Temas de Capa

It’s a Working Man, I Am

For Carlos…

The hands of a working man Working all day in the sun Every morning there is a mountain to move By the end of the day it’s done Patty Loveless

It’s 4 a.m. again and the alarm rings like it has done many times before. The children are sleeping, and he kisses his wife goodbye. “Be careful out there”, she says. He, with the body still hurting from the previous day, looks at his calloused hands and knows it’s time for another working day. Have to feed and protect the family, he says. Through heat, cold, wind, the working man goes on. The pain in his muscles confirms that an honest day’s work is being provided, and he knows that at the end of the day he can go back to his family satisfied that another day of his life provided a little more comfort to his family. The children run to him to say hello and ask how he feels. His tired body needs to be washed off the dirt and pain accumulated to renew the man inside the skin. His day starts again by being a father and husband for the fleeting moments before resting his tired body to prepare for the next day.

Summer 1997, José and Carlos (father and son) left their home, said goodbye to mother Maria and made their way to the construction site to start another working day. The building is 25 storeys high and they made their way up to the top. By 9.30 a.m. Carlos has fallen over the edge and died. With Carlos, the spirit of many people also died. The father and mother lost a son who took with him their spirit and left them broken hearted forever.
For the company for which he worked, this tragedy forever affected all his co-workers, and not knowing how to confront this tragedy, our minds are at a loss on how to comfort those who suffer the most. How can you comfort the loss of a human being?

On a personal level, I think of Carlos every day and my heart pains for his family. The day he died I became a much smaller man feeling a sense of extreme guilt because I couldn’t have protected him. My life has never been the same and Carlos will be in my brain until the day I die. I’m sorry Carlos.

Carlos is only one example of hundreds of deaths, which occur each year, at the workplace. Safety programs to educate workforces only work if they are followed, and in many instances they are not. And so, each year, mothers, fathers and children are told that someone is not coming home. The losses are immeasurable, and all workers have to take personal responsibility to ensure they go to their families at the end of the day.

April 28th is a Day of Mourning in the construction industry. Let’s honour those with the calloused hands, which have given their lives to build and to provide comfort. Let’s be careful out there so that the ladders we climb don’t go higher than necessary.

It’s 4 a.m. Time to be a working man, I am.

Manuel DaCosta


For Carlos…

The hands of a working man Working all day in the sun Every morning there is a mountain to move By the end of the day it’s done Patty Loveless

São 4h da manhã e, como tantas outras vezes, o alarme toca. As crianças estão a dormir e ele beija a mulher ao dizer adeus. “Tem cuidado”, diz ela. E ele, ainda com o corpo dorido do dia anterior, olha para as suas mãos com calos e sabe que está na hora de mais um dia de trabalho. Como diz, tem de alimentar e proteger a família. Faça calor, frio ou vento, o trabalho continua. A dor nos seus músculos demonstra que foi cumprido mais um dia de trabalho honesto, e ele sabe que pode regressar para perto da sua família, com um sentimento de satisfação por lhes providenciar mais um dia de conforto. As crianças correm para junto dele para dizer olá e para saberem como ele se sente. A dor acumulada e a sujidade do seu corpo cansado precisam de um banho para renovar o homem que está dentro da sua pele. O seu dia começa outra vez, com o momento fugaz de ser pai e marido, antes de repousar o seu corpo cansado para se preparar para o dia seguinte.

No verão de 1997, o José e o Carlos (pai e filho) saíram das suas casas, disseram adeus à mãe Maria e seguiram em direção ao local de trabalho para começar mais um dia. O edifício tinha 25 andares de altura e eles chegaram ao topo. Às 9h30 o Carlos caiu e morreu. E com o Carlos, morreu também o espírito de muitas pessoas. O pai e a mãe perderam um filho, que levou consigo o seu espírito e deixou-os para sempre de coração partido.

Na empresa para a qual trabalhava, esta tragédia irá para sempre afetar todos os seus colegas e, sem saberem como a enfrentar, as nossas mentes estão perdidas tentando perceber como confortar aqueles que mais sofrem. Como é que podemos confortar alguém pela morte de um ser humano?

A nível pessoal, todos os dias, eu penso no Carlos e o meu coração sofre pela sua família. No dia em que ele morreu, tornei-me um homem mais pequeno, com um sentimento de culpa extrema, porque não o consegui proteger. A minha vida nunca mais foi a mesma e o Carlos estará no meu pensamento até ao dia em que eu morrer. Peço desculpa Carlos.

O Carlos é apenas um exemplo de centenas de mortes que ocorrem todos os anos no local de trabalho. Os programas de segurança para educar a força laboral apenas funcionam se forem cumpridos e, em muitos casos, não são. E por isso, todos os anos, às mães, aos pais e às crianças é-lhes dito que alguém não vai voltar a casa. As perdas são imensuráveis e todos os trabalhadores têm de assumir responsabilidades para garantir que, no fim do dia, irão ter com as suas famílias.

Na indústria de construção, o dia 28 de abril é o Dia de Luto. Vamos honrar aqueles que têm as mãos com calos, que deram as suas vidas para construir e providenciar conforto. Vamos ter cuidado, para que os escadotes que subimos não sejam mais altos do que o necessário.

São 4h da manhã. É tempo de ser um homem trabalhador – eu sou.

Manuel DaCosta

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