Portugal

Varíola dos macacos detetada em clínica de doenças sexualmente transmissíveis

milenio stadium - Animals at the Managua National Zoo
epa09779749 A white-faced monkey (Cebus capucinus) at the National Zoo, in Managua, Nicaragua, 23 February 2022. The white-faced monkey is native to the forests of Central America and the most northwestern part of South America and is very valuable for its role as a seed and pollen disperser. EPA/Jorge Torres

 

Os cinco casos confirmados de varíola dos macacos foram detetados numa clínica de doenças sexualmente transmissíveis na região de Lisboa e Vale do Tejo. No entanto, segundo a diretora do Programa Nacional para as Infeções Sexualmente Transmissíveis e Infeção por VIH da Direção-Geral de Saúde, “não está descrita classicamente a via da transmissão sexual” como passível de causar a infeção. Margarida Tavares admite ainda que se possa falar da existência de um surto. No entanto, descarta uma situação semelhante à covid-19.

“Podemos utilizar a palavra surto porque podemos falar em surto sempre que há um aumento de casos acima daquilo que é esperado. Não esperávamos que nenhum caso ocorresse em Portugal por vírus Monkeypox. Se temos cinco casos confirmados podemos falar em surto”, explicou Margarida Tavares.

Atualmente, há “23 ou 24 casos” suspeitos de infeção pelo vírus Monkeypox no país, sendo que cinco deles já foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Todos os infetados pertencem à região de Lisboa e Vale do Tejo e o vírus foi detetado numa clínica de doenças sexualmente transmissíveis. Trata-se, segundo Margarida Tavares, de “situações identificadas em ambulatório” e “ligeiras do ponto de vista clínico”.

Os casos confirmados surgiram em jovens do sexo masculino, sendo que alguns “são homens que fazem sexo com homens”. Ainda assim, frisou Margarida Tavares, “não está descrita classicamente a via da transmissão sexual”. Para já, detalhou, sabe-se que a infeção pode ser transmitida por “contacto próximo, íntimo e prolongado”. Até ao momento, não foi identificada qualquer ligação entre os infetados.

Margarida Tavares frisou que a “principal via de transmissão é o contacto com as lesões cutâneas” e admitiu ainda que o contágio possa ocorrer após a partilha de objetos que tenham tido contacto com as lesões. É o caso de roupas de cama ou roupas de banho.

Os doentes infetados foram aconselhados a não contactar de forma próxima com outras pessoas e a proteger as suas lesões cutâneas. Nas formas habituais, o fim do período de contágio ocorre “com a cura completa das lesões”, ou seja, “quando as crostas que se formaram caem”.

“A cura e o fim do período de contágio vai entre duas a quatro semanas, classicamente”, afirmou a médica, descartando uma situação semelhante à covid-19.

Margarida Tavares confirmou que esta “é a primeira vez que existe esta infeção em Portugal”. No entanto, destacou, já existiu noutros países fora de África. “A primeira vez que ocorreu um surto fora de África foi nos Estados Unidos, em 2003, com algumas dezenas de casos associada sempre ao contacto com animais domésticos que contactaram com roedores que tinham sido importados de África e que se confirmaram, alguns deles, como estando infetados com este vírus”, recordou a médica.

“Desde 1970, quando o vírus foi identificado pela primeira vez no ser humano, houve já muitos casos de forma esporádica ou em pequenos surtos em vários países de África. A maioria das situações com origem em contacto com animais porque este é um vírus animal. No entanto, também é um vírus que se transmite entre humanos. Não de uma forma muito fácil, mas transmite-se quando há contacto muito próximo com uma pessoa infetada, nomeadamente com as lesões cutâneas que caracterizam esta situação”, acrescentou.

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