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Amor engarrafado

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Créditos: DR

Eles são “apenas” um de muitos atributos de Portugal – os vinhos, sejam eles regionais (de qualidade superior, produzidos com até 85% de uvas de uma região específica),  D.O.C (Denominação de Origem Controlada) ou Q.P.R.D. (Qualidade Produzido em Região Determinada), fazem parte da história, da tradição e dos costumes do país.

Mas nem sempre foi assim: todo o processo de cultivo, fabrico e, consequentemente, a qualidade desta apaixonante bebida foram sofrendo enormes alterações ao longo dos tempos, sobretudo a partir da segunda metade do século XIV, que culminaram no sucesso que hoje conhecemos.

Dados recentes divulgados pela ViniPortugal – associação privada sem fins lucrativos e entidade gestora da Marca Wines of Portugal, que se dedica, há mais de 20 anos, a desenvolver ações de promoção dos vinhos portugueses por todo o mundo -, revelam que a exportação de vinhos portugueses entre janeiro e fevereiro deste ano foi superior em comparação ao mesmo período de 2020. Mais precisamente, registou-se um aumento de 2,96%, para um total de 121 milhões de euros. Entre os principais destinos estão França (16,67 milhões de euros, -3,93%), Estados Unidos da América (13,25 milhões de euros, -14,72%), Brasil (9,34 milhões de euros, +36,64%), Alemanha (7,65 milhões de euros, +12,09%) e Canadá (7,60 milhões de euros, +7,86%).

Nesta edição do jornal Milénio Stadium tivemos a oportunidade de ver respondidas, por parte da ViniPortugal, algumas questões relativas a todo este universo da exportação deste verdadeiro “amor engarrafado”, que como já percebemos tem vindo a alcançar um cada vez maior sucesso, com especial enfoque no mercado canadiano.

Milénio Stadium: Em que princípios assenta a estratégia da ViniPortugal para a comunicação dos vinhos portugueses pelo mundo?

ViniPortugal: A ViniPortugal comunica internacionalmente os vinhos através da marca Wines of Portugal que assenta no slogan de “A world of difference”. De facto, Portugal, apesar de ser um pequeno país em área terrestre, tem uma enorme diversidade interna no que concerne a microclimas e castas nativas, sendo até o país europeu com maior diversidade de castas em função da área. Portugal é, no que aos vinhos diz respeito, um Mundo de Diversidade. Essa é a nossa diferenciação em relação aos demais países: trabalhamos essencialmente vinhos de lote e com castas nacionais.

MS: De uma forma geral, que tipo de vinhos portugueses são mais procurados fora do país? Mais concretamente, quais os que fazem mais sucesso no Canadá e que tipo de público é que os consome?

VP: De uma forma geral, todas as regiões de vinho portuguesas têm vindo a conquistar mercado no Canadá. As três regiões que mais têm exportado são o Douro, Lisboa e Vinhos Verdes, embora todas as outras regiões estejam a crescer. Nos últimos cinco anos, os vinhos portugueses foram os que mais cresceram em volume nas importações totais de vinho no Canadá, o que mostra bem o sucesso que os nossos vinhos têm nesse mercado.

MS: O mundo dos vinhos necessita, também ele e hoje mais do que nunca, de estar em constante “mutação” para acompanhar os diferentes gostos e estilos de vida de consumidores de todo o mundo?

VP: Claramente. Aliás, a evolução de qualidade e de estilos de vinho em Portugal tem sido muito evidente nos últimos anos. O gosto dos consumidores vai mudando com o tempo e o setor dos vinhos é muito ativo a acompanhar essas tendências e a adaptar-se aos novos gostos. O sucesso que os vinhos portugueses têm conquistado um pouco por todo o mundo mostra bem a nossa adaptação aos mercados e aos novos estilos de vinho em ascensão.

MS: Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, as exportações de vinhos portugueses assinalaram um considerável aumento em 2020, quando comparadas com o ano anterior –  não só em volume (5,3%), mas também em valor (3,2%) o que se traduz em cerca de mais 26 milhões de euros em relação a 2019, para um total de 846 milhões de euros. Quais os mercados mais importantes e que mais contribuem para estes resultados?

VP: Em 2020 Portugal foi um dos poucos países que cresceram em volume e em valor as suas exportações. Os principais mercados não mudaram, mantendo-se França, EUA, Reino Unido, Brasil e Canadá como os principais destinos.

MS: A manutenção da aposta nos mercados da América do Norte, como é o caso do Canadá, e nos mercados de elevada quota de mercado é um dos grandes objetivos da ViniPortugal. Esse objetivo tem vindo a ser cumprido, mesmo agora com as condicionantes provocadas pela pandemia?

VP: Sim, claramente. O Canadá mantém-se como um dos países onde mais investimos, sendo atualmente o 4º mercado com maior investimento. Apesar de todos os constrangimentos provocados pela pandemia, temos conseguido executar os investimentos, embora em moldes diferentes do habitual. Dado que não nos foi possível realizar ações presenciais nesse mercado, fizemos mais investimento em televisão e em promoção em lojas. Também no que concerne à forma de promover tivemos de nos adaptar, mas com grande sucesso nas ações alternativas que implementámos.

MS: Como olham para o futuro? O que pretendem alcançar (a curto, médio e longo prazo) no mercado canadiano?

VP: Atendendo ao sucesso que os vinhos portugueses têm vindo a alcançar no Mundo e muito especificamente no Canadá, naturalmente que olhamos para o futuro com muito otimismo. O nosso objetivo é crescer a um mínimo de 5% ao ano nos próximos anos, por forma a atingir os 55 milhões de exportação para este mercado em 2022.

Inês Barbosa/MS

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