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Labour Day: A História

LabourDayParadeBelville1913

Movimento das Nove Horas

Numa época em que as notícias de tudo quanto se relaciona com a “luta” laboral são dominadas pela defesa/exigência de mais benefícios sociais e/ou melhores e maiores compensações financeiras, é importante lembrar a História. É que só assim se pode ter uma melhor perspetiva sobre a evolução que o mundo do trabalho teve nos últimos 150 anos.

Tudo começou num período em que os trabalhadores tinham de lutar para trabalhar menos de 12 horas por dia. O “Movimento das Nove Horas” começou em Hamilton, Ontário, e depois espalhou-se por Toronto, onde as suas exigências foram assumidas pela União Tipográfica de Toronto.

Em 1869, o sindicato enviou uma petição aos empregadores dos seus membros solicitando uma redução semanal de horas por semana para 58, colocando-se entre os principais defensores no mundo industrializado de uma semana de trabalho mais curta. O seu pedido foi recusado liminarmente pelos proprietários das tipografias, e de forma muito veemente por George Brown do The Globe.

A convocação da greve

Em 1872, a posição do sindicato tinha endurecido, passando de um pedido a uma exigência, a uma ameaça de greve. Os empregadores chamaram “tola”, “absurda”, e “irracional” à exigência de uma semana de trabalho mais curta. Como resultado, a 25 de março de 1872, os impressores entraram em greve.
A 15 de abril, realizou-se uma manifestação para mostrar solidariedade entre os trabalhadores de Toronto. Um desfile de cerca de 2.000 trabalhadores marchou pela cidade, encabeçado por bandas em marcha. Quando o desfile chegou ao Queen’s Park, a multidão tinha aumentado para 10.000 pessoas.

 

Float of the Steel Company of Canada Ltd. in the Labour Day Parade Labour Day Parade, fire engine1924 LabourDayparadeYongeStreet, Torontoc1905

 

Os patrões lutaram contra os grevistas trazendo trabalhadores de substituição de pequenas cidades. George Brown lançou um contra-ataque ao lançar uma ação judicial contra o sindicato por “conspiração”. A ação de Brown revelou o espantoso facto de, de acordo com as leis do Canadá, a atividade sindical ser de facto considerada uma ofensa criminal. Nos termos da lei, que datava de 1792, a polícia prendeu os 24 membros do comité de greve.

Poderoso aliado

Brown, no entanto, exagerou na sua mão. O primeiro-ministro da altura, John A. Macdonald, tinha estado a observar o Movimento das Nove Horas “com curioso interesse e com o seu grande nariz sensivelmente apurado”, escreveu o historiador Donald Creighton. O cheiro do lucro vinha do facto de o velho rival liberal de Macdonald, George Brown, se ter tornado um homem odiado entre os trabalhadores do Canadá.
Macdonald era rápido a capitalizar. Em Ottawa, falou a uma multidão na Câmara Municipal, prometendo limpar as “leis bárbaras” que dominavam o mundo do trabalho. Macdonald veio então em socorro dos homens presos e a 14 de junho aprovou a Lei dos Sindicatos, que legalizou e protegeu a atividade sindical. A ação de Macdonald não só envergonhou o seu rival Brown, como também lhe valeu o apoio duradouro da classe trabalhadora.

Legado da greve

Para os próprios grevistas, os efeitos a curto prazo foram muito prejudiciais. Muitos perderam os seus empregos e foram forçados a abandonar Toronto. Os efeitos a longo prazo, no entanto, foram positivos. Depois de 1872, quase todas as exigências sindicais incluíam o dia de nove horas e a semana de 54 horas. Assim, os impressores de Toronto foram os pioneiros da semana de trabalho mais curta na América do Norte. Entretanto, as campanhas para um dia de oito horas já estavam a ganhar popularidade, e acabariam por se impor, nos Estados Unidos.

A luta dos impressores de Toronto acabou por deixar um segundo legado, duradouro. Os desfiles (ou Paradas) realizados em apoio ao Movimento das Nove Horas e à greve dos impressores levaram a uma celebração anual.

Ao longo da década de 1880, a pressão exercida no Canadá para perpetuar a celebração deste acontecimento com um dia feriado nacional, levou a que no dia 23 de julho de 1894, o governo do primeiro-ministro John Thompson tenha aprovado uma lei que oficializou o Dia do Trabalhador. E foi logo nesse ano que saiu à rua um enorme desfile, que se estendeu por cerca de 5 quilómetros, em Winnipeg.

A tradição de uma celebração do Dia do Trabalhador espalhou-se rapidamente pelo Canadá e pelo continente. Tudo tinha começado em Toronto com o corajoso movimento do sindicato dos impressores.

Madalena Balça/MS

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