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“É importante lembrar que os nossos membros têm direito à mesma presunção de inocência que qualquer outra pessoa” – Jon Reid – Toronto Police Association

 

Cerca de 1,3 milhões de dólares é este o valor que os contribuintes estão a pagar para garantir os salários de 31 polícias de Toronto que estão suspensos. Este é o valor acumulado de 2024, estamos em maio.
São centenas, na realidade, os polícias de Ontário que foram mandados para casa, sem remuneração, depois de terem sido acusados de má conduta ou de violarem a lei.

A investigação recolheu informações disponíveis ao público sobre agentes de 44 departamentos de polícia, incluindo o Serviço de Polícia de Toronto.
As suspensões da polícia de Toronto estão relacionadas com uma grande variedade de alegações, incluindo violência com base no género, condução sob o efeito de drogas, fraude, discriminação racial e acusações de consumo de drogas. Os agentes foram, na sua maioria, acusados criminalmente.
Entre janeiro de 2013 e abril de 2024, 119 agentes do Serviço de Polícia de Toronto foram suspensos um total de 130 vezes – alguns mais do que uma vez. Todos receberam o seu salário integral, o que representa uma fatura total de 31 milhões de dólares para os contribuintes. A 9 de abril, pelo menos 31 agentes da polícia de Toronto ainda estavam suspensos, 69 voltaram ao trabalho, 12 demitiram-se, cinco foram despedidos e três reformaram-se. A maioria dos polícias foram pagos para ficar em casa durante quase um ano, mas quatro foram suspensos com salário, durante mais de sete anos.

Os dados basearam-se em informações publicamente disponíveis, compiladas e verificadas através de várias fontes noticiosas, comunicados de imprensa da polícia e da Unidade de Investigações Especiais, bem como registos judiciais e disciplinares. O Serviço de Polícia de Toronto afirmou que efetua, em média, 30 suspensões por ano, pelo que poderá haver mais suspensões pagas do que as contabilizadas nos números.
Com base nestes dados, pareceu-nos conveniente ouvir a opinião da Toronto Police Association e, amavelmente, o seu presidente, Jon Reid acedeu à solicitação, garantindo-nos que apesar de ser óbvio que os polícias têm que ter uma forma mais elevada de viver em sociedade, são humanos e também falham.

Milénio Stadium: Até que ponto podemos atribuir a culpa deste caso específico a um sistema que não funciona como esperado e que não é igual e justo para todos?
Jon Reid: A Associação da Polícia de Toronto limitou os seus comentários públicos sobre este assunto e continuará a fazê-lo até que o Auditor tome uma decisão final. Temos sido claros na nossa expetativa de que todos os aspetos do processo disciplinar sejam realizados de forma justa e equitativa, independentemente do posto, e que as sanções sejam aplicadas de forma proporcional. Esperamos também que, quando este assunto estiver concluído, a organização analise cuidadosamente os seus processos de promoção e o impacto em todos os membros.

MS: Para além deste caso, há vários outros que surgem na esfera política, com maior ou menor impacto mediático – acha que podem gerar um sentimento de impunidade no cidadão comum, do tipo “se eles infringem a lei, eu também posso infringi-la”?
JR: Não sei se esta pergunta se refere a políticos ou a polícias, mas no que respeita à polícia, não, não creio que seja esse o caso. Os polícias têm, com razão, um estatuto mais elevado, mas também são seres humanos que enfrentam os mesmos desafios que qualquer outra pessoa. A maior parte dos cidadãos reconhece a distinção, compreende as regras do direito que regem a sociedade civil e age em conformidade.

MS: De outra perspetiva, o facto de sabermos destes casos não pode ser visto como um sinal de que, de certa forma, o sistema está a funcionar bem?
JR: A polícia está sujeita a mais níveis de controlo do que qualquer outra profissão, muitos dos quais estão disponíveis para os meios de comunicação social e para o público. Embora concordemos que a transparência e a responsabilidade são importantes para construir e manter a confiança entre a polícia e o público, é importante lembrar que os nossos membros têm direito à mesma presunção de inocência que qualquer outra pessoa e têm direito a um processo justo antes de se fazerem suposições e/ou julgamentos sobre toda a profissão.

MB/MS

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