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PetEternidade

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Créditos: Humberto Arellano

É cada vez mais notória a humanização dos animais de estimação – seja por amor e carinho ao animal, seja por carência de quem os adota, seja por uma questão de companhia, ou por não se ter filhos. A verdade é que a carga de responsabilidade que um animal carrega é grande e os cuidados a ter são muitos – talvez haja quem considere um exagero comparar-se animais com filhos, muitos dizem até roçar o ridículo quando isso acontece, mas há um outro (cada vez maior) lado da moeda que se preocupa e trata os seus animais de estimação com tanta atenção e dedicação que se assemelha a uma relação entre pai/mãe e filho e, portanto, acham tudo menos ridículo que assim seja.

A propósito de uma declaração do Papa Francisco na primeira semana deste ano, em que este lamentava que as famílias substituam os filhos por animais, instalou-se uma polémica e, como era de esperar, há quem perceba o que o Papa defende, mas há também quem critique. “Renegar a maternidade e a paternidade diminui-nos, tira-nos a humanidade” dizia Papa Francisco, num apelo aos casais para que tenham mais filhos ou adotem quem precisa de pais.

Em Portugal, por exemplo, as associações que defendem os direitos dos animais veem como infelizes as palavras do líder máximo da Igreja Católica, dizendo que tal comparação não devia ter sido feita, até porque para se ter (mais) filhos, são precisas (mais) condições. 

Este é um debate que se vai prolongar no tempo, entre a perspetiva de “exagero” que uns têm, acreditando que esse amor e tempo podia ser dado a uma criança que está, por exemplo, sem família, e a perspetiva de outros que condenam essas comparações, já que um filho acarreta muito mais responsabilidades e despesas e ainda porque, em último recurso, defendem que não se pode também deixar os animais abandonados.

Nesta edição do jornal Milénio Stadium conversámos com duas mulheres, que nos falaram em nome da sua família, revelando-nos de que forma lidam com os seus animais de estimação e qual a importância que estes têm no seio familiar. 

Milénio Stadium: Posso perguntar se o facto de não terem filhos foi uma opção vossa? Se sim, podemos saber porquê?

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Lemis Dantas. Credito: DR

Lemis Dantas: Em primeiro lugar, foi uma escolha. A medicina avançou tremendamente, criando várias opções de sucesso para as mulheres, dependendo do quão longe alguém vai ou está disposto a ir para conceber. A nossa história é a seguinte: nós casámos por volta dos 30 anos, e nessa altura quando nos conhecemos, estávamos muito empenhados em construir as nossas carreiras e concentrados em fazer com que as nossas vidas profissionais crescessem, precisamente nessa fase do início do nosso casamento, em vez de fazer crescer uma família. Quando nos apercebemos que talvez tivesse chegado a altura, já estávamos na casa dos 40 e tomámos a decisão, nessa altura, de não ter filhos, mas manter as opções de adoção em aberto no futuro.

MS: Considera os seus cães como se fossem as vossas crianças?

LD: Penso que como mulher, sim 100% são os meus bebés, no entanto para o Carlos são os seus animais de estimação. 

MS: O que é que um animal vos dá que uma criança não daria? Ou o que é que uma criança vos daria que um animal não dá?

LD: Um animal dá-nos amor incondicional, sem julgamentos e nunca reclama. Não podemos comparar com humanos, uma criança é vida e faz parte de ti e do futuro, por isso tudo o que eles dão de mau ou de bom vale a pena.

MS: Que tipo de preocupação e cuidados têm com os vossos cães? (por exemplo: passeios, treinos, spa, cuidados com a higiene, etc.)

LD: Como são uma raça mais pequena, Chihuahuas e pêlos curtos, dou-lhes banho, e escovo-os, e cortam-lhes as unhas de seis em seis semanas. Também faço comida caseira para eles juntamente com aquilo que lhe compro na loja e asseguro-me de que recebem os seus três mini-passeios por dia.

MS: Sei que organizou o casamento dos seus cães. Podemos considerar que foi um gesto de amor da vossa parte? Conte-nos mais sobre esse momento. 

LD: Sim, eles casaram-se, na verdade não foi ideia nossa, a nossa amiga foi uma das organizadoras do famoso Woofstock Dog Festival e ela tinha pedido para que eles fossem modelos no desfile de moda canina todos os anos. Então um ano decidiram acrescentar “Casamentos de Cães”, e escolheram seis casais para casar no Hotel King Edward com um serviço e uma recepção com todos os requintes, por isso é claro que eu disse SIM. O Carlos digamos que não teve escolha… Eles estavam nas notícias e em todas as revistas caninas, por isso esse casamento levou a carreira de modelo deles para o nível seguinte (risos).

MS: Que conselhos dão a quem queira ter um animal de estimação em casa? Quais são os prós? E… há algum contra?

LD: Conselho: Treine-os, ame-os, alimente-os e caminhe com eles. O único contra: eles não vivem muito tempo.


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Manuela Figueira. Créditos: DR.

Manuela Figueira

Milénio Stadium: Sei que no caso da vossa família, a vossa cadela não substitui um filho. No entanto, podemos dizer que é considerada/tratada também ela como uma “filha”?

Manuela Figueira: A Rita (é o nome dela) tem uma história “curiosa”, por assim dizer. Ela antes estava em casa de uma outra pessoa, mais velha, que a tratava de uma forma bastante diferente da que é agora tratada. Não é que fosse mal tratada mas, como costumamos dizer, “antes era uma cadela e agora é uma menina”! Não sei se a vemos como uma filha, mas sem dúvida é mais um elemento da nossa família. Já temos animais há muitos anos e infelizmente já tivemos que “adormecer” uma gatinha, a Lara, e uma cadela, a Joana. E apesar de todos os bons momentos – que não são poucos – que eles nos proporcionam durante os anos em que estão connosco, deixam também uma enorme dor quando a história termina desta forma.

MS: O que é que, na vossa opinião, um animal de estimação “dá” ao seu “dono” que um ser humano não consegue oferecer?

MF: Um amor incondicional, sem interesse e sobretudo sem ressentimentos. É, no fundo, a mais pura forma de amar. Eles são-nos sempre fiéis e sabem “agradecer-nos” pelo bem que lhes fazemos. 

MS: Alguma vez deixaram de fazer alguma coisa ou ir a algum sítio porque não podiam levar a vossa cadela?

MF: Bem… esse é o nosso dia a dia (risos)! É uma “ginástica” diária para ver com quem é que a Rita pode ficar quando alguém tem que sair de casa para ela não ter que ficar sozinha! Quando é inevitável e ela tem mesmo que ficar sozinha por norma até deixamos a televisão ligada para ela sentir que tem companhia, mas o que é certo é que quando chegamos ela está sempre ao pé da porta. 

Acredito que esteja a maior parte do tempo por lá à espera que voltemos… E é por isso que nos custa tanto deixá-la sozinha. Antes tinha a companhia da Joana, a nossa outra cadelinha que falei anteriormente, mas agora que ela já não está connosco é mais complicado…

MS: Que tipo de cuidados têm diariamente com o vosso animal?

MF: Neste momento a Rita já tem 14 anos e para além do excesso de peso (muitas guloseimas…) também já vai tendo outros problemas, como por exemplo de coração. Já não vai para nova, como se costuma dizer! Por isso, para além de cuidados básicos como limpar as patinhas e o pêlo com toalhitas depois de vir da rua também tentamos que ela dê umas caminhadas mais prolongadas para ver se perde um pouco de peso e continua ativa!

MS: Há quem defenda que os animais não devem ser comprados, porque isso não acontece (a não ser que seja crime) entre os humanos. Qual é a vossa perspetiva acerca da compra de animais de estimação? 

MF: Muito sinceramente não concordo. Para além do facto de infelizmente existirem milhares (ou milhões…) de animais em canis e gatis que davam tudo por ter um lar e carinho, muitos criadores apenas se preocupam com o lucro que podem obter com o negócio, e não se preocupam em dar condições de vida mínimas aos animais – inclusive, muitas vezes são maltratados, amarrados, obrigados a procriar. É horrível. Por exemplo, segundo alguns especialistas da área, uma cadela deve – ou pode, melhor dizendo – cruzar no máximo a cada dois cios e muitos criadores que não são profissionais ou que não têm sequer licença desrespeitam esse princípio.

MS: Quais os conselhos que dariam a alguém que esteja a pensar ter um animal de estimação? Quais são os prós? E… há algum contra?

MF: Para pensarem muito bem antes de levarem um animal para casa – é um compromisso muito grande! Eles são muito fofinhos, é verdade, mas – e pegando na analogia dos filhos da primeira pergunta – também dão bastante trabalho e “tiram-nos” tempo: precisam de ser passeados, precisam de cuidados de higiene (alguns preferencialmente diários), de serem alimentados, de ir ao veterinário – e isso custa (bastante) dinheiro -, e mais importante que tudo precisam de ser mimados! Não tenham um animal “só por ter” e não ofereçam animais se não tiverem a certeza que a pessoa tem condições para tratar dele! Todos merecemos carinho, amor e dedicação… e eles não são diferentes! Agora se me perguntarem se vale a pena eu respondo: oh se vale!

Catarina Balça/MS

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