Portugal

Tráfico de seres humanos está fora de controlo em Portugal

Inspetores do SEF denunciam que há muito mais estrangeiros vítimas de exploração laboral em Portugal, do que dizem os números oficiais

“Se multiplicássemos por 20 o número de casos de tráfico de seres humanos que vem nos relatórios oficiais, ainda seria pouco para retratar a realidade que se sente no terreno”, conta Acácio Pereira, presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização (SCIF) do SEF. Trata-se do relato de um seu associado, um inspetor que tem participado em operações desta polícia para combater este crime, e refere-se, principalmente, à exploração laboral de estrangeiros, “próximo de uma inaceitável escravatura do século XXI, um crime hediondo”, como assinala Acácio Pereira, que assume que faltam operacionais para combater este crime.

“Sentimos um pulsar do terreno que nos indica que há um grande défice na fiscalização desta área” destaca o dirigente sindical para justificar por que foi esse o tema escolhido para a conferência do SCIF que se vai realizar no final do mês: “Tráfico de Seres Humanos – O SEF e a Luta contra o Tráfico de Pessoas”.

Em 2017 o SEF instaurou apenas 20 inquéritos (e 15 em 2016, 18 em 2015 e 22 em 2014) por este crime, valor que os inspetores consideram “ridículo” e um “insulto para os milhares de pessoas que todos os anos são vítimas de exploração laboral e sexual em Portugal! Temos noção que há milhares de abusos, em simultâneo, todos os meses, para não dizer todos os dias”, assevera Acácio Pereira.

Os dados conhecidos ao longo do ano passado, “mostram que a exploração laboral em zonas agrícolas, especialmente no Alentejo, está fora de controlo por falta de capacidade do SEF para fiscalizar a esmagadora maioria das herdades onde trabalhadores ilegais são vítimas de abusos”, sustenta o sindicato. A origem da maior parte destas pessoas são os países indostânicos, algumas da Europa de leste, e brasileira.

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