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Caminho alternativo

milenio stadium - naturopatia

 

Tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos ao redor de todo o mundo – sobretudo na sociedade ocidental – e a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece os seus benefícios: a medicina alternativa é mais do que uma simples moda e assume hoje um papel de grande destaque entre aqueles que procuram “algo mais” para além daquilo que a medicina tradicional consegue oferecer. O crescimento constante do sistema de produção, comercialização e o próprio consumo de produtos naturais, as reivindicações dos terapeutas da área pelo reconhecimento legal deste tipo de abordagem, o aparecimento de associações profissionais e de cursos de nível superior ligados à medicina alternativa e a regulamentação do exercício profissional são provas disso mesmo.

Nesta edição do jornal Milénio Stadium dedicámo-nos a descobrir mais sobre este verdadeiro fenómeno, e nada melhor do que começar com um pequeno “bê-à-bà” do que é, para que serve, quem procura e ainda que riscos se associam a este mundo alternativo de medicina.

O QUE É E PARA QUE SERVE

Por definição, a medicina alternativa engloba diversas práticas e procedimentos de cuidado de saúde que não se inserem/ não são considerados parte da medicina convencional e, por isso, não se integram no sistema de cuidados de saúde dominante em determinada região, tendo como grande propósito contribuir para melhorar a saúde e bem-estar dos indivíduos, complementando – e não substituindo – a medicina tradicional.

Importa referir que quem recorre ou pensa em aderir a terapêuticas de medicina alternativa não necessita de mudar em nada o seu estilo de vida. Além disso, este tipo de medicina não exclui a possibilidade de se fazer, em simultâneo, diversas terapêuticas, incluindo as da medicina dita convencional.

Aqui não são utilizadas drogas (medicamentos) nem são realizadas cirurgias. O paciente é analisado e tratado como um todo, sendo que todas as suas características – sejam elas físicas, mentais, emocionais e/ou espirituais – são todas em conta.

QUE MODALIDADES EXISTEM?

As terapias alternativas podem ser divididas em três grandes grupos:

  • As que fazem uso interno de substâncias de origem vegetal, animal ou mineral – e essas mesmas substâncias podem ser concentradas (como acontece na ayurveda e na fitoterapia), diluídas (caso da homeopatia, das terapêuticas florais e da aromaterapia) – ou que recorrem a meios físicos (como a hidrocolonterapia, a ayurveda, a acupuntura, a moxabustão e a quiropraxia);
  • As que adotam o uso externo de substâncias de origem vegetal, animal ou mineral, como a ayurveda, a cristaloterapia e a hidroterapia);
  • E as que não utilizam quaisquer substâncias (cromoterapia, reiki e calatonia).

Entre as mais procuradas estão a medicina chinesa – que engloba a moxabustão, onde se queima moxa seca (a raiz da planta artemísia) e onde o objetivo é aquecer e revigorar o sangue, estimular o fluxo de energia e facilitar a cicatrização, e a ventosaterapia, um tipo de massagem onde se colocam várias peças esféricas de vidro ou plástico aquecidas no corpo, permitindo a libertação de obstruções e toxinas na superfície da pele – a aromaterapia, técnica utilizada há mais de 5 mil anos e onde se usam aromas e óleos de plantas medicinais para melhorar o bem-estar físico, emocional e espiritual, a ayurveda, medicina alternativa indiana, que se baseia na crença de que a saúde e o bem-estar dependem do equilíbrio entre a mente, o corpo e o espírito e que, assim, utiliza diferentes terapêuticas como a cromoterapia, meditação, fitoterapia e contempla também a prática de ioga, e a acupuntura, que consiste em inserir agulhas na pele e nos músculos, como forma de corrigir desequilíbrios, podendo ser utilizada no tratamento de doenças como alergias ou artrite reumatoide. Esta é possivelmente uma das terapias alternativas mais praticadas e reconhecidas em todo o mundo.

QUEM A PROCURA?

As razões para a procura e a adesão a este tipo de métodos de tratamento são muitas e variadas: ainda assim, o receio associado às cirurgias e o medo das contraindicações associadas à toma de determinados medicamentos prescritos na medicina convencional estão entre as principais. Para além disso, muitas vezes a medicina alternativa é vista como um “último recurso”: não raras vezes, pacientes com cancro encontram neste tipo de terapias a sua última esperança de acabar com a doença, por exemplo.

O facto de serem “publicitados” como tratamentos naturais, sem contraindicações ou efeitos colaterais associados, que previnem doenças e que, ao trabalhar o corpo e a mente, promovendo a harmonização do organismo, melhoram a nossa qualidade de vida, também acaba por ser um grande chamariz.

Finalmente, grande parte dos pacientes vai à procura de algo que não consegue encontrar na medicina tradicional: empatia e compreensão. Ser olhado como um ser único e não como “mais um”. Fugir ao diagnóstico e tratamento padronizado, encontrar uma maior atenção às suas características individuais. Afinal, quase todos já ouvimos relatos – ou sentimos na pele – acerca da frieza, desprezo ou distância por parte do profissional de saúde.

As diferentes modalidades de medicina não convencional são procuradas sobretudo por pessoas da classe média e alta da sociedade.

OS PERIGOS

A medicina alternativa não tem, até ao momento, qualquer evidência científica que a suporte – a única exceção à regra é a acupuntura médica, que cada vez mais tem vindo a dar provas da sua eficiência, através de diversos estudos realizados.

Além disso, ela não é aprovada por alguns médicos e os resultados podem demorar mais tempo a chegar. Existe ainda a questão das doses das substâncias terapêuticas: apesar de naturais, quando administradas erradamente ou em excesso podem causar danos à nossa saúde. No caso dos chás, por exemplo, é importante saber se o paciente não tem alergia a alguma das folhas ou ervas.

Ainda que a maioria destas terapêuticas seja segura e possa ser realizada sem grandes preocupações, o ideal será sempre optar por este tipo de tratamento quando feito por profissionais e após recomendação médica, fazendo sempre exames regulares.

Mas o facto mais assustador e perigoso é que existem pessoas que se dizem profissionais e, na realidade, não possuem qualquer formação médica para estarem em atividade.

Em suma, esta pode ser realmente uma medicina alternativa e natural e, em casos específicos, com eficácia comprovada… mas está longe de estar isenta de riscos. Pesquise, informe-se e pense bem antes de tomar a decisão de optar por este caminho.

Inês Barbosa/MS

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