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Cerco apertado

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Créditos: DR

Se há assunto que tem gerado discussão e muita falta de consenso é a vacinação contra a Covid-19. Seja porque se teme que a vacina não esteja devidamente testada e, portanto, salvaguardada a sua segurança, ou porque se acredita que a gravidade da doença não justifica a administração de determinados componentes que a integram e que se receia possam transportar consigo efeitos secundários indesejados, ou ainda para os mais radicais, que acreditam em assustadoras teorias da conspiração e outras similares, a verdade é que são ainda muitos os que não a querem tomar.

Só que a liberdade de decisão que foi concedida a todos os cidadãos (nos países onde, como é o caso do Canadá, a vacina não é obrigatória), está agora a ser contrariada com a imposição de leis e regras que, na prática, tornam a vacinação obrigatória para quem quer continuar a viver em sociedade. O cerco está cada vez mais apertado, em nome da defesa da saúde pública e até económica de diversos países. Quem quiser viajar, quem quiser jantar ao almoçar fora, quem quiser divertir-se em discotecas ou bares, e até quem quiser trabalhar (em cada vez mais setores do mundo do trabalho), terá que estar devidamente imunizado, com a vacinação completa. E se para dar umas “voltas” na noite de Toronto, ou outra cidade semelhante, muitos estão a “resolver a questão” com falsificações manhosas dos certificados de vacinas, há muitas outras atividades essenciais onde tal artimanha não é suficiente. É aqui que os que se têm mantido firmes na sua convicção de não se vacinar, começam a sentir que não têm alternativa. Clama-se então pelos direitos que estão, no entender dos que se opõem às vacinas, a ser coartados.

Hoje trazemos o exemplo de uma mulher, enfermeira de profissão, que até há muito pouco tempo resistiu e afirmou que não queria tomar a vacina. Ela que até pertence a equipas de imunização e administra vacinas. Ela que permaneceu a desempenhar as suas nobres funções de proteção da vida humana. Esta é uma entrevista que revela muito o que está a acontecer neste momento na sociedade. Convidamo-lo a ler, porque nesta conversa com esta mulher (com nome alterado para proteção da entrevistada), encontramos muito do que está neste momento na cabeça de tantos – a frase “não tenho alternativa”.

Milénio Stadium: Quais são as razões que a levaram a receber apenas agora a sua primeira dose da vacina contra o Covid-19?

Ana Lopes: Até à semana passada as principais razões que me levaram a esperar tanto tempo para receber a minha vacina tinham que ver com a minha liberdade de pensamento e escolha pessoal.

MS: Porque decidiu tomá-la agora? O que mudou?

AL: O meu trabalho e muitas oportunidades futuras estavam em jogo. Com a implementação da vacinação obrigatória – se eu não estivesse em conformidade com esse requisito, seria despedida de todos os meus empregos atuais e, infelizmente, não me seria possível candidatar-me a novos cargos ou oportunidades devido à exigência do estatuto de vacina completa.

MS: Inicialmente teve a oportunidade de ser vacinada, até antes do cidadão comum, mas decidiu não o fazer, apesar de ainda estar a trabalhar num Hospital – alguma vez receou ser aquela que acabaria por infetar os seus pacientes, sabendo que, sem a vacina, é mais provável que fiquemos infetados?

AL: Para além das vacinas, todos nós obtivemos uma quantidade abundante de informação sobre como nos mantermos seguros e saudáveis. Compreendi os riscos do meu estado de vacinação e os seus efeitos na segurança de todos, incluindo o meu próprio, mas com isto, não vivi com medo. Apesar de não ter sido vacinada, isto não impediu a minha diligência com as práticas de autoproteção e higiene.

MS: É uma das enfermeiras que tem estado ativamente a vacinar a comunidade. Se alguém viesse ter consigo antes de receber a vacina e lhe perguntasse os riscos de ser vacinado, o que lhe diria? Informação científica disponibilizada pelos órgãos oficiais ou a sua opinião como profissional de saúde?

AL: Forneci aos meus clientes as informações científicas mais atualizadas sobre vacinas, eficácia e segurança. Muitos pacientes compreenderam os benefícios e riscos com a implementação e administração de uma nova vacina. Se os pacientes ainda estiverem inseguros mesmo depois de discutir a vacina comigo, encorajo sempre a que discutam esse assunto mais aprofundadamente com os seus prestadores de cuidados primários, caso tenham quaisquer outras questões ou preocupações. O preconceito pessoal não é bem-vindo nos cuidados de saúde – cada paciente é um indivíduo autónomo com o direito de fazer as suas próprias escolhas de tratamento médico, independentemente das minhas próprias crenças ou preconceitos.

MS: Todos os membros da sua família receberam a vacina antes de si. Eles pediram que lhes desse primeiro a sua perspetiva?

AL: Os membros da minha família não pediram a minha perspetiva primeiro antes de receberem a vacina. Eles receberam as suas vacinas por razões semelhantes – principalmente receios relacionados com a perda de emprego.

MS: O que pensa da implementação do passaporte Covid-19 no Ontário?

AL: Vivendo num mundo tecnológico, não estou surpreendida com a implementação do passaporte Covid-19 no Ontário. A maioria, senão todas, as nossas informações pessoais podem ser acedidas online. Portanto, que diferença faz ter mais uma informação disponível por aí, neste momento?

Catarina Balça/MS

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