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Um palácio de conto de fadas à venda por 25 milhões

Monção

Um palácio de conto de fadas
Créditos: Global imagens

Palácio da Brejoeira acolheu reis e ditadores. Um empresário do Porto ofereceu-o à filha. Pioneiro na produção de Alvarinho, tem preço fixado em 25 milhões.

Quem entra no Palácio da Brejoeira, em Monção, com os sentidos apurados, deteta no ar um perfume subtil que o persegue até ao fim da visita. Num conto de fadas, poderia descrever-se como a presença invisível e delicada de Hermínia d’Oliveira Pais, a penúltima proprietária, que recebeu o este marco arquitetónico de presente do pai – um abastado empresário do Porto -, em 1937, quando fez 18 anos, Nele habitou até morrer com 97 anos, em dezembro de 2015.

Um palácio de conto de fadas
Créditos: Global imagens

E há o aroma que procede dos três jardins, um deles de camélias, e da quinta com 17 hectares de vinha que rodeiam o palácio. Da sua história, com quase dois séculos (1834-2021), fazem parte reis (D. João VI, que autorizou a construção) e ditadores como Franco e Salazar (que ali se encontraram secretamente). E também um vinho Alvarinho pioneiro na região de Monção e Melgaço.

Após a morte de Dona Hermínia, os seus herdeiros (dois), constituídos numa sociedade, que tem como acionista maioritário Emílio Magalhães, colocaram à venda por 25 milhões de euros aquele património, cuja construção custou “400 contos [dois mil euros]”. Até agora, nenhum negócio se concretizou.

Um palácio de conto de fadas
Créditos: Global imagens

“Tem havido procura. Há muitos interesses imobiliários, mas o palácio não está em situação de especulação. Já descartámos propostas. A aquisição tem de ser por pessoas que se apaixonem por este património”, afirma Emílio Magalhães.

“O PALÁCIO É UMA PRISÃO”

Segundo Emílio, a anterior proprietária foi “muito assediada para vender o palácio, até por grandes grupos, Amorim, Sonae, pelo dono da Zara e pelo comendador Berardo”. “Nunca vendeu. Dizia que não era altura, mas, dois anos antes de morrer, começou a pedir que o vendesse para eu não passar o que ela passou. O palácio é uma prisão. Só pensamos nisto”, recorda.

Um palácio de conto de fadas
Emílio Magalhães, herdeiro e administrador do palácio. Foto: Global imagens

À “joia”, localizada na aldeia de Pinheiros, só lhe falta uma torre (possui três) para ser real. De resto, tudo é palaciano. Do teatro ao jardim de inverno, junto à entrada, aos imponentes quartos, salões (do rei, de jantar e de fumar/tomar chá), biblioteca e capela, e luxuosos candelabros, tapeçarias, pratas e loiças, mobiliário e azulejos. Assim, como no exterior os jardins, o bosque e a vinha, que foi berço do vinho “Alvarinho Palácio da Brejoeira”, criado em 1976 por Dona Hermínia (a colheita de 2020 tem a sua fotografia no rótulo). Produz “70 a 75 mil garrafas” de vinho, além de aguardentes. A adega é chefiada por Mário Rio Lima, o funcionário mais antigo.

O imóvel classificado Património Nacional em 1910, abriu ao público em 2011 e já foi visitado “por mais de 300 mil pessoas”.

JN/MS


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