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Estudantes internacionais triplicaram durante a última década

Canadá

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Vinícius, Soraya e Helena. Crédito: DR.

O que é que queres fazer quando cresceres? Para algumas pessoas, esta poderia ser uma questão fácil, para outras, nem tanto. O Canadá tem 96 universidades que em conjunto fornecem cerca de 15.000 tipos de cursos. O número não inclui faculdades ou instituições privadas. Em 2019, 1,4 milhões de estudantes estavam matriculados em universidades. Ontário é a província canadiana onde podemos encontrar mais universidades e faculdades, o que não é uma surpresa, uma vez que é também a província mais populosa. Ontário tem 20 universidades e 24 Colleges e tem 11 das principais universidades canadianas.

Mas nem todos os estudantes nascem no Canadá. Ano após ano, as universidades canadianas recebem um grande número de estudantes internacionais que são muito importantes para as receitas destas instituições.

Ontário é de longe o maior beneficiário dos estudantes estrangeiros no Canadá, com dados de 2019 que mostram que 48% da população estudantil internacional do Canadá ou quase 307.000 pessoas. Em declarações ao Milénio Stadium a Ministra dos Colleges e Universidades de Ontário, Jill Dunlop, reconheceu que “os estudantes internacionais são uma parte importante do sector pós-secundário de Ontário que reflete a educação de alta qualidade oferecida pelos Colleges e universidades”. O governo de Ontário promete continuar a criar condições para facilitar o acesso destes alunos ao ensino canadiano, nomeadamente a nível de empregabilidade. “Isto inclui assegurar que os estudantes tenham acesso aos serviços de que necessitam, que as ligações ao mercado de trabalho sejam maximizadas e que as comunidades e instituições beneficiem do impacto positivo que os estudantes internacionais podem proporcionar, tanto durante os seus estudos como depois de formados”, concluiu.

Depois de Ontário, surge a Colúmbia Britânica (23%) e o Québec (14%). Mas estes estudantes internacionais são originalmente de onde? A grande maioria vem sobretudo de dois países: Índia e China (56%). Parte da explicação pode ser o elevado nível de língua inglesa que cumpre os critérios das universidades canadianas. A Índia é responsável por um terço dos estudantes estrangeiros do Canadá e a China é o segundo com 22%. A Coreia, França, Vietname e os EUA seguem-se depois da China e o Brasil surge em oitavo lugar na tabela.

Em 2015, as universidades canadianas tinham 7.450 estudantes brasileiros matriculados, mas em 2019 o número aumentou para 14 560 (os dados são da Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá – IRCC).

Brasil é o 8.º país com mais estudantes internacionais nas universidades canadianas

Vinicius Secatti, de 34 anos, reside hoje em Toronto e trabalha na área das Tecnologias da Informação (IT). O brasileiro disse ao nosso jornal que a ideia de emigrar sempre esteve presente desde cedo. “Sempre tive o sonho de morar fora do Brasil. Sou de São Paulo, mas com 15 anos mudei para Manaus onde acabei por me formar na área onde trabalho hoje. Desde que ouvi uma palestra com um informático no secundário que me interessei muito por IT”, contou.

Inicialmente o jovem tinha pensado em vir para Winnipeg, Manitoba, mas depois de obter o visto de estudante decidiu-se por Toronto. “O meu processo de visto de estudante demorou cerca de 6 meses e acabei por vir para o Centennial College, de Scarborough, porque tinha boa reputação e já tinha lá um amigo a estudar no mesmo curso, nem cheguei a ver rankings de empregabilidade”, explicou

Vinicius completou um ano lectivo no Centennial e cinco meses depois conseguiu o seu primeiro emprego na sua área de formação. Desde 2017 que trocou apenas uma vez de emprego. “O meu primeiro emprego no Canadá foi na Bombardier onde não gostava muito do ambiente de trabalho e os salários e os benefícios não eram tão bons como no meu atual emprego. Agora gosto mais do ambiente de trabalho e tenho melhores benefícios”, disse.

A história deste brasileiro que fez cerca de 5,546 km desde Manaus, na Amazónia até Toronto, é semelhante à de muitos brasileiros que rumam ao Canadá com a intenção de se tornarem residentes permanentes. “O meu processo foi rápido e barato porque muitas das pessoas que conheço tiveram de estudar cá dois anos e gastaram o dobro do dinheiro. Por um ano de estudo paguei $15,000, três vezes mais do que um aluno canadiano paga. Tenho amigos que fizeram Business e que também encontraram emprego na área, mas não sei se é assim tão rápido noutras áreas”, informou.

Na turma deste informático existiam 60 alunos, cerca de 13 brasileiros e um canadiano. A maioria esmagadora da turma eram alunos estrangeiros naturais da Índia.

Os estudantes internacionais do Canadá triplicaram durante a última década para 642.000 em 2019. A nível mundial, os EUA são o país com mais estudantes internacionais, com 1,1 milhões, seguido pela Austrália, com 700.000 e o Canadá com 642.000.

De acordo com o Canada Bureau for International Education (CBIE), os estudantes internacionais escolhem o Canadá por duas razões principais: a grande qualidade da educação e a reputação como sociedade multicultural e tolerante. Além disso, 60% destes estudantes internacionais informaram ao CBIE que estão interessados em tornar-se residentes permanentes no Canadá depois de concluírem os seus estudos.

Dados do governo canadiano revelaram que os estudantes internacionais contribuem anualmente com cerca de $22 mil milhões para a economia do país e ajudam a manter mais de 170.000 empregos.

Joana Leal/MS

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