Entrevista Exclusiva: Uma Conversa com o (In)Sensivel, mas sempre atento Mr. Grinch

No alto da montanha, isolado na sua caverna, longe do burburinho da cidade, vive o Grinch, o famoso personagem verde que já tentou roubar o Natal. Entre uma chávena de chá e um olhar mesquinho, aceitou falar connosco sobre temas atuais, desde tecnologia e sustentabilidade até cultura pop, sempre com a sua típica visão sarcástica e direta.
Lisbeth Domingues: Olá, boa tarde, Grinch! Obrigada por nos receberes no teu refúgio na montanha e por aceitares esta entrevista, sabendo nós o quão reservado és. Prometemos ser breves. Para começar: como vês o mundo atual, com tanta tecnologia, redes sociais e alterações climáticas?
Mr. Grinch: Boa tarde… ou boa sorte a todos, dependendo do ponto de vista. Sim, podia estar a desdenhar das pessoas que andam a perder tempo com o Natal, mas decidi fazer diferente este ano e daí conceder-vos esta entrevista. Espero só que não demore muito, não abusem da minha “bondade”. Pois, o mundo está um caos, e eu só observo enquanto bebo o meu chá quente, coisa que mais ninguém faz. Toda a gente fala de salvar o planeta, mas ninguém quer largar o smartphone; até as árvores parecem ter Wi-Fi agora…. É cómico e triste ao mesmo tempo.
LD: Já que falas em tecnologia, o que pensas da inteligência artificial e do impacto que tem no mundo?
MG: Máquinas a escrever livros, pintar quadros, aconselhar pessoas… o meu coração até se encolhe. Usa-se a IA sem critério, substituindo pensamento, criatividade e originalidade por instruções automáticas. Já falam com ela como se fosse psicóloga! Mas admito: se uma IA tentasse roubar o Natal, aí sim teríamos um problema sério. Falta-lhe a minha elegância rabugenta.
LD: E as redes sociais? Imagino-te bem longe delas.
MG: Longe? Mesmo aqui no monte consigo ouvir os cliques, os likes e os filtros. Se tivesse redes sociais, só partilhava fotos de humanos a tropeçar, sem filtros e sem sorrisos falsos. Seria a minha versão do Natal: real e sem embrulho. Nas redes tudo é perfeito, bonito e artificial. Se as pessoas vivessem como publicam, o mundo seria melhor. Mas não vivem. Ao menos as quedas são reais… e engraçadas.
LD: Falando no Natal, achas que perdeu o verdadeiro sentido?
MG: Absolutamente. Antes era sobre estarem todos juntos, rir, partilhar. Hoje é sobre comprar, mostrar e acumular. Mas vou admitir que consigo ficar sensibilizado ao ver alguém a ajudar outro sem esperar recompensa. Isso até aquece o meu coração que, por sinal, cresceu, mas não tanto como a fatura da eletricidade em dezembro. O Natal, atualmente, resume-se a consumismo!! Em outubro já vemos lojas a promover decorações e prendas para o Natal, depois vem a Black Friday com promoções natalícias…quando chega o dia tudo se resume a: jantar em família; quem pode, pois, cada vez mais vemos o número de pessoas carenciadas a aumentar; desembrulhar presentes e acabou. Com tanto consumismo, daqui a alguns anos o Natal não passará apenas lembrança boa do passado.
LD: Os fenómenos climatéricos extremos são cada vez mais frequentes. O que pensas sobre sustentabilidade e alterações climáticas?
MG: Isso preocupa-me mesmo. O planeta sofre: poluição, aquecimento global, desflorestação. Mas ninguém quer abdicar do conforto. Produz-se lixo sem reciclar, cortam-se árvores como se fossem descartáveis e compram-se coisas inúteis. Esquecem-se que o planeta é o maior presente que recebemos. Ao menos eu tento não contribuir para o caos.
LD: Disseste que não ligas a redes sociais, mas estás bem informado. E quanto à música e entretenimento, segues alguma tendência?
MG: Apenas de forma crítica. Filmes, séries, memes… tudo muito barulhento. Ainda assim, uma série que faça rir ou pensar vale mais do que cem anúncios de aplicações desnecessárias. Na música, então, é tudo “mais do mesmo”: artistas diferentes, músicas iguais, muito comerciais e descartáveis. Já não se fazem canções como Bohemian Rhapsody, Don’t Stop Believin’, Canção do Engate, O Sopro do Coração ou Sou Como um Rio. E claro, todos os anos nesta altura descongelam a Mariah Carey com All I Want for Christmas Is You. Faz-se muito, mas com pouca qualidade.
LD: Com tudo isto, ainda há esperança para a humanidade?
MG: Há sempre esperança… mas poucos querem ouvir o Grinch a dizer “acordem!”. Tudo começa quando cada um passa a importar-se verdadeiramente com o que interessa. Talvez, só talvez, se cuidarem uns dos outros e da natureza, o coração cresça um pouco. Ui… estou a ser contagiado pelo espírito outra vez. Socorro!
LD: Para terminar, que conselho deixas aos nossos leitores?
MG: Meninos e meninas, adultos também incluídos: não deixem que o barulho digital, o consumismo ou o medo roubem a vossa alegria. A felicidade não vem em caixas de presente, nem em likes, por isso, pensem menos em presentes e mais em ações. Sejam genuínos, sinceros e originais pois isso são qualidades que nenhuma máquina tem; são qualidades únicas que distinguem cada ser humano. Às vezes, até um velho rabugento e verde pode ensinar isso, não tenham medo de serem “Grinch” de vez em quando. E lembrem-se: o Natal é uma desculpa para serem gentis… não para serem perfeitos. Que este tempo vos ajude a encontrar o verdadeiro Espírito de Natal!!!
Lisbeth Domingues/MS







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