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É sempre Natal!…

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Credito: Ben White

Este ano e no essencial, com tantas famílias separadas preventivamente pelos necessários cuidados de saúde, dirijo algumas breves palavras sobre o Natal a todos aqueles que, em consequência da pandemia que nos está a afetar e das medidas restritivas da nossa liberdade que estão a ser tomadas e que nos impedem de manifestar fisicamente todos os nossos afetos, não podem comemorar o Natal na forma a que sempre se habituaram.

Gostaria que este pequeno texto exaltasse a chama anímica que nos impele a festejar estes dias simbólicos, recheados de ternas recordações, premiando a condição de estarmos vivos e o desejo supremo de que todos os amigos e familiares possam igualmente estar de boa saúde. 

Nestes tempos conturbados e de grandes limitações em que vivemos, o melhor Natal, enquanto festa associada ao prazer de nos sentirmos como parte de uma família, é aquele em que não pouparemos esforços para mantermos a família e nós próprios com a desejável saúde. Esta é a mais razoável atitude que deve caracterizar o nosso comportamento no Natal de 2020!

Sabemos todos, crentes ou não, que este ano muitos não vão festejar esta quadra natalícia da forma tradicional, que durante tantos anos nos enchia de felicidade, pelo prazer de reunirmos todas famílias na ceia de Natal e sentirmos a presença dos ascendentes e descentes numa confraternização afetuosa entre todos. Sabemo-lo de facto, mas quantas vezes nos esquecemos de outrora em que, nesses mesmos momentos, quantas famílias se encontravam incompletas, por morte ou doenças graves de alguns seus entes queridos, por obrigações profissionais exigentes ou porque alguns se encontrarem em missões militares, entre outras situações? Neste último caso, porque já passei por isso, lembro-me bem do meu próprio desespero e de todos os da minha geração que, durante a guerra colonial, desterrados a milhares de quilómetros de casa, sentíamos a enorme solidão daquela noite de Natal abafando as lágrimas, recordando outros felizes momentos desta festa em família e como fazíamos da tristeza a alegria por saber que, nessa mesma noite, todos os outros estavam no nosso coração reunidos e de boa saúde.

Foram e são tempos em que sentimos mais profundamente a ausência de alguns dos nossos familiares e amigos, porque estamos vivos! Razão pela qual a saúde de todos é o elemento essencial para que, no Natal, sejam preenchidos os sentimentos mais felizes da nossa existência.

Porque nem o Natal é propriedade do “Pai Natal”, nem a alegria que transmite é proporcionada pelos ding-dong das sinetas das suas renas, a atmosfera comercial que envolve esta época, embora desta vez seja muito restritiva e minimalista, quando comparada com anos anteriores, mas mesmo assim ainda com muita gente “mascarada” preventivamente a circular nas ruas, absortas com a escolha das prendas para oferecer, esta euforia comercial acaba por nos ajudar a perceber o sentido da dádiva durante as comemorações do Natal. 

Não sou apologista do exaustivo ambiente comercial que rodeia estas festividades mas, no entanto e porque todos os meus presépios contemplam os Reis Magos e as suas oferendas a Jesus, também eu acabo fazendo parte desse ritual procurando, em passo apressado pelas limitações de tempo, as ofertas que mais possam satisfazer aqueles que me rodeiam, estejam ou não sentados à minha mesa de Natal.

Mas o Natal não é apenas um depositário de tradições, adornado de manifestações animadas por lojas e centros comerciais que nos rodeiam, ou pela alegria e satisfação da reunião familiar que nos pode proporcionar. Ele comemora o nascimento do “Messias” que, pela sua simbologia, evoca a esperança num “Homem Novo”, capaz de desobstruir os obstáculos que impedem a nossa união, humanizando as nossas relações e perspetivando um mundo mais equilibrado. No entanto e pese embora a esperança que sempre nos acompanha, considerando os acontecimentos que marcaram o mundo e afetaram a paz e o bem-estar entre os homens, este 2020 não foi um ano de referência para atingir esses objetivos. 

Muitos milhares/milhões de pessoas vão sentir-se num péssimo Natal! Mas, como a pandemia, as guerras e conflitos ou os desastres ecológicos, não colocam em causa a perpetuidade dos princípios e valores que estão subjacentes ao Natal e apenas a morte poderá calar os nossos desejos em viver num mundo melhor, o Natal, por tudo aquilo que a sua celebração encerra é, sobretudo, uma festa da vida e de tudo aquilo que possamos fazer para a preservar.

Por isso, não se sintam tão infelizes por, eventualmente, não poderem festejar este tempo natalício na forma a que estavam habituados, reunindo todos os familiares e amigos em torno de uma mesa recheada dos seus melhores acepipes tradicionais e no meio da chilreada dos pequenotes. Festejem com a moderação afetuosa a presença dos que puderem estar presentes e ergam a vossa taça à saúde de todos os presentes e ausentes. Assim, estarão efetivamente a cuidar da melhor prenda que podem proporcionar a todos…a sua saúde!

Bem sei que a magia do Natal é produzida por um conjunto de fatores que não dispensam a proximidade com todos aqueles que amamos e a sua falta entristece-nos. Mas, essa magia natalícia, é sobretudo um sentimento, um estado de espírito que nos envolve e que supera a distância que nos pode momentaneamente separar.

Por isso e com todos os constrangimentos atuais, este Natal não será igual aos outros mas…é sempre Natal!

Desejo a todos o melhor Natal possível.

Luis Barreira/MS

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