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“A ACAPO está a dar os últimos suspiros” – Jorge Ribeiro

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Jorge Ribeiro tornou-se no primeiro presidente da ACAPO em 1987 e recorda que antigamente o funcionamento interno da organização era diferente. “A direção reunia todas as semanas e quando era necessário o Conselho de Presidentes também se juntava para analisar alguns assuntos. Éramos como uma família e lá fiz amizades para a vida inteira.

Na altura tínhamos cerca de 19 clubes envolvidos, de todas as regiões do país, e o Martinho Silva foi o grande impulsionador do projeto. Ele era pessoa muito dinâmica e estava envolvido a nível político e no Portugal Business Improvement Area (BIA), e ele pensou que seria uma boa altura de ligar os clubes todos e haver uma organização que servisse de Umbrella/Cúpula para todos os clubes portugueses. E a primeira coisa que aconteceu foi juntar os clubes e fazer a comemoração do Dia de Portugal no local onde os portugueses normalmente já faziam as festas, principalmente as organizadas pela Igreja de Santa Inês, no Bellwoods Park.

Então houve um representante de cada clube que começaram a se reunir e falar na possibilidade de fazermos a celebração da Semana de Portugal, pois tínhamos o suporte da Igreja Santa Inês e da irmandade que havia lá. E fizemos e aquilo correu muito bem. No primeiro ano foi assim uma organização conjunta e só em 1987 é que criámos estatutos e constituímos formalmente a ACAPO. Por acidente, eu fui o primeiro presidente, porque na altura era o relações públicas do Benfica. E nos primeiros anos tudo correu bem por uma razão muito simples: é que todos os clubes colaboraram”.

56549451_1202338446606708_7148376188291907584_nJorge Ribeiro encontra aqui a primeira grande diferença entre a ACAPO inicial e a atual – “o espírito do nascimento da ACAPO não tem nada a ver com o que existe hoje. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Está longe de ser aquilo que foi. Após o fim dos anos 80 e começo dos 90 e basicamente até o Joe começar a tomar conta como presidente da ACAPO o espírito era um, a partir daí houve muitas mudanças. Este é o meu ponto de vista, porque o Eustáquio não tem colaboração de ninguém ou tem de muito pouca gente. Tem duas, três pessoas. Mas ele faz tudo sozinho por duas razões. Primeiro, porque ele dá o seu tempo e até agora tem tido a possibilidade de fazer isso, dar o seu tempo e quando as pessoas dão todo esse tempo, há coisas que beneficiam, outras ficam prejudicadas, principalmente o que mais prejudica é aquilo que nós chamamos um movimento voluntário, que não existe. Deixou de existir. E por muitos anos houve apoio voluntário dos clubes. Depois quando começou a haver companhias a patrocinar e com valores mais altos do que tínhamos no passado o que aconteceu é que começou a comercializar-se a Semana de Portugal, ou seja, não havia a necessidade dos voluntários. Depois o Joe quer ser o chefe e ser ele a mandar em tudo e está tudo ok com isso, é uma maneira de trabalhar, mas isto é para se perceber que isto não tem nada a ver com o que era a ACAPO do passado”.

Quanto à atividade atual desenvolvida pela ACAPO – Gala de atribuição de Bolsas de Estudo e atribuição de prémios de reconhecimento e organização da Semana de Portugal – Jorge Ribeiro não tem dúvidas – “ a ACAPO está a dar os últimos suspiros, assim como muitas outras associações e clubes estão a dar os últimos suspiros porque a nossa comunidade está a mudar e vai ter que haver mudanças. Por exemplo a ligação que aconteceu este ano entre a ACAPO e a BIA do Little Portugal não tem nada a ver com união, nem com a comunidade. Quer dizer, a comunidade passou ao lado daquilo tudo porque foi só para dizer que tivemos um palco para as coisas portuguesas naquela parte do festival da BIA. Aquilo teve ali meia dúzia de pessoas, do lado em que estava o palco com as coisas portuguesas não tinha lá praticamente ninguém. Portanto, foi um fracasso no meu ponto de vista. E eu estive lá e vi. Não quer dizer que alguém possa pensar que foi uma coisa extraordinária, mas não foi”.

E então que futuro podemos esperar da ACAPO? Jorge Ribeiro um dos fundadores da Aliança de Clubes e Associações Portuguesas do Ontário responde sem hesitação, nem sinais de dúvidas – “O futuro da ACAPO? Se não houver uma mudança drástica, da ACAPO e da direção da ACAPO, se não houver uma forma de trabalhar diferente, se não houver um trabalho conjunto… com os poucos clubes que ainda vão estar nos próximos cinco a 10 anos, porque os nossos clubes têm tendência também para desaparecer à medida que os mais velhos vão desaparecendo, (a juventude, não quer participar da mesma maneira), dentro cinco a 10 anos tudo vai mudar e a ACAPO não tem futuro em termos de médio e longo prazo. Não tem muita possibilidade de sobreviver, porque hoje ainda há duas ou três associações, que suportam publicamente a ACAPO e por isso ainda se faz a Parada.
No dia em que isso deixar de acontecer e não houver um rejuvenescimento da direção da ACAPO, porque o Joe não pode estar o resto da vida ali, porque ele já não tem jeito, ele já não tem mais para dar e portanto, tem que haver uma mudança da organização em si para poder termos mais cinco a 10 anos, caso contrário nem chega a ter cinco anos e isso quer dizer nos próximos dois, três anos a ACAPO vai ter que morrer”.

Madalena Balça/MS

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