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A constatação e a promessa

deputado Iglésias - milenio stadium
José Miguel Iglésias, deputado da Assembleia da República portuguesa. Créditos: Camões TV

 

José Miguel Iglésias é hoje deputado da Assembleia da República portuguesa e tem um muito curioso percurso de vida. É luso-canadiano e só em junho passado visitou o Canadá, é figueirense (Figueira da Foz), mas foi eleito deputado do Partido Socialista, pelo círculo da Região Autónoma da Madeira, apesar de não ser madeirense (é por “adoção”, digamos assim, já que há anos que vive no arquipélago, que é a terra natal da sua esposa). A costela de luso-canadiano vem-lhe da parte da mãe que imigrou com os seus pais nos anos sessenta, mas depois da conclusão da high school regressou a Portugal.

Foi precisamente aquando da sua primeira visita ao Canadá, em meados de junho passado, que tivemos oportunidade de falar com José Miguel Iglésias que se assume como representante do povo português na generalidade enquanto deputado, mas claro, em particular, dos madeirenses que o elegeram e ainda da comunidade luso-canadiana de que se sente parte. Aliás, Iglésias faz parte da Comissão Permanente dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e foi, também, nessa condição que assumiu a visita a este país.

Na altura da gravação da entrevista com José Miguel Iglesias para a Camões TV, o Consulado Geral de Portugal encontra-se encerrado ao público e chegou mesmo a cancelar diversas marcações de serviços, por manifesta falta de pessoal. Entretanto, o quadro de pessoal foi reforçado (embora permaneça ainda a situação crítica), mas pareceu-nos apropriado recuperar parte das suas declarações na altura. E relativamente a este tema José Miguel Iglésias afirmou na altura, que “a situação laboral, digamos, dos funcionários do consulado de Portugal em Toronto é dificílima. O Sr. Cônsul-geral foi extremamente honesto naquilo que me transmitiu, dando conta das dificuldades e da necessidade de recrutamento de mais trabalhadores. É de facto uma situação crítica, aliás eu próprio tive oportunidade de comprovar a quantidade de pessoas que vão lá diariamente, estamos a falar de mais de 150 atendimentos diários que o consulado presta e, na verdade, os funcionários consulares estão a fazer um trabalho extraordinário, que é preciso enaltecer o grande esforço que as pessoas estão a fazer para que o consulado continue a trabalhar. Quanto a este assunto, devo dizer que o programa do Governo é muito claro nesse aspeto – o orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros agora aprovado e promulgado pelo Sr. Presidente da República, aumentou 180 % para este ano. Isto significa um aumento extraordinário de 15 milhões de euros de investimento que vai ser feito na digitalização e modernização dos serviços consulares, para podermos ter um serviço 24/7, de forma completamente online, inclusivamente, de modo a que os pagamentos dos atos consulares também possam ser feitos por via eletrónica. Estamos a falar de coisas que são absolutamente básicas nos dias que correm.”

Alertado para o facto de uma franja importante da comunidade portuguesa não ter as necessárias competências na área das novas tecnologias, para se integrarem neste plano do Governo, José Miguel Iglésias afirmou que “bem, entretanto, vamos entrar numa fase intermédia. E também os mais idosos já têm mais contacto com as novas tecnologias, fazem compras online, têm Facebook, ou seja, julgo que essa fase da infoexclusão já não é totalmente verdadeira. Mas isto é o futuro.”

Será o futuro, sem dúvida, mas agora é preciso pensar e resolver os problemas do presente que já vêm de trás. E José Miguel Iglésias, alertando para o facto de este problema de falta de recursos humanos ser extensivo a vários outros postos consulares portugueses, espalhados pelo mundo, assumiu nesta entrevista um compromisso claro – “esta situação não é um exclusivo de Toronto. O problema é globalizado. Tivemos um problema há uns anos, quando alteraram as tabelas remuneratórias e tornaram muito menos atrativa a carreira de funcionário consular e, portanto, isso também causou problemas e fez com que os serviços sejam na sua maioria mantidos por funcionários que já estavam antes dessas alterações porque é difícil efetivamente reter jovens quadros. O Senhor Secretário de Estado das Comunidades tem total conhecimento desta situação, sabe muito bem o que se passa e sabe o que é necessário fazer, e eu que também faço parte da Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República (e o Ministério das Finanças é que autoriza as contratações de pessoal para os diversos serviços do Estado), certamente irei fazer pressão na Assembleia da República e junto do Governo, para que se tome atenção a estes problemas.”

Não vamos esquecer esta promessa.

Madalena Balça/MS

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