resultado revela mudança de mentalidades, mas também muitos preconceitos que ainda persistem.

João, 22 anos

Sabe o que é o Movember? O que pensa desta iniciativa?
Já ouvi falar, sim. Acho ótimo que exista uma campanha que nos lembre de cuidar de nós próprios. Muitos rapazes ignoram sintomas ou evitam ir ao médico, e o Movember ajuda a quebrar isso.

Ainda existe preconceito quando um homem fala sobre as suas fragilidades?
Sim, totalmente. Ainda há aquela ideia de que “homem não chora”, e isso afasta muita gente da terapia.

Na sua opinião, por que razão a sociedade fala tão pouco sobre a saúde mental e emocional dos homens?
Acho que é cultural. Desde pequenos, ouvimos que temos de ser fortes, e isso cria um bloqueio em falar sobre emoções.

Os homens também podem ser vítimas de violência doméstica. Porque é que este tema ainda é tão pouco debatido e visível?
Porque muita gente não acredita que isso possa acontecer. Falta empatia e visibilidade para esses casos.


Marta, 34 anos

Sabe o que é o Movember? O que pensa desta iniciativa?
Sim, é aquela campanha dos bigodes, certo? Acho excelente! Faz as pessoas falarem sobre cancro da próstata e também sobre saúde mental masculina.

Ainda há preconceito quando um homem fala das suas fragilidades?
Sim. Muitos ainda têm medo de parecer “fracos” ou “menos homens”, o que é absurdo.

Por que se fala tão pouco da saúde mental dos homens?
Porque o foco histórico sempre esteve na saúde das mulheres e das crianças. Só agora estamos a perceber que os homens também precisam de apoio emocional.

E sobre homens vítimas de violência doméstica?
Falta informação e coragem de reconhecer o problema. Muitos homens sentem vergonha de denunciar.


António, 67 anos

Sabe o que é o Movember? O que pensa desta iniciativa?
Já ouvi falar, sim. Acho que é bom ver os jovens preocupados com isso. No meu tempo, ninguém falava sobre saúde mental.

Há preconceito quando um homem fala sobre fragilidades?
Sempre houve. Antigamente, um homem que chorava era motivo de gozo. Mas agora as coisas estão a mudar, felizmente.

Por que se fala pouco da saúde mental masculina?
Porque é um tema novo. Só agora é que se começa a aceitar que todos precisamos de cuidar da cabeça, não só do corpo.

E sobre violência doméstica contra homens?
É tabu. Muitos homens têm vergonha de admitir. Falta apoio institucional também.


Sofia, 28 anos

O que acha do Movember? O que pensa desta iniciativa?
É uma campanha importante, especialmente para lembrar os homens de fazer exames preventivos e cuidar da saúde mental.

Ainda existe preconceito sobre homens pedirem ajuda psicológica?
Sim, vejo isso no hospital. Muitos só procuram ajuda quando estão no limite.

Por que se fala pouco sobre a saúde emocional masculina?
Porque a sociedade espera que o homem seja sempre o “forte”. Falta educação emocional desde cedo.

E quanto à violência doméstica contra homens?
É real, mas invisível. Os serviços ainda não estão preparados para acolher esses casos.


Ricardo, 45 anos

Sabe o que é o Movember? O que pensa desta iniciativa?
Já vi na televisão, é aquela coisa do bigode. É bom, chama atenção para doenças que muitos de nós ignoram.

Ainda há preconceito quando um homem fala das suas emoções?
Há sim. No trabalho, por exemplo, é difícil falar disso sem ouvir piadas.

Por que a sociedade fala pouco sobre isso?
Porque muitos ainda acham que o homem tem de aguentar tudo calado.

E sobre homens vítimas de violência doméstica?
Acho que há vergonha e medo. Ninguém quer ser visto como “fraco”.


Inês, 16 anos

Sabes o que é o Movember? O que pensa desta iniciativa?
Sim, alguns rapazes da escola estão a deixar crescer bigodes! É fixe porque também fala de saúde mental.

Ainda já preconceito quando um homem fala sobre sentimentos?
Sim, os miúdos têm medo de serem gozados. É triste.

Por que a sociedade fala pouco disso?
Acho que os adultos não dão o exemplo. Deviam falar mais abertamente sobre emoções.

E sobre violência doméstica contra homens?
Nunca se fala disso. Acho que devia ser mais falado nas escolas também.


Luís, 55 anos

O que pensa do Movember?
É uma excelente iniciativa. Já participei uma vez e ajudou-me a fazer o meu check-up médico.

Ainda existe preconceito quando um homem fala das suas fragilidades?
Sim, mesmo entre amigos. Muitos não sabem como reagir quando alguém fala de depressão, por exemplo.

Por que razão a sociedade fala pouco sobre a saúde mental dos homens?
Porque é desconfortável. Falar de emoções sempre foi visto como fraqueza no mundo masculino.

E quanto aos homens vítimas de violência doméstica?
É um tema que precisa de visibilidade. Não é um sinal de fraqueza ser vítima, é um problema real e merece atenção.

Romulo Ávila/MS

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