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“Cada vez mais os big buyers da construção exigem que todos os trabalhadores da construção civil nas suas instalações sejam totalmente vacinados”

Council of Ontario Construction Associations

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Créditos: DR

Em meados de setembro, os dois maiores general contractors do país na área da construção civil, PCL Construction e EllisDon, anunciaram que iam implementar requisitos de vacinação COVID-19 para tornar o local de trabalho seguro para os seus empregados. Até 1 de novembro os funcionários vão ter de provar que estão totalmente vacinados contra a COVID-19, independentemente do local onde estão a trabalhar. 

A partir de novembro quem não quiser ser vacinado vai ter a opção de apresentar um teste negativo à COVID-19. Quem não puder ser vacinado por razões médicas tem de apresentar um comprovativo.

Num comunicado de imprensa divulgado em setembro, as duas empresas sublinham que esperam que a maioria dos empreiteiros gerais e parceiros sub-comerciais em todo o Canadá se juntem a eles em breve.  Apesar da nova política continuam em funcionamento todos os protocolos que visam diminuir a transmissão, como por exemplo distância social, uso de máscara, rastreios e testes rápidos.

A EllisDon nasceu em London, Ont, e atualmente emprega 5.000 funcionários e tem 15 escritórios nacionais e internacionais. A PCL é um grupo de empresas de construção independentes que trabalha no Canadá, EUA, Caraíbas e Austrália. Juntas a EllisDon e a PCL têm um volume anual superior a $10 mil milhões.

Para o Council of Ontario Construction Associations (COCA), uma organização que representa mais de 10.000 empresas de construção civil e mais de 400.000 funcionários, a política de vacinação obrigatória é bem-vinda porque o que os empregadores mais temem são os custos de um surto de COVID-19 nos seus locais de trabalho. O presidente, Ian Cunningham, disse ao nosso jornal que não tem razões para acreditar que a percentagem de trabalhadores não vacinados na construção civil é maior do que noutros setores da sociedade.

MS: Desde 22 de setembro que o Governo do Ontário tem implementado uma nova política de vacinação COVID-19. Qual é o feedback que o COCA está a receber dos membros?

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Ian Cunningham. Créditos: DR.

Ian Cunningham: Está bem documentado na ciência que a melhor forma de impedir a propagação da COVID-19 e da sua variante altamente infeciosa e mortal Delta, para reduzir o número de hospitalizações, internamentos em cuidados intensivos e mortes, é através de vacinações em massa.  Após a administração de centenas de milhões de doses no Canadá e em todo o mundo, as vacinas provaram ser altamente eficazes e seguras. Quanto mais habitantes de Ontário forem vacinados, melhor será a nossa província e mais cedo poderemos voltar a ter um modo de vida mais normal. A política implementada pelo Governo de Ontário é baseada no risco, é concebida para impedir a propagação do vírus e incentiva a vacinação. Como indicação da eficácia da política, após a sua introdução, as vacinações aumentaram acentuadamente.  Assim, em geral, tem sido bem recebida.

MS: Tem conhecimento de alguma carta de advertência no setor da construção?

IC: Não tenho conhecimento de qualquer carta de aviso prévio emitida pelo governo a assinalar a introdução da nova política COVID-19.  No entanto, não era segredo que o governo estava a contemplar este tipo de medida antes da sua introdução.

MS: A COVID-19 acrescentou mais custos para as empresas?

IC: O custo que os empregadores da construção civil mais temem é o custo de um surto de COVID-19 nos seus locais de trabalho. Esses custos são enormes.  Dias de perda de produtividade quando a obra é encerrada e os trabalhadores são colocados em quarentena.  O custo de não cumprir um horário de trabalho na íntegra e os custos de ter a força de trabalho desmoralizada.  É por isso que os empreiteiros e os seus trabalhadores abraçaram os protocolos de saúde e segurança da COVID-19 no local de trabalho de forma tão entusiástica e eficaz.

MS: Quem é que está a pagar os custos extra?

IC: A maioria das medidas COVID-19 tiveram o efeito de abrandar a produtividade e aumentar os custos. Isto inclui os custos de EPI (Equipamento de Proteção Individual) adicionais, os custos associados à pré-seleção, a administração de testes rápidos de antigénios onde foram implantados, o distanciamento físico e a higienização.  Até agora, os empreiteiros têm absorvido estes custos muito significativos, apesar de trabalharem ao abrigo de contratos feitos antes do início da pandemia que estipulam os preços que vão ser pagos pelo trabalho que realizam. Não têm existido medidas implementadas pelos governos que sirvam para compensar estes custos. 

MS: Na semana passada, o Governo do Ontário tornou as vacinas COVID-19 obrigatórias para os trabalhadores do long-term care. Acha que é apenas uma questão de tempo até que as vacinas se tornem obrigatórias no setor da construção? Qual é a percentagem de trabalhadores vacinados no setor da construção civil?

IC: Cada vez mais os big buyers da construção exigem que todos os trabalhadores da construção civil nas suas instalações sejam totalmente vacinados.  Assim, os trabalhadores não vacinados que normalmente trabalham nos projetos dos grandes compradores institucionais podem descobrir que as oportunidades para as suas competências podem tornar-se escassas. Além disso, várias grandes empresas de construção civil exigiram que todos os seus trabalhadores fossem totalmente vacinados. Espero que estas tendências se mantenham. Não tenho razões para crer que a percentagem de trabalhadores da construção que permanecem não vacinados seja significativamente diferente da percentagem da população em geral que não é vacinada.

MS: O setor da construção espera que as coisas fiquem mais fáceis com o código QR no dia 22 de outubro?

IC: Para os locais de trabalho que têm uma política de vacinação obrigatória em vigor, o código QR deve racionalizar o rastreio das pessoas que entram nos locais de trabalho.

Joana Leal/MS

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