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A jornada das Jornadas

Slidelisboa - milenio stadium

 

Um evento como as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), envolve, como é fácil de imaginar e perceber, um enorme planeamento – não só por parte de quem organiza como também de quem nelas participa. Como sabemos, este ano o evento religioso acontecerá na capital portuguesa, Lisboa, entre os dias 1 e 6 de agosto e são esperadas cerca de 1,5 milhões de pessoas.

Destinadas aos jovens (entre os 14 e os 30 anos de idade) de todo o mundo – tenham eles uma ligação mais ou menos próxima com a Igreja – as JMJ prometem ser “uma experiência marcante e transformadora”, assente na partilha de experiências, criação de novas amizades e procura de paz e união. Fique agora a conhecer alguns dos principais pontos – logisticamente falando – das JMJ 2023.

A INSCRIÇÃO

Feita através de uma plataforma online, a inscrição neste grande encontro não só dá acesso a todos os eventos previstos para a JMJ Lisboa 2023 como garante outras vantagens, tais como seguro, gratuitidade dos transportes públicos durante o período da Jornada e o kit de Peregrino (cujos detalhes ainda não foram divulgados mas que incluirá produtos oficiais JMJ Lisboa 2023). Para além disso, e dependendo do tipo de pacote escolhido, os participantes terão direito a alojamento, alimentação e “um conjunto de informações necessárias para uma experiência plena nestes dias únicos”, conforme se pode ler no website oficial do evento.

OS PACOTES

Apesar da participação nos eventos centrais – que incluem a Missa de Abertura, Acolhimento, Via Sacra, Vigília e Missa de Envio – ser (supostamente) gratuita, os peregrinos são encorajados a fazer um “pagamento da contribuição de participação”, cujo valor depende do tipo de Pacote escolhido. A organização explica que, desta forma, “o participante ajuda na cobertura das despesas associadas à organização deste grande encontro” e que a inscrição é importante e necessária “para o Comité Organizador Local planear apropriadamente o acolhimento dos peregrinos, nomeadamente o alojamento, a alimentação e os meios de transporte”.

Assim, existem três modalidades diferentes de inscrição, com diferentes Pacotes, cujas diferenças assentam na duração da permanência em Lisboa e pelo conteúdo, atendendo “às diferentes necessidades dos grupos de peregrinos” – todos eles incluem o kit do peregrino, seguro de acidentes pessoais e transporte gratuito durante o período da Jornada. Entre os 13 pacotes disponíveis podemos salientar os mais completos, que incluem alojamento, alimentação, transporte, seguro e kit do peregrino, desde a noite de 30 de julho (jantar incluído) até à manhã de 7 de agosto (pequeno-almoço incluído) ou desde a noite de 31 de julho (jantar incluído) à manhã de 8 de agosto (pequeno-almoço incluído) – tudo isto por um valor de 255€.

Já o pacote de menor valor (50€) inclui apenas transporte, seguro e kit do peregrino para a Vigília e Missa de Envio, de 05/08/2023 a 06/08/2023.

O ALOJAMENTO

No website oficial das JMJ obtemos a informação que, durante o evento, apesar de se dar preferência ao alojamento em família, os jovens serão também acolhidos em instalações públicas ou espaços coletivos (tais como pavilhões, escolas, ginásios, quarteis de bombeiros, etc.) e paróquias, “distribuídos pelas Dioceses de Lisboa, Setúbal e Santarém”, sendo que se tem como objetivo que “o tempo máximo de deslocação seja 2 horas”.

Sabe-se que cada família de acolhimento tem de acolher pelo menos dois peregrinos por família/casa e que “deverão disponibilizar uma área adequada para que os peregrinos possam pernoitar, com um mínimo de 2m² por peregrino” – e por “área” entende-se “um quarto, sala, sótão ou uma cave, com ou sem camas, desde que cumpram com os requisitos mínimos de conforto e segurança”.

Mas para quem opta, no momento da inscrição, por um pacote que não inclui alojamento pode ver as despesas dispararem: em Almada, o aluguer de um apartamento durante a semana da JMJ pode custar mais de 3.000 euros e em Fátima 8.000 euros, conforme se pode constatar numa rápida pesquisa em plataformas online.
Em Lisboa, de 31 de julho a 7 de agosto, são encontradas ofertas que vão desde os cerca de 190 euros por pessoa num dormitório misto com quatro beliches e casa de banho partilhada, até 1.800 euros num apartamento com dois quartos. Nos hotéis os preços variam entre os 900 euros (duas estrelas) e 7.000 euros (cinco estrelas), por semana.

Já nos arredores da cidade, um quarto duplo ou ‘twin’ num hotel de quatro estrelas em Santa Iria de Azóia ( a uma distância de cerca de 20 km de Lisboa) pode ultrapassar os 1.700 euros.

Em Fátima, cidade situada a cerca de 130 km de Lisboa e onde está prevista uma visita do Papa Francisco, é possível alugar um apartamento com três quartos por qualquer coisa como 8.000 euros – na semana anterior, o mesmo apartamento pode ser alugado por menos de 1.800 euros. A pesquisa mais barata nesta cidade é de 335 euros, que dá direito a uma cama em beliche, num dormitório misto, com casa de banho partilhada, numa casa de hóspedes a cinco minutos a pé do Santuário.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica(ASAE) já avançou que está atenta aos anúncios de alojamento, sobretudo para aqueles em que não existe contrato assinado. A autoridade vai também fiscalizar a especulação de preços durante o evento, tendo já alertado, contudo, que as multas aplicadas noutros grandes eventos acabaram por ficar sem efeito nos tribunais.

A ALIMENTAÇÃO

Existirá a possibilidade dos participantes recorrerem a áreas da Jornada Mundial da Juventude ou, se preferirem, a restaurantes ou outros pontos de alimentação de parceiros externos.

O PROGRAMA

Ainda que o programa destas JMJ esteja sobre permanente atualização e os horários e locais ainda não tenham sido divulgados, existe já uma calendarização dos eventos que decorrerão durante toda a semana, sendo eles:

Segunda-feira
Deslocação e receção de peregrinos

Terça-feira
Deslocação e receção de peregrinos
Missa de abertura

Quarta-feira
Rise Up
Festival da Juventude
Cidade da Alegria (Parque do Perdão + Feira Vocacional)

Quinta-feira
Rise Up
Festival da Juventude
Cidade da Alegria (Parque do Perdão + Feira Vocacional)
Acolhimento
Via Sacra

Sexta-feira
Rise Up
Festival da Juventude
Cidade da Alegria (Parque do Perdão + Feira Vocacional)
Acolhimento
Via Sacra

Sábado
Peregrinação até ao local da vigília
Vigília

Domingo
Missa de envio
Encontro do Santo Padre com os voluntários

As principais cerimónias acontecerão no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, onde será construído o altar-palco e onde está previsto realizar-se a missa de abertura, o acolhimento do Papa e a via-sacra. No entanto, o evento passará também não só por outras zonas de Lisboa, tais como o Terreiro do Paço, a Alameda D. Afonso Henriques, o Parque Eduardo VII e o Parque da Belavista como também se vai estender a Oeiras, onde se realizará o encontro do Papa com os voluntários.

A SEGURANÇA

Ainda não foi divulgado, até ao momento, um plano de segurança e emergência para as Jornadas Mundiais da Juventude.

Espera-se, contudo, que o espaço aéreo junto ao recinto principal no Parque Tejo-Trancão e a circulação de embarcações no rio sejam interditos. A realização do evento deverá implicar ainda a reposição das fronteiras terrestres temporariamente, como de resto também aconteceu noutras deslocações do Papa a Portugal, no entanto, tal decisão implica coordenação com o Executivo de Espanha. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) faz, para já, parte dos organismos envolvidos na preparação do plano de segurança do evento – ainda assim, não nos podemos esquecer do objetivo do Governo de extinguir o SEF até março. Se tal acontecer, o controlo da fronteira aérea será feito pela PSP e a terrestre e marítima pela GNR.

Hugo Costeira, presidente do Observatório de Segurança Interna, assumiu em declarações ao Expresso que “politicamente, era um suicídio caso acontecesse algo no evento, tendo o SEF sido extinto meses antes” e que, por isso, acredita que “vão arranjar forma de continuar com o SEF mais uns meses” até porque, segundo o especialista, “nem a PSP nem a GNR têm pessoas ou experiência suficientes para estas funções até à realização da JMJ, nem vão alcançar a experiência suficiente nos próximos anos”.

Em declarações recentes aos deputados da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, José Luis Carneiro, ministro da Administração Interna, garantiu que apesar de “muito do seu conteúdo” ser “matéria reservada” os planos de segurança e emergência para a Jornada Mundial da Juventude estão “a correr bem e em tempo”.

“Foram já realizadas, até ao momento, mais de uma dezena de reuniões, sob a coordenação do Sistema de Segurança Interna, envolvendo as forças e serviços de segurança, emergência e proteção civil e todas as outras entidades envolvidas na organização”, adiantou também.

Segundo a TVI/CNN Portugal, até ao momento o departamento de aquisições da Polícia de Segurança Pública apenas teve autorização do ministro da Administração Interna para comprar quatro viaturas e 10 mil refletores.

Inês Barbosa/MS

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