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“As memórias nunca, nunca morrem” – Adelaide

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Há 60 anos, Toronto viu chegar Adelaide. Os pais já cá estavam, tinham vindo anos antes para preparar a vida. A pequena Adelaide ficou em Portugal a viver com a avó e a ligação que tinham era profunda. Daí que, nos primeiros tempos no Canadá, as saudades eram muitas – “quando os meus pais vieram eu era pequenina e depois quando cheguei aqui eles praticamente eram estranhos para mim e aí foi a parte pior”.

Percebe-se então que Adelaide tenha sofrido particularmente quando chegou o Natal. As saudades da avó aumentaram ainda mais. Da avó e dos doces de Natal que ela fazia – “eram uns bolinhos de abóbora. E eu lembro-me da minha avó fazer isso. E marcou-me tanto… o Natal, para mim, era isso e mais tarde eu comecei a fazer esses bolinhos também. Até mesmo quando casei. A minha ex-sogra pedia para eu fazer só isso. Digo-lhe que foi uma das coisas que eu me lembrava pequenina e lembrava-me da minha avó a fazer isso”.

Toronto, principalmente na altura do Natal, no entanto, começou a cativar a pequena Adelaide: “era completamente diferente. Eu vinha de Arcos de Valdevez.

O meu pai, penso que para me animar, começou a levar-me num passeio pela baixa de Toronto para ver as montras. Iluminadas, cheias de cor. Assim começou uma tradição que tínhamos os dois – todos os Natais íamos ver o Natal em Toronto. Antigamente era muito animado. Isso também está na minha memória até hoje”.

O Natal de hoje, a forma como as pessoas o vivem é muito diferente daquilo que era antigamente, na opinião de Adelaide que responde de forma categórica à pergunta – os valores de Natal estão diferentes? “Completamente. Completamente. Eu acho que antigamente era mais simples, mas era outra coisa, era outra alegria. Hoje é uma pessoa a andar para trás e para a frente. É uma barafunda.

Não acho que o sentimento do Natal seja isso. Eu digo muitas vezes que temos que procurar regressar à base. Ao que realmente importa. Infelizmente não é isso que fazemos. É por isso que eu vou para Portugal hoje.
Por causa dos meus netinhos. Eu podia ter ido mais cedo, mas tinha prometido aos meus netinhos que os levava a tomar o pequeno-almoço com o Pai Natal. E foi o que eu fiz. E não podia mudar de ideias. Porque eu também quero criar memórias para os meus netos. Isso é que é importante, isso é que é uma coisa certa. As memórias nunca, nunca morrem”.

Relativamente ao facto de estarmos a viver um Natal pós-pandemia, Adelaide pensa que algumas pessoas podem ter aprendido alguma coisa com tudo o que vivemos, mas outras não aprenderam nada. “Deviam ter aprendido que a família é muito importante.

Que o que importa é estarmos juntos, com aquele amor e aquele carinho e esquecer as inúmeras coisas materiais. Acho que nós, muitas vezes, estamos focados nas coisas erradas”.

Madalena Balça/MS

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