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De mãe de um…para três!

 

lizandra ongaratto - milenio stadium

 

A importância da chamada “rede de apoio”, e a falta que a ausência de uma provoca, acredito que é uma das primeiras coisas que uma mãe expatriada como eu, aprende já que sente na pele essa dificuldade. Esse foi um dos primeiros pensamentos que tive assim que me foi dada a tarefa de escrever, do meu ponto de vista, como é ser mãe aqui no Canadá. Afinal, conversando com amigas, tanto daqui quanto do Brasil, minha terra natal, acredito que as dúvidas, anseios e dificuldades que passamos no maternar não mudam tanto conforme o país que você mora, agora as circunstâncias de criar um filho, aí sim, mudam bastante.

Crescer longe dos avós, tio(a)s e primo(a)s acredito ter um impacto bem grande no desenvolvimento de qualquer criança e mesmo que a tecnologia tenha facilitado essa comunicação, nada substituiu o dia a dia, a rotina dos encontros presenciais que simplesmente não existem ou são raros quando se mora a milhares de quilômetros dos parentes. Perde a criança e perdem os pais, que deixam de ter os famosos “vale-nights”, aqueles momentos para irem jantar sozinhos ou irem ao cinema, sabendo que o filho está sendo bem cuidado pelos avós ou familiares. Do ponto de vista emocional, ser imigrante e não ter a família por perto, intensifica a carga emocional para lidar com as desventuras e desafios da maternidade, que acredito eu, podem ser mais leves quando se está na sua terra, cercada daquilo que lhe é familiar.

Em termos financeiros, acredito que o Canadá proporciona alguns benefícios que são muito bem-vindos para casais com filhos, como é o caso do “Canada Child Benefit”, programa do governo federal que oferece uma quantia mensal baseada na renda conjunta dos pais e que é pago desde o nascimento até aos 18 anos do cidadão. Outra questão que aprecio bastante aqui é a duração da licença-maternidade, podendo ser de 12 a 18 meses, tempo que considero adequado para estabelecer esse primeiro vínculo entre mãe-filho.

Quando esse período da licença-maternidade acaba é que começa outro grande desafio para as famílias imigrantes. Sem poder contar com as tradicionais ajudas dos avós ou outros familiares para tomar conta da criança, as opções que costumam se apresentar são as de inscrever um filho numa homedaycare ou numa daycare licenciada. Começam aí diferentes desafios, que vão desde conseguir uma vaga em uma creche, uma tarefa que não é fácil já que as listas de espera são enormes em centros urbanos como Toronto, culminando com o pagamento das mensalidades, que muitas vezes variavam entre os $1500 a $2000. Quanto mais nova a criança mais cara a taxa. Devido a esses valores exorbitantes para uma família de classe média, muitas mães “desistem” de retornar aos empregos depois da licença-maternidade, já que a conta entre o que iria se ganhar de salário e a mensalidade não fechavam.

A boa notícia é que agora essa realidade parece estar mudando desde a implementação do programa do governo federal, em parceria com o de Ontário, que já reduziu significativamente os valores das mensalidades das creches, na minha casa por exemplo, já estamos pagando metade do valor que era de costume pela creche do meu filho. A promessa é de que até setembro de 2025 se atinja a meta dos $10 dólares/dia. Claro que será preciso a criação de novas vagas, algo que o governo tem consciência e diz estar preparado para executar. Se isso de fato acontecerá, veremos num futuro próximo.

Foi em meio a essas notícias mais animadoras, e depois do meu filho ter completado três anos de idade, que eu e meu marido começamos a cogitar a ideia de ter um segundo filho em terras canadenses. Afinal, como já mencionei, essas questões de crescer longe da família e consequentemente de forma mais solitária, fez com que pensássemos ainda mais na importância de dar um irmão ou irmã ao filho mais velho. Eis que vem o destino e não só atende nosso pedido, como em dobro. Sim, grávida mais uma vez e não apenas de um, mas de dois meninos. Confesso que a notícia foi extremamente assustadora num primeiro momento, afinal, toda a conjuntura da família mudará a partir da chegada de mais duas crianças, começando pelo fato de que eu e meu marido estaremos em minoria…dois adultos para três crianças!

Pois então, 2023 começa com um baita desafio para mim e para minha, agora, numerosa família. Desafios do ponto vista emocional, físico, e claro, financeiro. De mãe de um…me vejo agora prestes a me tornar mãe de três e cheia de dúvidas de como será essa nova dinâmica e o nosso futuro por aqui, mas também ao mesmo tempo com a certeza de que esses dois menininhos chegam para completar nossa família e expandir ainda mais a minha capacidade de amar e lutar para proporcionar para eles o melhor que puder.

Lizandra Ongaratto/MS

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