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Maternidade vs liberdade

Mais um Dia da Mãe e mais um ano estarei longe da minha, a vida tem dessas coisas e também veio a Covid-19 para complicar tudo, mas isso é uma outra conversa.

Sou a filha caçula e tenho somente uma irmã que está, neste momento, ao lado dos meus pais no Brasil, dando um suporte impecável durante 24 horas… jamais conseguirei agradecer-lhe na altura que merece. Muito obrigada minha irmã!

Minha mãe foi adotada, tornando-se a caçula da família que a adotou, a única loira e de olhos azuis da tropa e ganhou nome de flor, Rose! Uma mulher delicada, extremamente cuidadosa, casa impecável e sempre nos deu um apoio inquestionável a todos nós, escolheu ser mãe e esposa. Hoje possui um papel importante, virou mãe do meu pai que tem Alzheimer.

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Avó Elvira, , Rose e a irmã Soraya. Crédito: DR.

Minha família é mais uma das numerosas do planeta, a típica família no Brasil, porém sempre vivemos nos extremos do país e assim nos vemos muito pouco, mas nos comunicamos com certa regularidade perante a distância. Talvez eu seja a única da família inteira que decidiu entrar na carreira de não ter filhos e correr o mundo e este é o assunto que me levou a escrever para esta edição.

A partir da adolescência percebi que a vida tem um ponto interessante chamado liberdade. Quando fiz a minha primeira viagem sozinha para o sul do Brasil, fui encontrar amigos e passar as férias e a minha única e exclusiva obrigação naquele momento era ligar diariamente para os meus pais para dizer que estava tudo bem. Decidi após estas  férias, que a minha vida seria assim. Bem simples e objetiva. Filhos? Somente os que me deram para batizar e atenção os amo como se fossem meus. 

Para mim ser mãe ultrapassa qualquer limite. Minha avó Luzia, foi mãe da minha mãe sem parir. Um mulher que abre mão da sua vida para ser mãe tem o meu respeito total, então senhores fechem as cortinas porque o espetáculo é só delas! Desculpem os homens, mas já ouviu alguém dizer sobre “amor de mãe?”. É uma coisa infinita. Mas há os homens chamados “pães”, que tiro o chapéu, porém não saberão nunca o que é levar um filho no ventre, como eu. Talvez um dia, heim homens?!  Assisti dois partos, chorei, achei mágico e certifiquei que não saberia nem “parir”. As fêmeas são extremamente fortes, o ato de dar a luz a um ser vivo, no modo mais natural possível, é inexplicável. Nasci através de uma cesárea após 10 dias do previsto, fui criada por uma família descente, tradicional, todos trabalhadores, sem luxo e vida corrida. Nada mudou.

Ainda nos tempos de hoje respondo perguntas como: ‘Porque você não tem filhos?“. A resposta é a mais simples possível. Decidi não ter filhos, porque quero fechar a porta da minha casa e sair para relaxar e não ter a preocupação de dar o que comer ou educar 24 horas uma pessoa. Vejo essa minha escolha responsável e natural como a decisão de uma outra mulher que preferiu ter um filho. Feliz dia delas, a nossa Mãe! 

Fá Azevedo/MS

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