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Covid-19 sem fair-play

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Competições suspensas, recintos despidos, cortes salariais, quebra nas receitas, clubes próximos de fechar portas: foi (e continua a ser) este o impacto da pandemia no mundo desportivo. Vamos analisar algumas variáveis e “medir” o pulso ao desporto no mundo. Mas podemos já adiantar que a sua saúde já viu melhores dias…

Desvalorização de jogadores

Neymar foi o jogador que mais perdeu valor de mercado – pelo menos foi a esta conclusão que a KPMG chegou num relatório que divulgou recentemente. A empresa de consultoria internacional analisou a crise financeira provocada pela pandemia que vivemos e de que forma é que o valor de mercado de vários jogadores foi afetado.

Entre agosto e outubro deste ano a KPMG diz que o brasileiro que veste a camisola 10 do Paris Saint-Germain não só viu o seu valor de mercado cair 18 milhões de euros como também desceu dois degraus no ranking dos atletas mais valiosos do futebol mundial: ocupa o quarto lugar, atrás de Jadon Sancho, do Borussia Dortmund (135 milhões de euros – uma queda de 550 mil euros), e de Raheem Sterling, do Manchester City (138 milhões de euros, menos 2,50 milhões). Quem lidera este ranking é um colega de Neymar no PSG: Kylian Mbappé, que não sofreu qualquer desvalorização e está avaliado em 200 milhões de euros.

Bruno Fernandes é o jogador português mais valioso neste ranking (87,5 milhões de euros, tendo desvalorizado 240 mil euros neste período), seguido de Bernardo Silva (que, pelo contrário, valorizou 4,1 milhões de euros, estando agora avaliado em €80,6 milhões), João Félix (também ele a ver o seu valor aumentar em 3,29 milhões de euros para um total de €78,30 milhões) e Cristiano Ronaldo (€68,6 milhões, viu o seu valor cair 3,04 milhões de euros).

Desigualdades ainda mais evidentes

Um estudo publicado pelo Observatório do Futebol (CIES), que se debruçou sobre os 31 campeonatos europeus – e onde se inclui, obviamente, o português -, conclui que a pandemia agravou as desigualdades entre clubes (principalmente os que têm mais dificuldades financeiras) por toda a Europa, obrigando-os a recorrer aos jogadores vindos da formação. “As equipas menores tiveram de reduzir as suas ambições ainda mais que as maiores. Para esses clubes, o futuro imediato é, mais do que nunca, de luta pela sobrevivência. Neste contexto, os clubes que construíram estruturas de treino e formação sólidos são aqueles que têm melhores condições para ter sucesso desportivo e financeiro”, pode ler-se.

Os prejuízos

São várias as notícias que vão dando conta do impacto negativo que a Covid-19 tem tido em clubes um pouco por todo o mundo: recentemente e a título de exemplo, o Tottenham, treinado pelo português José Mourinho anunciou perdas de 63,9 milhões de libras (71,8 milhões de euros) até 30 de junho deste ano.

Este “aperto” é causado, em grande parte, pela interdição de adeptos no estádio, o que levou a uma grande quebra nas receitas – em Inglaterra, as portas fecharam-se em março. No entanto, ao que parece, há uma luz ao fundo do túnel em terras de Sua Majestade: conforme anunciou o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, os adeptos vão regressar a alguns estádios de Inglaterra já a partir de dia 2 de dezembro. Mas há limites: os estádios só poderão preencher até 50% da capacidade, com um limite entre 2.000 e 4.000 espectadores.

Os patrocínios desportivos, uma outra importante fonte de receitas, caíram entre 20% e 30% após a pandemia.

Cortes e mais cortes

O futebol feminino sofreu (e continua a sofrer, convenhamos) com falta de apoios e cortes salariais – foi a conclusão a que a Associação Internacional de Futebolistas Profissionais (Fifpro) chegou num estudo realizado junto de 62 países, incluindo Portugal. 47% dos países inquiridos procederam a cortes salariais ou suspensão de vencimentos.

Já no futebol masculino foram várias as notícias que vieram a público de cortes salariais nas equipas: Juventus, F.C. Porto, Sporting, Manchester United, Real Madrid, Bayern Munique e Borussia Dortmund são apenas alguns exemplos.

Recentemente, a Liga espanhola comunicou aos clubes da primeira e segunda divisão os novos tetos salariais, onde se pode claramente verificar o impacto financeiro da pandemia. O Real Madrid é o clube que mais pode gastar (468,529 milhões de euros) mas, ainda assim, vê o orçamento levar um corte de 173 milhões de euros em relação ao ano anterior. Já o Barcelona não poderá ultrapassar os 382,717 milhões de euros – uma quebra de 274 milhões de euros.

As reivindicações

Em Portugal, no dia 2 de novembro, o primeiro-ministro António Costa recebeu uma carta aberta do Comité Olímpico de Portugal (COP), do Comité Paralímpico de Portugal (CPP) e da Confederação de Desporto de Portugal (CDP) onde estes solicitam “iniciativas públicas robustecidas” para fazer face à crise desportiva que o país atravessa, constatando uma ausência de medidas “com impacto direto no desporto”.

As modalidades

O mundo do desporto vive dias difíceis, mas as modalidades, especificamente, veem agravar-se uma situação que, por si só, já não era “famosa”.

Nas modalidades de pavilhão, o futuro é visto com grande incerteza, dadas as reduções significativas nos orçamentos. Uma das soluções encontradas foi a aposta nos jogadores nacionais e da formação.

Acontece que um dos maiores problemas é, precisamente, o impacto nos escalões de formação, onde muitos jovens não estão a competir ou sequer a fazer desporto, o que terá consequências a nível pessoal, social e, é claro, nos resultados e rendimento desportivos.

Grandes eventos como o Campeonato Mundial de Atletismo, a Maratona de Boston e os Jogos Olímpicos viram a sua realização ser adiada para 2021.

No Canadá, Toronto e Peel Region iniciaram recentemente um novo “lockdown” de 28 dias como forma de combate a esta pandemia:  arenas, pistas de curling e outras instalações recreativas encontram-se fechadas ao público em geral. No entanto, equipas profissionais como os Maple Leafs continuam a poder treinar e preparar aquilo que esperam ser o retorno à competição em janeiro de 2021.

O foco nos eSports

Já sabemos que a necessidade aguça o engenho – e no desporto não é diferente. A pandemia veio estabelecer novas parcerias – ou até reforçar as já existentes – entre clubes desportivos e empresas de tecnologia computacional de todo o mundo.

Com a interdição de público em estádios, arenas e pavilhões, os conteúdos digitais ganharam mais força: no caso dos clubes de futebol, estes não só conseguem chegar ao público mais jovem como também encontram nesta aposta uma forma de expandir a sua influência.

O FC Schalke 04, da Bundesliga, é um dos clubes pioneiros no setor dos eSports, tendo criado uma equipa para competir no League of Legends, um jogo de estratégia onde duas equipas de cinco jogadores competem entre si e que conta com a participação de mais de 100 milhões de jogadores por mês em todo o mundo!

Em Portugal, o Sporting foi um dos primeiros a nível nacional e internacional a criar de raiz uma divisão de eSports, contratando alguns dos melhores talentos portugueses.

Inês Barbosa/MS

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