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Como estamos de saúde mental?

 

 

Muito bom dia. Ora viva. Meio de junho. Grande ano de maratona. Daqui a nada é véspera de consoada. Até rimou. Juro-lhe que não foi intencional. 🙂

Espero que esteja a desfrutar do bom tempo e que aproveite ao máximo.

Como já vem sendo habitual, a equipa do jornal Milénio reúne-se semanalmente para trocar ideias, limar arestas e, sobretudo, colocar em cima da mesa dos leitores assuntos e temas de relevância. Nunca temas banais. Assuntos que nem sempre agradam a quem os leem, mas que são de estrita necessidade.

Esta semana vamos abordar algo que a massa masculina não vai querer admitir, mas que é cada vez mais uma grande realidade: a saúde mental dos homens, enquanto ativos e inseridos na sociedade. Sem medos, sem vergonhas. A vida acontece e há que lidar. Ao fim do dia somos todos humanos, temos qualidades, defeitos e algumas fraquezas. Então vamos lá tentar perceber o que provoca e o que se pode fazer para atenuar.
Afinal, por que precisamos falar sobre a saúde mental dos homens?

Discutir a saúde mental dos homens é um tema que ainda encontra muita resistência na nossa sociedade, principalmente por parte deles. Além de tradicionalmente procurarem menos assistência médica preventiva, os homens são menos propensos a conversar sobre as suas emoções, angústias e ansiedades.

Mas simplesmente ignorar o assunto está longe de resolver o problema. Dados do Ministério da Saúde apontam que a taxa de mortalidade por suicídio entre homens é de 9,2 para cada 100 mil. Este índice é quase quatro vezes maior do que o registado entre mulheres. Não encarar a depressão como uma doença é um dos fatores que os impede de procurar tratamento adequado.

De entre os principais distúrbios mentais que mais afetam os homens, destacam-se:

  • Ansiedade;
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);
  • Desordem do espectro do autismo;
  • Transtorno bipolar;
  • Transtorno de personalidade;
  • Depressão;
  • Distúrbios alimentares;
  • Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC);
  • Transtorno de stress pós-traumático;
  • Psicose;
  • Esquizofrenia;
  • Abuso de substâncias e dependência química;
  • Pensamentos suicidas.

E quais são as origens e consequências de não tratar adequadamente a saúde mental dos homens? Ao que tudo indica e vem a ser demonstrado, trata-se de um problema cultural com raízes profundas. Ao mesmo tempo que o homem moderno enfrenta cobranças relacionadas com o emprego, carreira e estabilidade familiar, por exemplo, ainda existe uma ideia de que, além de tudo isso, eles devem manter-se inabaláveis e não precisam entrar em contato com as suas emoções.

A ideia da masculinidade, embora progressivamente desconstruída, ainda valoriza muito o silêncio masculino, interpretando-o como uma prova de virilidade, o que não é verdade. Ao “engolirem” os seus medos, sentimentos e frustrações, eles acabam por prolongar e intensificar a sua própria angústia, resultando em problemas de saúde, psicológicos e comportamentais.

Um exemplo está nos casos de impotência sexual de origem emocional. Frequentemente relacionada a fatores como o stress, ansiedade e baixa autoestima, que acaba por atingir o orgulho masculino que relaciona virilidade à potência sexual. Isso cria um efeito bola de neve na mente do homem, enquanto repleto de stress, agora tem mais uma preocupação.

Sem saber lidar com a situação e relutantes na procura do atendimento profissional, muitos homens acabam por se tornarem dependentes de químicos e, principalmente, do álcool. Contudo e ao tentar encobrir sintomas ou esquecer os seus problemas, acabam por acumular problemas de saúde, como doenças cardíacas e hepáticas, além de potencializarem os problemas psicológicos já existentes.

Nem sempre a pessoa que está a passar por problemas psicológicos será a primeira a perceber ou a procurar ajuda. Por isso, é importante manter-se atento em relação a si mesmo e às pessoas próximas. Como em muitos casos, os homens têm resistência na procura de ajuda médica ou psicológica, o primeiro passo ao perceber estes sintomas com alguém próximo é mostrar-se aberto à conversa e manter uma atitude realmente acolhedora e sem julgamentos.

Vivemos num mundo que pode ser realmente sufocante para todos nós, sem distinção de género. Oferecer e/ou procurar ajuda é um ato de amor consigo próprio e de respeito com todas as pessoas que fazem parte da sua família ou vida e que estejam no seu ciclo mais chegado.

Fazer o bem. Ouvir e emprestar um ombro amigo por vezes como dizemos em inglês “Goes a long way”.
Cuidar da alma, do espírito e da mente é cada vez mais essencial. É o que é, e vai valer sempre o que vale.
E já agora não se esqueça de assistir e também de participar no Roundtable de hoje, pelas seis horas da tarde horas de Toronto, com Manuel DaCosta nas lides do programa, onde a falar é que a gente se entende.

Até já e fiquem bem,

Cristina DaCosta/MS

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