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A marca portuguesa no TIFF 2022

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Após dois anos em que o TIFF teve de se transformar para sobreviver ao confinamento, 2022 promete um forte regresso deste que é um dos mais prestigiados festivais de cinema da América do Norte. O Toronto International Film Festival está aí para agitar a cidade e traz consigo o TIFF Festival Street. São mais de 200 filmes em exibição vindos de diferentes países do mundo, sendo que 63 verão a sua estreia nos ecrãs de Toronto. A organização revela que pelo menos 10 trabalhos com marca lusófona vão estar no festival este ano, numa oportunidade única de levar a sétima arte nacional além fronteiras.

O Departamento de Comunicação do TIFF adianta que a participação especificamente portuguesa em 2022 destaca-se nas co-produções em trabalhos como “Will-O’-The-Wisp”, uma colaboração entre Portugal e França com a realização de João Pedro Rodrigues, o filme “Pacifiction”, co-produção entre Portugal, Espanha, França e Alemanha com a realização de Albert Serra e “Dry Ground Burning”, produzido entre Portugal e o Brasil, com realização de Joana Pimenta e Adirley Quieros. Mas não é só nas curtas e longas metragens que podemos encontrar a presença portuguesa. Nesta edição do TIFF, Ana Paula Lopes integra a organização no papel de diretora do festival e foi junto dela que descobrimos todos os detalhes.

Ana+Lopes - milenio stadiumMilénio Stadium: Qual a representação portuguesa nesta edição do TIFF em contraste com edições anteriores do festival?
Ana Lopes: Há 10 filmes no TIFF deste ano que são de Portugal ou colaborações que Portugal fez com outros países, como as colaborações com a França e o Brasil. Esta é uma presença muito significativa no festival. No ano passado não tivemos filmes portugueses, mas tivemos Portugal em destaque na Conferência da Indústria como localização ideal de filmagem e produção de cinema. Temos ótimas relações com a Portugal Film Commission.

MS: O quão relevante é para o cinema português ter a oportunidade de ter obras em exibição num evento da dimensão do TIFF, um festival tão prestigiado na América do Norte?
AL: Penso que é importante para Portugal e para os seus realizadores, produtores e criadores continuar a enviar trabalhos para o TIFF. É uma oportunidade muito boa para os cineastas poderem ter acesso a novos mercados e expor novas audiências as suas narrativas. Todas as vozes são bem vindas no TIFF é uma oportunidade fantástica de promover narrativas femininas, comunidades marginalizadas e histórias que de outra forma não teriam recebido destaque. Faz parte da nossa missão promover todas estas histórias.

MS: Sendo uma apaixonada pelas artes, como está a ser a experiência de integrar a equipa do TIFF nesta edição?
AL: Sempre me senti muito tocada pelo objetivo central do TIFF, que é “transformar a forma como as pessoas veem o mundo através do cinema”. Essa afirmação faz sentido para mim e para o meio milhão de pessoas que visitam o TIFF, seja durante o festival ou ao longo do ano nas exibições da Bell Lightbox. Esta afirmação diz-me muito porque eu sou apaixonada por artes – penso que as artes são o coração da expressão humana – eu adoro as narrativas e tenho interesse em aprender com as histórias que leio, que escuto através da música, que são interpretadas através do cinema, tela ou outras formas de arte. Fazer parte do TIFF é uma experiência muito especial. Somos o melhor festival público de cinema no mundo e as nossas audiências são imensamente sábias e influentes. Toronto é um campo de testes ideal para filmes e o nosso público invariavelmente escolhe os filmes que se tornarão grandes vencedores. Somos reconhecidos internacionalmente como o festival público mais influente do mundo.
O TIFF também oferece exibições, palestras, festivais, workshops, apoia a indústria e a oportunidade de conhecer cineastas de todo o mundo através da sua programação durante todo o ano. Somos uma das 5 marcas mais reconhecidas do Canadá em todo o mundo. Por muitas razões, tenho orgulho em apoiar o TIFF e o seu trabalho.

MS: Durante a sua carreira em Toronto tem participado em muitas áreas e organizações distintas, desde negócios a projetos no setor da saúde. Já fez parte de outras iniciativas ou projetos na área cultural?
AL: A minha carreira na saúde consistiu em trabalhar com o Boards of Sunnybrook Health Sciences Centre, o Women’s College Hospital e o Centre for Addiction and Mental Health Foundation (CAMHF). O meu outro compromisso tem sido com as artes, sendo diretora da Writers’ Trust of Canada e membro de longa data da Toronto Symphony Orchestra. Atualmente sou diretora da Toronto Symphony Orchestra Foundation. Uma grande cidade precisa de grandes instituições culturais. Quando pensamos em grandes cidades, pensamos nas suas instituições como museus, orquestras, companhias de ballet, etc. – Paris, Londres, Berlim, Nova Iorque, Milão, e sim, Lisboa com a Fundação Gulbenkian (entre muitas outras). Essas instituições inspiram criadores, contam histórias e são grandes impulsionadores financeiros para a economia.

MS: Tendo em conta que estamos no regresso de uma pandemia, quais são os desafios e objetivos de organizar este evento em 2022?
AL: A pandemia tornou os últimos dois anos extremamente desafiadores para o TIFF. Não tínhamos a certeza se eventos públicos como festivais de cinema sobreviveriam e questionámos o nosso futuro. Mas o TIFF continuou a trabalhar com os seus colaboradores em todo o mundo. Inovámos e tornámo-nos híbridos ao permitir que as pessoas usufruam do cinema em suas casas. E agora estamos de volta pessoalmente. A equipa do TIFF trabalhou com a indústria cinematográfica em todo o mundo para trazer o melhor do cinema, séries e liderança de pensamento. Algumas das maiores estrelas do mundo, como Olivia Coleman, Daniel Craig, Stephen Spielberg, Oprah, Taylor Swift, Harry Styles, etc. estarão em Toronto durante estes 10 dias. A imprensa de entretenimento de todo o mundo estará focada na nossa cidade e devemos estar muito orgulhosos disso.

Telma Pinguelo/MS

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